Inflação teima nos 3,3% — e a culpa é (outra vez) da energia
Os preços em Portugal continuam a subir 3,3% ao ano, puxados por uma escalada de 13% na energia ligada à tensão no Médio Oriente.
Se sente que o dinheiro rende menos do que há um ano, não é impressão. A inflação em Portugal manteve-se em 3,3% em maio, um dos valores mais altos desde 2023 — e o grande responsável volta a ser a energia.
Os custos energéticos dispararam cerca de 13% no espaço de um ano, empurrados pela tensão no Médio Oriente e pelos sustos à volta do Estreito de Ormuz, por onde passa boa parte do petróleo do mundo. Quando o barril sobe lá fora, a fatura chega cá dentro — primeiro aos combustíveis, depois a quase tudo o resto, porque transportar bens também custa mais.
O que esperar
A boa notícia é que as previsões apontam para um arrefecimento: os economistas esperam a inflação anual perto dos 3% em 2026 e a descer para os 2,3% em 2027. Ou seja, os preços ainda sobem, mas devem subir mais devagar.
Para o dia a dia, a tradução é simples. Vale a pena comparar tarifários de luz e gás, porque é aí que está a maior pressão. E quem tem poupanças sente a mordidela: com a inflação acima dos 3%, o dinheiro parado no banco perde valor real todos os meses.
Não é cenário de pânico — a economia continua a crescer e o desemprego está baixo —, mas é um lembrete de que a energia, lá longe, continua a mandar no orçamento cá de casa.
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