O Monte dei Paschi quer comprar dois bancos ao mesmo tempo, por 34 mil milhões de euros
O conselho de administração do banco mais antigo do mundo aprovou duas ofertas públicas de troca em simultâneo: 25,3 mil milhões pelo Banco BPM e 8,72 mil milhões pelo Banca Generali. O período de adesão só deve abrir em dezembro e a conclusão está apontada para meados de fevereiro de 2027.
O banco mais antigo do mundo ainda em atividade decidiu não esperar sentado. O conselho de administração do Banca Monte dei Paschi di Siena aprovou, por maioria, o lançamento de duas ofertas públicas de troca voluntárias e paralelas: uma sobre a totalidade das ações ordinárias do Banco BPM, outra sobre a totalidade das ações ordinárias do Banca Generali. Somadas, valem cerca de 34 mil milhões de euros, e são inteiramente pagas em ações.
Os números concretos. Pelo Banco BPM, o rácio de troca fixado é de 1,567 novas ações do MPS por cada ação do banco milanês, o que dá um valor implícito de 16,729 euros por ação e uma contrapartida global à volta de 25,3 mil milhões. Pelo Banca Generali, são 6,958 novas ações por cada uma, com um prémio de 10%, para um total de aproximadamente 8,72 mil milhões.
Há um contexto que explica a pressa. O MPS é ele próprio alvo de uma oferta do Intesa Sanpaolo, e esta dupla operação é a resposta industrial de Luigi Lovaglio: em vez de ser comprado, comprar. O mesmo conselho aprovou ainda uma distribuição extraordinária de 4 mil milhões de euros aos acionistas, o que raramente é um gesto neutro no meio de uma disputa deste género.
O calendário
O período de adesão às duas ofertas só deve arrancar na primeira metade de dezembro de 2026 e fechar na primeira metade de fevereiro de 2027, sujeito às autorizações regulatórias e à aprovação dos documentos de oferta pela Consob. Se as duas correrem na íntegra, e contando com a fusão do Mediobanca no MPS, os atuais acionistas do Monte dei Paschi ficariam com cerca de 50,1% do grupo combinado, os do Banco BPM com 37,2% e os do Banca Generali com 12,7%. As sinergias antes de impostos apontadas rondam os 2,6 mil milhões por ano em regime de cruzeiro.
Para quem acompanha os mercados a partir de Lisboa, isto é o capítulo mais recente de uma consolidação bancária italiana que já dura dois anos e que tem servido de termómetro ao apetite europeu por fusões no setor. Vale a pena ler isto ao lado de como tem corrido o ano nos mercados: nenhuma destas operações se decide só em Siena.
Por Beatriz Mota
Imagem: . Ray in Manila / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)