Brent nos mínimos do ano: vem aí alívio na bomba?
Com Ormuz reaberto, o preço do petróleo desabou para perto dos 72 dólares. Boas notícias para quem enche o depósito — com a habitual letra pequena.
Quem andou a torcer o nariz ao preço dos combustíveis nas últimas semanas pode respirar um pouco. O Brent, a referência que mais conta para o que pagamos, caiu para perto dos 72 dólares por barril — o valor mais baixo desde o final de fevereiro.
O motivo é geopolítico: com o Estreito de Ormuz outra vez aberto e os petroleiros a circular, o medo de uma rutura de fornecimento esvaziou-se. Quando o mercado deixa de ter pânico, o barril desce. E quando o barril desce, mais cedo ou mais tarde isso chega à bomba.
Cuidado com a letra pequena
Antes de festejar, dois travões. Primeiro, o preço do petróleo não chega instantaneamente ao posto: há sempre um desfasamento de dias até semanas, e impostos que não mexem com o barril. Em Portugal, a fatia de impostos no litro é enorme, por isso uma queda de 5% no crude nunca se traduz numa queda de 5% no que pagamos.
Segundo, a calma é frágil. O cessar-fogo entre os EUA e o Irão continua por um fio, e basta uma faísca para o barril voltar a saltar. Quem faz contas ao orçamento familiar faria bem em não assumir que os preços baixos vieram para ficar.
Ainda assim, a direção é boa. Depois de semanas a ver os números subir, é a primeira vez em muito tempo que o vento sopra a favor de quem conduz.
Veja também: Estreito de Ormuz volta a respirar. Os preços de referência podem ser consultados na DGEG.
Imagem: Wikimedia Commons