Visto D7: quanto precisa para viver em Portugal com rendimentos passivos — guia 2026
O visto D7 exige rendimento passivo de pelo menos 920 euros por mês em 2026 — o salário mínimo. Reformas, rendas e dividendos contam. O guia passo a passo.
O visto D7 exige, em 2026, um rendimento passivo comprovado de pelo menos 920 euros por mês — o equivalente ao salário mínimo nacional português. É esta a porta de entrada em Portugal para reformados e para quem vive de rendas, dividendos, juros ou royalties: prova-se o rendimento, pede-se o visto no consulado do país de residência e, já em Portugal, converte-se tudo numa autorização de residência. Parece simples, e a lógica é mesmo essa — mas os detalhes decidem se o processo demora meses ou se arrasta.
Quanto rendimento preciso para o visto D7?
A referência é o salário mínimo português: 920 euros mensais em 2026 para o requerente principal. Se levar família, soma-se 50% por cada adulto (460 euros) e 30% por cada filho menor (276 euros). Um casal com uma criança precisa, portanto, de demonstrar cerca de 1.656 euros por mês de rendimento passivo regular.
Além do rendimento recorrente, é fortemente recomendado (e na prática exigido pela maioria dos consulados) mostrar uma almofada financeira numa conta bancária portuguesa — a bitola habitual é um ano de salário mínimo, ou seja, cerca de 11.040 euros para o requerente principal. Contam como rendimentos passivos as pensões de reforma ou invalidez, rendas de imóveis (em Portugal ou no estrangeiro), dividendos, juros de depósitos e obrigações, e royalties de propriedade intelectual. Salário de um emprego remoto não é rendimento passivo — para isso existe o visto de nómada digital, como explicámos no panorama geral dos vistos para mudar-se para Portugal.
Como pedir o visto D7 passo a passo?
O caminho tem uma ordem lógica e começa ainda fora de Portugal:
- Obter um NIF (número de contribuinte) português — pode ser feito à distância através de representante fiscal.
- Abrir conta bancária em Portugal e transferir a almofada financeira.
- Arranjar prova de alojamento: escritura, contrato de arrendamento de 12 meses ou, em alguns consulados, termo de responsabilidade de um anfitrião.
- Juntar a prova dos rendimentos passivos (declarações de pensão, contratos de arrendamento, extratos de dividendos), registo criminal e seguro de viagem/saúde.
- Submeter o pedido no consulado português ou centro de vistos (VFS) do país de residência — os requisitos oficiais e formulários estão no portal de vistos do MNE.
- Receber o visto, que vale quatro meses e duas entradas, e viajar para Portugal.
- Comparecer na marcação da AIMA para biometria e receber a autorização de residência, válida por dois anos e renovável por mais três.
Sobre os montantes e a prova de meios em cada fase, os valores oficiais por tipo de visto estão detalhados no nosso guia dos meios de subsistência exigidos para cada visto.
Visto D7 ou D2: qual escolher?
Depende de onde vem o dinheiro. O D7 serve quem já tem rendimento que cai na conta sem trabalhar; o D2 serve quem quer ganhar a vida em Portugal com um negócio próprio — explicámos o D2 em detalhe neste guia. Um reformado com pensão estável não tem dúvida: D7. Quem vive de um portefólio mas planeia abrir atividade em Portugal pode começar pelo D7 e trabalhar depois — a autorização de residência D7 não proíbe o exercício de atividade profissional.
Ao fim de cinco anos de residência legal, abre-se a porta à residência permanente. Atenção às regras da nacionalidade: mudaram em 2026, com prazos mais exigentes e maior prova de ligação ao país, por isso convém não fazer contas de cabeça com base em artigos antigos.
Perguntas frequentes
Posso trabalhar em Portugal com o visto D7?
Sim. O que o D7 exige é que a base do pedido sejam rendimentos passivos; depois de ter a autorização de residência, pode exercer atividade profissional em Portugal, por conta própria ou de outrem.
Quanto tempo demora o processo?
O prazo legal de decisão do visto é de 60 dias, mas na prática o total — do NIF à residência — costuma levar de quatro a oito meses, conforme o consulado e a agenda da AIMA.
O visto D7 dá acesso ao SNS?
Depois de ter a autorização de residência e de se inscrever no centro de saúde da sua área, sim — o acesso ao Serviço Nacional de Saúde funciona nas mesmas condições dos residentes.
Por Juliana Castilho
Imagem ilustrativa · Foto: Jan van der Wolf / Pexels