Mercados em acompanhamento: ouro, Fed, petróleo e bolsas
O nosso acompanhamento contínuo dos mercados que mexem com as poupanças em Portugal — ouro, decisões da Fed e do BCE, petróleo e bolsas. Atualizado a cada novidade.
Este é o nosso acompanhamento contínuo dos mercados que mexem com as poupanças em Portugal. Em vez de um artigo novo por cada oscilação, atualizamos esta página sempre que há algo que interessa: ouro, decisões da Reserva Federal e do Banco Central Europeu, petróleo e as principais bolsas. Para o contexto de fundo sobre a economia portuguesa, veja o nosso balanço de meio de ano. Os dados oficiais estão no Banco de Portugal.
Atualizações
21 de agosto de 2026
A bolsa de Lisboa liderou os ganhos europeus a meio da manhã desta sexta-feira, com o retalho à cabeça: a Jerónimo Martins subia 1,77% e a Sonae 1,26%, seguidas da EDP Renováveis com 1,25% e do BCP com 1,10%. Todo o PSI negociava em alta, ainda que a Galp mal saísse do lugar, com 0,05%. Do outro lado da moeda está a dívida. A tensão nos mercados obrigacionistas europeus voltou a puxar pelos juros exigidos a Portugal e o aumento do custo de financiamento passa a pesar na preparação do Orçamento do Estado para 2027, mesmo com os fundamentais nacionais a funcionarem como amortecedor.
2 de agosto de 2026
O ouro fechou uma semana aos ziguezagues: começou perto dos 4.051 dólares a onça, perdeu por breves momentos os 4.000 na quarta-feira e ainda tocou nos 3.995,90 antes de recuperar. O que virou o jogo foi a Reserva Federal, que manteve os juros entre 3,50% e 3,75% e fez o ouro subir 2% nesse dia, com o dólar e as yields a cederem. Mas houve três votos a favor de uma subida, o que arrefeceu quem estava à espera de cortes. Com o petróleo a voltar a alimentar o receio de inflação, a tendência de fundo continua indefinida.
1 de agosto de 2026
O petróleo fechou julho a subir com força: o Brent avançou cerca de 1,4% para uns 90,25 dólares por barril e o crude americano ganhou perto de 2,2% na sessão de sexta-feira, empurrando também as taxas da dívida americana para cima num mercado outra vez preocupado com inflação. Do lado das ações, a Apple estragou a festa das tecnológicas: apresentou 109,4 mil milhões de dólares de receita, mais 16% num ano, mas travou o entusiasmo com uma previsão de crescimento de 9% a 11% para o trimestre seguinte e um aviso sobre falta de componentes para chips. Para quem tem crédito à habitação em Portugal, a leitura relevante é a de sempre: petróleo caro alimenta inflação, e inflação alimenta a conversa sobre juros.
30 de julho de 2026
A Reserva Federal deixou os juros onde estavam, no intervalo entre 3,50% e 3,75%, pela quinta reunião consecutiva. A decisão não foi pacífica: três dos doze votantes queriam subir a taxa em 0,25 pontos, com a inflação a resistir e a pressão política a somar-se ao ruído. O próximo encontro é a 15 e 16 de setembro, e é aí que o mercado concentra agora as apostas de subida. Para quem tem crédito à habitação em Portugal, a leitura é indireta mas real: dólar mais forte e juros americanos parados mantêm a Euribor sem grande margem para descer no curto prazo.
29 de julho de 2026
O petróleo deu meia-volta outra vez. O Brent subiu mais de 4%, para perto dos 88 dólares por barril, depois de os EUA dizerem ter intercetado mísseis balísticos iranianos lançados contra as suas forças no Médio Oriente — e quebrou assim três sessões seguidas de quedas que tinham somado cerca de 16%, a maior descida desse tipo desde 2020. O ouro andou no sentido inverso, a recuar cerca de 1% para os 4.030 dólares a onça, penalizado por um dólar mais forte. Tudo isto na véspera da decisão da Reserva Federal, com os mercados a atribuir cerca de um terço de probabilidade a uma subida de juros já nesta reunião e perto de 80% a uma subida em setembro — muita incerteza para tão perto do anúncio.
28 de julho de 2026
O Banco Central Europeu deixou os juros diretores onde estavam na reunião de julho, depois da subida de junho, e justificou a pausa com a necessidade de mais dados antes de voltar a mexer. Para quem paga casa em Portugal, isso significa uma trégua: a Euribor a 12 meses negociou esta segunda-feira nos 2,993%, a seis meses nos 2,723% e a três meses nos 2,488%. Quem tiver revisão de prestação nas próximas semanas deve encontrar valores muito perto dos atuais, em vez de mais um agravamento.
