O Novobanco ganhou 367,2 milhões no semestre, menos 15,6% do que há um ano
A queda vem dos custos extraordinários da venda ao Groupe BPCE e de uma taxa efetiva de imposto mais alta. O crédito cresceu 5,9%, os depósitos 7,7% e o rácio CET1 subiu para 19,2%.
O Novobanco fechou o primeiro semestre com 367,2 milhões de euros de lucro. No mesmo período do ano passado tinham sido 434,9 milhões, o que dá uma queda de 15,6%.
A explicação do banco tem duas pernas e nenhuma delas é comercial. A primeira são os custos extraordinários da venda ao Groupe BPCE, a operação francesa que arrancou formalmente neste semestre e ficou concluída a 30 de abril. A segunda é uma taxa efetiva de imposto mais alta, com a fatura fiscal a subir perto de 38%.
Somando os custos operacionais, que cresceram cerca de 12%, o resultado operacional recuou 13,1%, para 466,7 milhões.
O negócio de base não é o problema
Nos indicadores que medem a atividade corrente, o desenho é outro. A margem financeira ficou praticamente estável, com uma subida de 0,8% para 563,3 milhões. O crédito cresceu 5,9% em termos homólogos e os depósitos 7,7%.
O rácio CET1, que mede a almofada de capital, passou de 17,4% em dezembro de 2025 para 19,2% a 30 de junho — um reforço de 180 pontos base que se explica sobretudo pela decisão da assembleia-geral de acionistas, em março, de não distribuir dividendos referentes a 2025. As divulgações financeiras estão publicadas na área de investidores do banco.
O primeiro semestre de um banco francês
É o dado que dá contexto a tudo o resto: este é o primeiro período de reporte do Novobanco já dentro do BPCE, o segundo maior grupo bancário francês. Uma parte dos custos que puxaram o lucro para baixo é, por definição, de uma só vez — a transição de dono não se repete todos os semestres.
O que fica por ver é o que muda a seguir, da rede de balcões às condições de crédito. E o movimento não é isolado: encaixa num ano em que capital estrangeiro tem entrado em blocos inteiros da economia portuguesa, das candidaturas à alta velocidade da CP à compra de ativos imobiliários por fundos de fora.
Por Beatriz Mota
Imagem: Kolforn / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)