Estreito de Ormuz volta a respirar: petroleiros regressam e o cessar-fogo aguenta-se
Apesar dos ataques do fim de semana, os navios voltaram a atravessar Ormuz e as exportações do Golfo recuperam. O preço do barril caiu para mínimos do ano.
Depois de um fim de semana de nervos, com mísseis a caírem sobre o Kuwait e o Bahrain, a notícia que mais mexe com a carteira é mais sossegada: os petroleiros voltaram a atravessar o Estreito de Ormuz. E em força.
A passagem por onde escoa boa parte do petróleo do mundo está outra vez a funcionar. As exportações do Golfo recuperaram para cerca de três quartos dos níveis de antes da guerra, a Arábia Saudita voltou a carregar tankers em Ras Tanura, e o centro de informação marítima da Marinha dos EUA até alargou a rota navegável ao largo de Omã, para deixar passar mais tráfego nos dois sentidos.
O barril alivia
O mercado leu tudo isto como sinal de calma e respondeu na hora. O Brent caiu para perto dos 72 dólares por barril, o valor mais baixo desde fevereiro, e o crude americano também recuou com força. Por outras palavras: o pânico das últimas semanas começou a esvaziar-se.
Não quer dizer que esteja tudo resolvido. O memorando de cessar-fogo continua a ser papel frágil, com cada lado a acusar o outro de o violar, e Donald Trump a avisar que responderá se o Irão voltar a atacar interesses americanos. Mas as conversas técnicas para pôr o acordo em prática mantêm-se de pé, e isso, por agora, basta para acalmar os navios.
Para Portugal, a tradução é simples: se Ormuz se mantiver aberto, o que pagamos na bomba ao fim de semana tende a descer em vez de disparar. Foi o medo do corte que andou a empurrar os combustíveis para cima.
Fica o aviso do costume: a situação muda de hora a hora e nem tudo o que circula nas redes resiste a uma segunda leitura.
Veja também: Irão dispara contra bases dos EUA no Golfo e o impacto nos combustíveis. Acompanhe a cobertura internacional pela ONU Notícias.
Imagem: Wikimedia Commons