Meios de subsistência: quanto dinheiro é preciso para um visto de Portugal em 2026?
Em 2026, os meios de subsistência para vistos portugueses partem dos 920 euros mensais (o salário mínimo): 100% para o requerente, 50% por adulto extra e 30% por filho. Veja as contas.
A resposta curta: em 2026, a referência são 920 euros por mês — o valor do salário mínimo nacional, fixado pelo Decreto-Lei n.º 139/2025. É a partir daí que os consulados fazem as contas aos “meios de subsistência”, o requisito obrigatório de qualquer visto de longa duração para Portugal. Quem pede o visto tem de provar que consegue viver cá com o seu próprio dinheiro — ou que estará em condições de o obter depois de entrar.
Quanto é preciso ganhar para um visto português em 2026?
A regra base é uma percentagem do salário mínimo (920 euros) por cada membro do agregado: o primeiro adulto conta a 100%, ou seja, os 920 euros por inteiro; o segundo adulto e seguintes contam a 50% (460 euros cada); e as crianças e jovens até aos 18 anos, bem como filhos maiores a cargo, contam a 30% (276 euros cada). Um casal com dois filhos menores, por exemplo, precisa de demonstrar cerca de 1.932 euros por mês. Contam para a prova rendimentos como salários, contratos ou promessas de contrato de trabalho, bolsas de estudo, subvenções e contratos de prestação de serviços. Os critérios completos estão publicados no portal de vistos do MNE.
Por quanto tempo é preciso garantir esse valor?
Depende do visto. Para residência com atividade profissional, os meios devem cobrir o período máximo admissível; para investidores, pelo menos 12 meses. Reformados provam o rendimento da pensão e a garantia de o receberem em Portugal; quem vive de rendimentos (imóveis, aplicações financeiras, propriedade intelectual) apresenta prova da existência, montante e disponibilidade desses valores no país. A AIMA aplica os mesmos critérios quando avalia autorizações de residência já em território nacional.
Os estudantes precisam de mostrar menos dinheiro?
Sim, e a diferença é significativa. Estudantes têm de garantir 12 meses de meios de subsistência (ou os meses do intercâmbio), mas o valor pode cair para metade se provarem que têm alojamento assegurado — e até 90% se tiverem também a alimentação garantida, por exemplo numa residência universitária com refeições. A mesma lógica vale para estágios profissionais e voluntariado. É um alívio real nas contas, sobretudo depois de as regras do visto de estudante terem apertado para pedidos a partir de setembro.
E se o objetivo for a nacionalidade, isto chega?
Não confunda etapas: os meios de subsistência abrem a porta ao visto e à residência, mas a cidadania é outra maratona, com prazos próprios que mudaram com a nova lei da nacionalidade. Primeiro o visto, depois a residência renovada sem sustos — e só então a contagem para o passaporte.
Perguntas rápidas
Preciso de ter o dinheiro num banco português? Não é obrigatório para o visto, mas ajuda: a prática consular valoriza fundos disponíveis em Portugal, e para residência sem atividade profissional recomenda-se ter cerca de 12 meses de subsistência depositados, de preferência num banco nacional.
O salário mínimo vai subir? Historicamente sim, todos os anos — o que significa que os valores de referência dos vistos sobem com ele. Confirme sempre o valor em vigor antes de submeter o pedido.
Posso somar o rendimento do casal? Sim, os meios avaliam-se por agregado familiar; o que importa é que o total cubra as percentagens de todos os membros.
Por Juliana Castilho
Imagem: Santeri Viinamäki / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)