Visto D2: como abrir um negócio e viver em Portugal — o guia 2026
O visto D2 é a porta de entrada para empreendedores e independentes que querem viver em Portugal. Plano de negócios, cerca de 11 mil euros de meios próprios e pedido no consulado: as contas e os passos em 2026.
A resposta curta: o visto D2 é o visto de residência para quem quer viver em Portugal a partir de um negócio próprio — abrir uma empresa, transferir uma que já existe ou trabalhar como independente — e pede-se no consulado português (ou centro VFS) do país onde vive, com um plano de negócios credível e prova de que consegue sustentar-se cá. Não há um valor mínimo de investimento fixado por lei; há um projeto que tem de convencer.
O que é o visto D2 e quem pode pedir?
É o visto nacional para atividade empresarial ou trabalho independente. Serve tanto para quem vai constituir uma empresa em Portugal como para quem já a constituiu, para quem compra ou transfere um negócio, e para profissionais independentes com contratos de prestação de serviços. A peça central do processo é o plano de negócios: o que vai fazer, com que dinheiro, que viabilidade tem e — ponto que pesa cada vez mais — o que traz de relevância económica ou social. Um café de bairro bem fundamentado pode valer mais do que uma startup de PowerPoint.
Quanto dinheiro é preciso para o visto D2?
Duas contas separadas. Primeiro, os meios de subsistência pessoais: a referência é 12 meses do salário mínimo nacional, ou seja, cerca de 11.040 euros em 2026 (920 euros por mês), com acréscimos por cada membro da família — as contas detalhadas dos meios de subsistência estão aqui. Segundo, o capital do próprio negócio: o montante que o plano exigir, depositado ou demonstrável. Juntam-se os documentos habituais: registo criminal, seguro de saúde, comprovativo de alojamento em Portugal, NIF e, na maioria dos casos, uma conta bancária portuguesa.
Como e onde se pede o visto D2?
O pedido faz-se fora de Portugal, no consulado ou no centro de vistos (VFS Global) do país de residência — em vários países é obrigatório agendamento presencial, e as vagas esgotam com meses de antecedência. Entregue o processo, a análise costuma demorar entre 45 e 90 dias, conforme o posto. Os requisitos oficiais e a lista de documentos estão no portal de vistos do MNE. Com o visto aprovado, entra em Portugal e finaliza a autorização de residência junto da AIMA, com biometria e morada confirmada.
Quanto tempo dura a autorização de residência?
A primeira autorização é válida por dois anos e renova-se por períodos de três. A partir daí, o relógio conta para tudo o resto: ao fim de cinco anos de residência legal pode pedir a residência permanente — e a contagem para a nacionalidade segue as regras próprias da nova lei.
Perguntas frequentes
O D2 exige um investimento mínimo?
Não. Ao contrário do golden visa, a lei não fixa um valor; a viabilidade do plano é o critério. Na prática, projetos com capital demonstrado e contratos reais têm muito mais sucesso.
Posso pedir o D2 já estando em Portugal?
A regra é pedir no país de residência. Há exceções em situações de permanência legal, mas o caminho seguro — e o que os consulados esperam — é tratar tudo antes de viajar.
Qual é a diferença entre o visto D2 e o D8?
Se o rendimento vem sobretudo de clientes fora de Portugal e trabalha remoto, o D8 (nómadas digitais) costuma encaixar melhor; o D2 é para quem vai construir atividade cá. Se está entre os dois, o visto de procura de trabalho não é alternativa — esse destina-se a emprego por conta de outrem.
Por Juliana Castilho
Imagem ilustrativa · Foto: Kampus Production / Pexels