Este filme premiado em Veneza tem coprodução portuguesa (e a fotografia é de Leonor Teles)
A Noiva Difícil, de Rubaiyat Hossain, levou o Bisato d'Oro de melhor realização, atribuído pela crítica independente. É o primeiro filme do Bangladeche na secção Orizzonti e só chega às salas portuguesas na primavera de 2027.
Há filmes que chegam a Portugal pela porta do costume e há filmes que chegam pela porta de trás, com uma assinatura portuguesa onde ninguém está a olhar. A Noiva Difícil é do segundo tipo.
O filme da realizadora bangladechiana Rubaiyat Hossain recebeu na sexta-feira o Bisato d’Oro de melhor realização, o prémio que a crítica independente atribui à margem do palmarés oficial de Veneza. E é uma coprodução entre o Bangladeche, a França, Portugal, a Noruega e a Alemanha, com apoio financeiro do Instituto do Cinema e do Audiovisual e equipa técnica portuguesa. A fotografia é de Leonor Teles.
O que é o filme
Zaineen está a preparar o casamento dos seus sonhos em Daca. À medida que os rituais de beleza e as expectativas sociais se acumulam, começa a perder o controlo do próprio corpo, e a preparação transforma-se noutra coisa: uma busca desconfortável por liberdade, com o sobrenatural a entrar pela porta que a tradição deixou aberta. São 88 minutos, com Zaineen Chowdhury Karim no papel principal.
Estreou a 6 de setembro na secção Orizzonti, a competição paralela de Veneza dedicada às novas tendências, e a estreia foi histórica por um motivo que não tem que ver com Portugal: é o primeiro filme do Bangladeche a entrar naquela secção.
Porque é que isto conta cá
Uma coprodução minoritária não é um filme português, e seria desonesto vendê-lo assim. Mas é assim que o cinema português tem andado a viajar. O ICA entra com dinheiro, entra gente portuguesa na equipa, e o resultado corre festivais com uma linha discreta a dizer Portugal nos créditos de produção.
No caso, a linha não é assim tão discreta. A fotografia é o desenho visual de um filme inteiro, e num filme construído sobre rituais, corpos e uma casa em Daca, é quase tudo aquilo que o espectador vai ver.
O prémio chega no fim de uma edição em que Veneza já tinha dado espaço a nomes portugueses e a um Leão de Ouro de carreira entregue a George Clooney. Para quem quiser ver, há paciência pela frente: a estreia portuguesa está apontada para a primavera de 2027. Entretanto, o cinema português continua a dar sinal nas salas com O Jacaré, de Basil da Cunha.
Por Lucy Bennett
Imagem: La Biennale di Venezia — ficha oficial da secção Orizzonti