26 de julho de 2026
O petróleo entrou no fim de semana colado aos 100 dólares por barril, e desta vez a culpa dividiu-se por dois focos. Os EUA travaram os bombardeamentos ao Irão pela primeira vez em quase duas semanas, o que noutro contexto teria aliviado o prémio de risco, mas os rebeldes Houthi atacaram dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho e devolveram o nervosismo ao mercado. Entretanto entraram em vigor as novas tarifas norte-americanas de 10% a 12,5% sobre importações de 60 parceiros comerciais, incluindo China, Turquia, Brasil e Rússia.
24 de julho de 2026
O PSI recuou 0,27% na última sessão, para os 9.252,58 pontos, ainda assim perto de máximos que a bolsa de Lisboa não via há quase duas décadas. A Galp destacou-se pela positiva, a subir 3,71% para 20,96 euros, enquanto os CTT lideraram as perdas, a ceder 4,67%. Lá fora, o BCE deixou os juros como estavam e o mercado está cada vez mais convencido de que o próximo passo será uma subida em setembro, com a inflação a dar novos sinais de vida.
22 de julho de 2026
O petróleo disparou para máximos de seis semanas, com o Brent a subir cerca de 2,7% para perto de 93 dólares por barril, empurrado pela escalada militar entre os EUA e o Irão. Em Wall Street, as bolsas recuaram ligeiramente à espera dos resultados trimestrais da Alphabet e da Tesla, divulgados depois do fecho, com o índice tecnológico Nasdaq a perder 0,5%.
O PSI continua a segurar-se acima dos 9.000 pontos, a rondar os 9.100, num patamar que a bolsa de Lisboa não via há quase duas décadas. Nas últimas sessões o BCP tem puxado pelos ganhos, a valorizar mais de 1%. Lá fora, o ouro voltou a brilhar como refúgio e negoceia perto dos 4.070 dólares por onça, com uma subida superior a 1,5%.
21 de julho de 2026
Wall Street fechou a segunda-feira em terreno negativo e a Europa pintou-se de vermelho, com um sell-off nas tecnológicas e o Brent a subir por causa da tensão no Golfo. A exceção foi a Alphabet, que ganhou cerca de 3% depois de se saber que a Google prepara um chip mais eficiente para o Gemini. A semana agora é de resultados das grandes tecnológicas — e a dona da Google abre o baile.
20 de julho de 2026
Segunda-feira vermelha nas bolsas: as tecnológicas lideraram um sell-off que pintou a Europa de vermelho, com a Ásia a dar o mote — a TSMC caiu 7 por cento e a japonesa Kioxia tombou 16, sob pressão do entusiasmo em torno dos modelos de IA chineses mais baratos. Em Londres, a Burberry afundou mais de 6 por cento. Ao mesmo tempo, o Brent subiu com o agravamento do conflito no Médio Oriente, depois de os EUA terem atacado a central nuclear de Darkhovin — energia mais cara e tecnologia em queda, o cocktail que os investidores menos gostam de beber.
18 de julho de 2026
Semana pesada nas bombas: segundo o ACP e a DGEG, o gasóleo sobe cerca de 13,5 cêntimos por litro a partir de segunda-feira (para uns 1,988 euros) e a gasolina 6,5 cêntimos (1,980) — reflexo do petróleo a disparar mais de 4% na sexta-feira com a escalada no Golfo. Nota: a subida que aqui tínhamos estimado na véspera (1,35 cêntimos) estava errada por uma casa decimal; fica corrigida. Como o aumento passa os 10 cêntimos, o Governo prometeu acionar a descida extraordinária do ISP.
17 de julho de 2026
As bolsas europeias fecharam a semana em baixa, arrastadas por novo sell-off no setor tecnológico — sobretudo semicondutores — com o lançamento do modelo aberto chinês Kimi K3 a reacender o debate sobre as avaliações da IA (em Hong Kong, a Z.ai chegou a cair 30% e a MiniMax 16%). Lisboa foi exceção: o PSI somou 0,27% para os 9.062 pontos, com a Teixeira Duarte a ganhar 3,19% e a Jerónimo Martins 2,12%, enquanto o BCP cedeu 1,11%. Nos combustíveis, a próxima semana traz subidas fortes: cerca de 13,5 cêntimos no gasóleo e 6,5 na gasolina, segundo o ACP e a DGEG.
