Organização fala em 25 mil na marcha pela habitação em Lisboa (a PSP acha o número manifestamente alto)
A Acampada de Lisboa desceu do Marquês de Pombal ao Rossio este sábado, no oitavo dia de protesto. No Porto, milhares marcharam da Batalha à Praça D. João I. Em cima da mesa está a lei das rendas, aprovada na generalidade a 30 de setembro.
Milhares de pessoas desceram a Avenida da Liberdade este sábado à tarde, do Marquês de Pombal até ao Rossio, a pedir casas que se possam pagar. A organização, a Acampada de Lisboa, falou em cerca de 25 mil manifestantes. A PSP não deu número próprio, mas considerou esse valor manifestamente elevado.
Fosse qual fosse a conta exata, a avenida encheu. A marcha saiu às 15h00 e os promotores pediram aos partidos que seguissem na cauda do cortejo. Entre os políticos presentes estavam Isabel Mendes Lopes, Helena Roseta, José Manuel Pureza e Fabian Figueiredo.
O Porto também saiu à rua
Uma hora depois, no Porto, milhares marcharam da Praça da Batalha até à Praça D. João I, a mesma praça onde o movimento da cidade começou a acampar no início do mês. Em Aveiro, Braga e Coimbra houve assembleias populares à mesma hora.
O ministro da Administração Interna, Luís Neves, recusou de manhã a ideia de um braço de ferro com os manifestantes. Disse esperar protestos ordeiros e pacíficos e garantiu que os promotores estão a articular-se com a polícia.
Oito dias de acampada
Tudo começou no sábado anterior, 17 de outubro, quando um grupo montou as primeiras tendas no Rossio no fim de uma marcha da CGTP, com o exemplo da Puerta del Sol de Madrid na cabeça. Nessa noite a PSP contou pelo menos 2.500 pessoas e havia mais de cem tendas. Na madrugada de terça-feira a polícia desmontou os acampamentos de Lisboa e do Porto, houve detenções, e o protesto voltou à praça nessa mesma noite, maior do que antes.
As exigências são seis: reverter a lei das rendas, acabar com despejos e demolições sem alternativa de casa, impedir que fundos imobiliários comprem habitação, mais habitação pública, reabilitar prédios devolutos e tetos às rendas que sejam mesmo acessíveis.
A lei que está em cima da mesa
O alvo mais concreto é a proposta de lei do Governo que revê o regime do arrendamento, aprovada na generalidade a 30 de setembro e agora em discussão na especialidade. O Governo quer a votação final em novembro, e essa votação depende do Chega.
O pano de fundo não é novo. Entre os 25 e os 34 anos, só 42% da geração nascida entre 1987 e 1996 tem casa própria, contra 70% da de 1967-76. E nem o corte no alojamento local travou a subida, como se viu quando Lisboa cancelou 40% dos registos e as rendas subiram na mesma.
Para esta noite, a Acampada anunciou o regresso das tendas ao Rossio, com assembleia às 19h00 na Praça D. Pedro IV e música a partir das 21h00. As assembleias diárias continuam, em Lisboa, no Porto e noutras cidades.
Por Marta Carneiro
Imagem: Ana Mendes / Esquerda.net, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0) · acampada de 2022