O IRN recebeu 47 conservadores em agosto, os primeiros em mais de vinte anos (e em setembro entram mais 66)
Tomaram posse a 3 de agosto e foram colocados também na Conservatória dos Registos Centrais e no Arquivo Central do Porto, onde se decidem os processos de nacionalidade. Em 2025, mais de 63% dos trabalhadores do IRN tinham 55 anos ou mais.
Quem tem um processo de nacionalidade parado numa conservatória raramente recebe boas notícias sobre pessoal. Recebeu uma este mês, e o próprio Instituto dos Registos e do Notariado diz que 47 novos conservadores de registos iniciaram funções a 3 de agosto, mais de vinte anos depois do último ingresso na carreira.
Vinte anos é o número que interessa aqui. Não houve uma admissão de conservadores neste país desde antes de existir o cartão de cidadão, e entretanto o IRN foi acumulando competências — nacionalidade, beneficiário efetivo, registo automóvel online, Casa Pronta — sobre um quadro que envelhecia sozinho. Em 2025, mais de 63% dos trabalhadores do instituto tinham 55 anos ou mais.
Os 47 são todos mestres em Direito, têm em média cerca de 40 anos, cerca de 90% são mulheres e passaram perto de um ano em formação teórica e prática dentro das próprias conservatórias. Durante essa formação foram integrados no projeto-piloto de recuperação de pendências, o que quer dizer que chegaram ao primeiro dia já com processos atrasados nas mãos.
Onde é que estes foram parar
O Ministério da Justiça foi específico sobre as colocações, e vale a pena reter duas. Uma parte foi para conservatórias do Norte e do Sul que estavam simplesmente sem conservador de registos. Outra foi para a Conservatória dos Registos Centrais e para o Arquivo Central do Porto — os dois sítios onde se decidem os pedidos de nacionalidade, e os dois sítios onde a fila é mais longa.
47 novos Conservadores de Registos tomaram posse esta semana no IRN — pondo fim a mais de 20 anos sem admissões.
— Ministério da Justiça - XXV Governo (@justica_pt) August 6, 2026
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O calendário continua. Em setembro entram mais 66 conservadores, o que fecha o ano em 113. Em março de 2027 chegam mais 39, de vagas autorizadas ainda em outubro de 2025. Nos registos propriamente ditos, 120 oficiais entraram em maio e junho de 2025 e há um concurso para mais 485 a terminar, com ingresso previsto para o último trimestre deste ano.
O que estes números não dizem
Falta uma conta, e é a que decidiria se isto é reforço ou substituição. O Governo publicou quantos entram e não publicou quantos saem. Com 63% do quadro acima dos 55 anos, uma parte destes 113 lugares está a tapar aposentações que já aconteceram ou estão à porta, e ninguém disse qual é essa parte.
Depois há o outro lado da equação, que é a procura. A Lei Orgânica 1/2026 mudou as regras da nacionalidade em maio e o regulamento que define papéis, provas e formulários tinha prazo até 16 de agosto. Enquanto esse regulamento não sair, mais conservadores decidem mais depressa os processos antigos, mas os novos requisitos ficam onde estão.
Para quem espera, a mudança prática é modesta e é honesta dizê-lo: há mais gente a decidir, nos dois serviços que mais decidem. Quanto isso encurta uma fila específica, só os tempos médios de decisão do próximo ano vão mostrar.
Por Juliana Castilho
Imagem: Rakoon / Wikimedia Commons (CC0)