16 de julho de 2026
A inflação de junho nos EUA veio mais branda do que se temia (3,5% homólogos) e mudou a conversa: a probabilidade de o Fed subir juros a 28-29 de julho caiu de 35% para 10%. As bolsas agradeceram e fecharam em alta ligeira. O petróleo continua a viver de Ormuz — o Brent moderou para os 84,65 dólares (+1,75%) depois de ter tocado os 87 — e o ouro recuou 0,6%, para os 4.028 dólares por onça.
11 de julho de 2026
O ouro recuou 0,6% na sexta-feira, para os 4.115 dólares por onça, enquanto o petróleo subiu com a tensão no estreito de Ormuz — o WTI fechou perto dos 72 dólares e o Brent nos 76. Em Wall Street, a semana terminou positiva apesar de uma sexta-feira mista, marcada pela estreia da sul-coreana SK Hynix no Nasdaq, a maior entrada de sempre de uma empresa estrangeira na bolsa americana.
10 de julho de 2026
A semana trouxe duas estreias em bolsa a mexer com o setor dos chips: a sul-coreana SK Hynix, gigante das memórias para IA, estreou-se nos mercados norte-americanos, enquanto a Luxshare, fabricante dos AirPods, teve um arranque morno em Hong Kong, a fechar abaixo do preço de estreia. Sinal dos tempos: o apetite por semicondutores ligados à IA continua, mas já não é cheque em branco.
8 de julho de 2026
O petróleo disparou mais de 6% depois de Donald Trump declarar acabado o cessar-fogo com o Irão, na sequência de ataques a três petroleiros junto ao estreito de Ormuz: o WTI aproximou-se dos 75 dólares e o Brent dos 79, o maior salto diário desde o início de junho. As bolsas americanas caíram, com os futuros do Dow a perderem mais de 500 pontos, e o Tesouro dos EUA revogou a isenção que permitia ao Irão vender petróleo no mercado global. Combustíveis em Portugal devem refletir a subida já na próxima semana.
8 de julho de 2026
O PSI negociou perto dos 9 217 pontos (+0,35% no último fecho), o ouro manteve-se elevado, na zona dos 4 143 dólares por onça, e o euro valia cerca de 1,14 dólares. Bolsas europeias estáveis e metal precioso ainda caro.
7 de julho de 2026
O ouro estabilizou perto dos 4.150 dólares por onça, com os investidores à espera das atas da reunião de junho da Fed e a darem agora cerca de 50% de probabilidade a uma subida de juros em setembro, depois do arrefecimento do emprego nos EUA. Em Wall Street, o Dow segue acima dos 53 mil pontos, e o petróleo alivia com a recuperação do tráfego no estreito de Ormuz e com a OPEP+ a aumentar as quotas de produção para o próximo mês.
6 de julho de 2026
A OPEP+ confirmou novo aumento de produção e o petróleo abriu a semana em queda. O ouro recuou de cerca de 4.200 para perto de 4.143 dólares a onça, numa sessão de correção técnica, e as bolsas asiáticas fecharam maioritariamente no vermelho. Em Wall Street, os futuros regressaram do feriado de 4 de Julho sem direção definida, com o mercado a reavaliar o retorno dos investimentos em IA.
5 de julho de 2026
O ouro voltou a brilhar no arranque de julho: chegou perto dos 4.122 dólares por onça a 2 de julho, uma subida de cerca de 2,25% num só dia. Os bancos centrais, com a China à cabeça, continuam a comprar para diversificar reservas e reduzir a dependência do dólar, e o World Gold Council vê espaço para novas subidas até final do ano. Para quem tem poupanças, o metal segue a fazer de refúgio num semestre marcado por tensão geopolítica.
4 de julho de 2026
Wall Street fechou o primeiro semestre em máximos e arrastou consigo as poupanças europeias. O ouro negoceia perto de mínimos das últimas semanas, à medida que o mercado ajusta as apostas sobre o próximo passo da Fed.
2 de julho de 2026
O ouro recuou para mínimos recentes com a expectativa de juros mais altos por mais tempo. Petróleo estável depois do alívio no Estreito de Ormuz.
30 de junho de 2026
Fecho de mês: o ouro somou o quarto mês consecutivo de queda; as bolsas europeias oscilaram ao sabor das earnings e das pistas dos bancos centrais.
Por Beatriz Mota
Imagem: Stevebidmead / Wikimedia Commons (CC0)