Petróleo abranda e dá um respiro à carteira: o medo de Ormuz arrefeceu
O Brent recuou para perto dos 72 dólares com o alívio das tensões no Estreito de Ormuz. O que isso significa para os combustíveis em Portugal.
Lembra-se das semanas em que cada notícia do Golfo fazia o preço do gasóleo dar um salto? Pois é, o filme está a mudar — e desta vez para melhor.
O barril de Brent recuou para perto dos 72 dólares, e o WTI americano para a casa dos 69, depois de o mercado perceber que o petróleo continua, afinal, a passar pelo Estreito de Ormuz. A Saudi Aramco retomou os carregamentos no terminal de Ras Tanura após quase quatro meses parado, e a sensação de que o crude vai mesmo continuar a circular tirou pressão dos preços.
Porque é que isto nos toca
Portugal não tem poços de petróleo, mas tem depósitos para encher e contas de luz para pagar. Quando o barril dispara por causa de uma crise geopolítica, sentimo-lo na bomba poucos dias depois. Quando arrefece, o alívio também chega — embora, convenhamos, sempre mais devagar do que gostaríamos.
A leitura dos analistas é quase irónica: depois de meses a falar em rutura de abastecimento, o que está agora em cima da mesa é o oposto — um possível excesso de oferta, com a China ainda sem recuperar totalmente o apetite por importações. Demasiado petróleo à procura de comprador costuma significar preços em baixa.
O senão
Nada disto é garantido. O Médio Oriente continua a ser a grande variável imprevisível, e o próprio Banco de Portugal já avisou que os principais riscos para a inflação cá dentro vêm precisamente daquele tabuleiro. Um novo sobressalto em Ormuz e o filme rebobina depressa.
Por agora, fica a boa notícia rara: um fator que andou meses a empurrar os preços para cima está, finalmente, a empurrar para o outro lado.
Imagem ilustrativa · Foto: Jakub Pabis / Pexels