Portugal vai comprar 72 blindados Boxer por mais de mil milhões (e fabricá-los cá)
Nuno Melo e Boris Pistorius assinaram em Berlim, a 4 de novembro, uma declaração de intenções que junta a compra dos Boxer para o Exército, conversas para formar pilotos de F-35 em Portugal, drones e uma base de lançamento de satélites em Santa Maria, nos Açores.
O Exército português vai receber 72 viaturas blindadas Boxer, num investimento de mais de mil milhões de euros, e a ideia é que sejam produzidas e mantidas em Portugal. A compra foi o ponto mais concreto da declaração de intenções que Nuno Melo assinou em Berlim com o ministro alemão Boris Pistorius, segundo a Lusa, esta quarta-feira.
Pelas nossas contas, mil milhões a dividir por 72 dá cerca de 13,9 milhões de euros por veículo, no mínimo. E o negócio, segundo a Lusa, inclui a parte industrial: fabrico e manutenção cá dentro.
O que é um Boxer
É um blindado de oito rodas, feito pelo consórcio ARTEC, que junta a franco-alemã KNDS e a alemã Rheinmetall. Anda em estrada como um camião e leva uma secção de infantaria protegida lá dentro. A imprensa especializada falava desde fevereiro em 80 a 90 unidades para Portugal, pagas com os empréstimos baratos do programa europeu SAFE e destinadas a substituir os velhos M113 da brigada de intervenção. O número que saiu de Berlim é 72.
Mais do que blindados
A declaração vai bem além das viaturas. Melo falou de contactos para formar pilotos de F-35 em Portugal, numa parceria com a Lufthansa Technik, sem dizer onde nem quando. Falou também de uma infraestrutura de lançamento de satélites na ilha de Santa Maria, nos Açores, apresentada como alternativa europeia, com empresas alemãs em conversa com a Força Aérea. Pistorius prometeu “milhões” para comunicações por satélite.
Há ainda drones (uma empresa portuguesa a investir em Munique, drones portugueses já usados na Ucrânia), troca de informações e cooperação em exercícios. O ministro lembrou que Portugal chegou aos 2% do PIB em defesa em 2025 e que tem 50 milhões de euros comprometidos com a Ucrânia através do programa PEARL.
É o segundo acordo de defesa com peso estratégico a passar pelas nossas páginas nesta semana, depois de a Gronelândia aprovar o acordo com os Estados Unidos. O que falta saber, no caso português, é o calendário: nem datas de entrega nem o contrato final foram divulgados.
Imagem: Lupus in Saxonia / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)