Vive em Almada e a AIMA marcou-lhe atendimento em Carregal do Sal
A descentralização das marcações aliviou as filas de Lisboa e do Porto, mas as vagas são atribuídas por disponibilidade e não por morada. Há quem tenha pago 300 euros de transporte para um atendimento de minutos.
A ideia fazia sentido no papel. Se as lojas de Lisboa e do Porto estavam entupidas, espalhava-se o atendimento pelo país e as filas encolhiam. Foi isso que a AIMA fez. O que ficou de fora do plano foi a geografia de quem é atendido.
As vagas estão a ser atribuídas por disponibilidade, não por proximidade da morada do requerente. O resultado, relatado pelo Jornal de Notícias, é gente a atravessar meio país para atos que demoram minutos.
O caso que ilustra o problema
Um imigrante residente em Almada recebeu marcação para Carregal do Sal, no distrito de Viseu. Chegou de transportes públicos até Coimbra e descobriu que dali não havia forma prática de completar a viagem. Faltar significava arriscar novo atraso num processo que já se arrasta, por isso pagou 300 euros a um transporte privado para chegar a horas.
Não é um caso isolado. O mesmo trabalho jornalístico dá conta de um casal que recebeu três marcações, em três locais diferentes, para o mesmo processo.
O que fazer se lhe calhar longe
Remarcar é possível, mas quem já passou pelo sistema hesita: uma remarcação pode empurrar a data por semanas e não há garantia de que o novo local seja mais perto. Antes de decidir, confirme na convocatória qual é exatamente o ato marcado — recolha de biometria, entrega de documentos, entrevista — porque isso determina se pode ou não ser resolvido por via digital.
Vale também rever os prazos que a lei lhe dá. Quem está a renovar deve apresentar o pedido entre 90 e 30 dias antes de o título caducar, e há um prazo de 60 dias úteis findo o qual a renovação se considera tacitamente deferida. O portal e os contactos oficiais estão no site da AIMA.
A descentralização resolveu um problema real. Falta agora a parte simples: cruzar a morada do requerente com o balcão que lhe é atribuído.
Por Juliana Castilho
Imagem: Vitor Oliveira / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)