A CGD e o BCP lucraram mais este semestre. Os outros três puxaram a banca para baixo
Os cinco maiores bancos a operar em Portugal somaram 2.519 milhões de euros até junho, menos 3,4% do que há um ano. A margem financeira estagnou e foram as comissões que seguraram a conta.
Com a apresentação de contas do Novo Banco esta quarta-feira, o semestre da banca portuguesa fecha finalmente as contas. Os cinco maiores bancos a operar no país somaram 2.519 milhões de euros de lucro até junho, contra 2.607,8 milhões no mesmo período de 2025. São menos 88,8 milhões, uma quebra de 3,4%.
Não é um mau semestre. É apenas um semestre menos extraordinário do que o anterior, e a diferença entre as duas coisas costuma perder-se nos títulos.
A CGD, que celebra este ano 150 anos, continua a ser quem ganha mais: 913 milhões, mais 2,2% do que há um ano. O BCP, maior banco privado, foi o que mais cresceu, com 565,8 milhões e uma subida de 12,7%. Do outro lado, o Novo Banco caiu 15,6% para 367,2 milhões, o Santander Totta recuou 13,9% para 434 milhões e o BPI fechou o semestre em 239 milhões, menos 13%. Dois a subir, três a descer.
Onde é que o dinheiro dos bancos deixou de crescer
Na margem financeira — a diferença entre os juros que os bancos cobram no crédito e os que pagam nos depósitos. Somou 4.408 milhões no semestre, praticamente na mesma linha do ano passado, com uma variação de menos 0,4%. Só subiu em dois dos cinco: BCP e Novo Banco.
Isto é a descida das taxas de juro a fazer aquilo que se esperava dela. Durante três anos a subida dos juros encheu esta rubrica quase sem esforço; agora o efeito inverteu-se e a conta deixou de andar sozinha.
O que segurou os resultados foram as comissões, que subiram em todas as cinco instituições e chegaram a 1.346 milhões, mais 5,3%. Ou seja: quando os juros param de fazer o trabalho, é o que o cliente paga por manutenção de conta, transferências, cartões e seguros que passa a pesar mais na conta final.
Estes cinco bancos representam mais de 80% do sistema bancário português, o que faz destes números uma leitura razoável do setor inteiro e não apenas de cinco casos. Os dados agregados da supervisão publicam-se depois no Banco de Portugal, com o detalhe que os comunicados individuais não dão.
Por Beatriz Mota
Imagem: GualdimG / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)