Vai voar este inverno? A Ryanair já avisou que vai ter menos aviões no ar
A companhia tem 80% do combustível deste ano comprado a 67 dólares o barril, mas paga preço de mercado pelo resto — e cortou a meta anual em dois milhões de passageiros. Em Portugal, os Açores perdem todas as ligações a partir de março.
Se está a pensar em bilhetes para novembro ou janeiro, convém marcar mais cedo do que o costume. A Ryanair avisou esta semana que conta reduzir voos durante o inverno, e a razão que dá é mais precisa do que parece: tem cerca de 80% do combustível deste ano comprado a 67 dólares o barril, mas paga preço de mercado pelos restantes 20%, com o jet fuel a negociar perto dos 140 dólares. O inverno já é, nas palavras da própria companhia, uma época pouco rentável. Menos lugares à venda costuma significar bilhetes mais caros para quem sobra.
A companhia não publicou uma lista de rotas cortadas nem um número de voos. Disse que considera sensato reduzir a exposição ao combustível não coberto entre novembro e março, e cortou a meta anual de passageiros de 216 para 214 milhões, uma travagem que espera valer-lhe menos 70 a 100 milhões de euros de prejuízo neste inverno.
O que já estava decidido para Portugal
Uma parte do desenho de inverno português já estava fechada antes deste aviso, e é mais dura do que a média europeia. No comunicado sobre o calendário de verão de 2026, a Ryanair confirmou que encerra todos os voos de e para os Açores a partir de março, e que Lisboa não terá qualquer crescimento, atribuindo ambas as decisões às taxas da ANA e à capacidade limitada da Portela.
No mesmo documento a companhia anuncia 160 rotas de verão, quatro novas a partir de Faro e do Porto, e um duodécimo avião baseado em Faro. É o retrato de uma operação que cresce nos aeroportos regionais e trava nos outros.
O que isto muda para quem viaja
Para um passageiro de Lisboa ou do Porto, o efeito prático de um inverno mais curto de capacidade é sentido na tarifa, não no horário: as ligações principais mantêm-se, mas com menos frequências onde há menos procura. Para quem vive nos Açores ou lá tem família, o calendário é outro, e março é a data a marcar.
Vale a pena lembrar que este aviso chega num momento em que o turismo já dá sinais mistos, com os proveitos de julho a cair na Grande Lisboa e a subir em quase todo o resto do país. Um inverno com menos lugares low cost não ajuda a inverter isso.
Por Marta Carneiro
Imagem: curimedia / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)