Seis voos europeus receberam ameaças de bomba esta terça-feira. Um tinha partido de Lisboa
Um avião da Ryanair que saiu de Lisboa foi revistado em Roma depois de um e-mail anónimo. Houve aterragens de emergência em Murcia e Varsóvia e um aeroporto fechou duas horas. Nenhum explosivo foi encontrado.
Pelo menos seis aviões comerciais foram alvo de ameaças de bomba na manhã desta terça-feira, 3 de novembro, em vários pontos da Europa. Um deles era um voo da Ryanair que tinha descolado de Lisboa com destino a Roma. Todos aterraram em segurança e, em nenhum, as equipas de inativação encontraram explosivos.
O voo de Lisboa
O avião vindo de Lisboa aterrou no aeroporto de Fiumicino por volta das 9h40, hora de Roma (8h40 em Lisboa). Pouco depois chegou outro aparelho da mesma companhia, vindo de Dublin. Segundo fontes da investigação citadas pela imprensa italiana, a gestora Aeroporti di Roma, que opera Fiumicino, tinha recebido um e-mail anónimo a garantir que havia bombas a bordo dos dois.
Seguiu-se o protocolo habitual. Os aviões foram afastados, os passageiros e as bagagens passaram por nova revista e os técnicos de explosivos vasculharam as cabines. Pouco depois do meio-dia o alerta foi levantado. Não encontrámos qualquer comunicado público da Ryanair ou de entidades portuguesas sobre o voo que saiu de Lisboa.
Murcia, Varsóvia e Sófia
O caso com mais impacto foi em Espanha. Um avião da Ryanair que fazia Manchester–Murcia aterrou de emergência no aeroporto da Região de Murcia com 114 passageiros e sete tripulantes, que foram evacuados para a pista. O aeroporto fechou durante mais de duas horas e só reabriu às 13h00; um voo vindo de Gran Canaria teve de seguir para Alicante.
Na Polónia, um avião da LOT que vinha de Londres Heathrow com 181 pessoas a bordo foi desviado para Modlin, a cerca de 36 quilómetros de Varsóvia, e o aeroporto suspendeu operações até perto do meio-dia. Um voo da SAS vindo de Copenhaga também foi visado, mas aterrou como previsto no aeroporto Chopin. Em Sófia, um avião que vinha de Israel foi revistado por unidades antiterroristas depois de mais um e-mail, segundo o secretário-geral do Ministério do Interior búlgaro, Lyubomir Nikolov.
Na véspera já tinha havido um aviso semelhante: um avião da Wizz Air que fazia Londres–Sófia foi desviado para Budapeste, escoltado por um caça húngaro.
Quem está por trás
Ainda ninguém sabe. As autoridades não identificaram o remetente dos e-mails nem confirmaram que os casos estão ligados, embora a coincidência de horários e de método aponte nesse sentido. A vaga chega na mesma semana em que um ciberataque desligou frigoríficos de supermercados em vários países europeus, incluindo sete lojas em Portugal, mas não há qualquer indicação oficial de relação entre os dois episódios.
Para quem voa nos próximos dias, a consequência prática é pouca: não houve cancelamentos em massa e os aeroportos afetados retomaram a operação normal ao longo da manhã.
Por Marta Carneiro
Ilustração: Tugadaily