Três sistemas vulcânicos açorianos continuam em alerta V1 depois de as Furnas descerem para V0
O alerta das Furnas durava oito dias e caducou. Voltámos à página do CIVISA e contámos outra vez: ficam Santa Bárbara e o sistema fissural oeste da Terceira, em V1 desde julho, e as Manadas, em São Jorge, em V1 desde março de 2024.
O vulcão das Furnas voltou a V0. A classificação que o CIVISA lhe atribuiu a 8 de setembro era válida por oito dias e não foi renovada, o que devolve o sistema de São Miguel ao estado de repouso em que passa a esmagadora maioria do tempo.
O que nos interessa aqui não é o anúncio, que a imprensa regional já deu. É a conta. Quando as Furnas subiram, fomos contar as entradas da página de alertas do CIVISA e encontrámos quatro sistemas vulcânicos açorianos classificados em V1 ao mesmo tempo. Uma contagem só é nossa se a repetirmos, por isso voltámos lá esta manhã.
São três
A página de situações de alerta do CIVISA lista agora, sem as Furnas, o vulcão de Santa Bárbara e o Sistema Vulcânico Fissural Oeste da Terceira, ambos em V1 desde julho de 2026, e o Sistema Fissural Vulcânico das Manadas, na ilha de São Jorge, em V1 desde março de 2024.
Este último número é o que merece atenção. Março de 2024 foi há trinta meses. Um sistema vulcânico açoriano está classificado em equilíbrio metaestável há dois anos e meio seguidos, e nesse período ninguém em São Jorge deixou de ir trabalhar, de plantar, de abrir um café ou de receber quem chega de barco. É essa a escala que falta sempre que um alerta destes aparece numa manchete.
O que V1 quer dizer, em duas linhas
A escala vulcânica do CIVISA tem oito degraus. V0 é o sistema em repouso; V1, o degrau seguinte, descreve um sistema em equilíbrio metaestável com atividade fraca. No topo, V7 é uma erupção já em curso. Entre o estado das Manadas e uma erupção há, portanto, seis níveis.
Num arquipélago inteiramente construído por vulcanismo ativo, três sistemas em V1 não é uma anomalia: é aproximadamente a normalidade. O que muda com uma subida de nível é a densidade da vigilância — mais leituras, mais equipas no terreno, mais comunicados — e não a vida de quem lá está. A descida das Furnas devolve os Açores ao número em que andavam antes de setembro, e o próximo movimento desta contagem será, mais provavelmente, outra subida temporária do que uma saída definitiva da lista.
Por Marta Carneiro
Imagem: Vitor Oliveira / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)