Quatro sistemas vulcânicos açorianos estão em alerta ao mesmo tempo. As Furnas juntaram-se na terça-feira
O CIVISA subiu o vulcão das Furnas para V1 depois de uma manhã de sismicidade e de um abalo de magnitude 2,9 sentido na freguesia. Na escala de oito níveis do centro, V1 é o segundo — e Santa Bárbara, o fissural oeste da Terceira e as Manadas já lá estavam.
O CIVISA subiu na terça-feira o nível de alerta do vulcão das Furnas, em São Miguel, para V1. A decisão veio no fim de um dia em que a sismicidade no concelho da Povoação andou acima do normal e em que houve um abalo que as pessoas chegaram mesmo a sentir.
O aumento de atividade começou às 11h47. Os eventos registados foram todos de baixa magnitude, com uma exceção: às 16h41, um sismo de magnitude 2,9 na escala de Richter, com epicentro a cerca de quatro quilómetros a oeste-sudoeste das Furnas. Foi sentido com intensidade máxima V na escala de Mercalli Modificada na freguesia — o patamar a partir do qual um sismo deixa de passar despercebido dentro de casa.
O que quer dizer V1
A escala de alerta vulcânico do CIVISA tem oito degraus. V0 é o sistema em repouso, a normalidade de um vulcão que não está a fazer nada de especial. V1, o degrau logo acima, descreve um sistema em equilíbrio metaestável, com atividade fraca. No topo, V7 é uma erupção magmática ou hidromagmática já em curso e de explosividade colossal.
Dito de outra forma: entre o que aconteceu esta semana nas Furnas e uma erupção há seis níveis de distância. O alerta é válido por oito dias, salvo informação nova que obrigue a rever a classificação.
E os outros três
Esta é a parte que quase ninguém contou. Fomos à página de alertas do próprio CIVISA e contámos as entradas: com as Furnas, são quatro os sistemas vulcânicos dos Açores em V1 ao mesmo tempo.
O vulcão de Santa Bárbara, na Terceira, está em V1 desde julho deste ano. O Sistema Vulcânico Fissural Oeste da Terceira, também. E o Sistema Fissural Vulcânico das Manadas, em São Jorge, está assim desde março de 2024 — dois anos e meio de equilíbrio metaestável, sem que isso tenha impedido ninguém de viver, trabalhar ou plantar na ilha.
É esse o enquadramento que falta quando um alerta destes aparece nas notícias. Num arquipélago inteiramente construído por vulcanismo ativo, V1 não é um aviso de evacuação; é o estado em que boa parte dos Açores passa temporadas longas. O que muda com a subida de nível é a vigilância, não a rotina.
Para quem vive fora, vale a pena lembrar que este é o mesmo arquipélago onde a Santa Maria se prepara para receber lançamentos orbitais: a geologia que obriga a monitorização permanente é também a que colocou estas nove ilhas no meio do Atlântico.
Por Marta Carneiro
Imagem: Jules Verne Times Two / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)