PSP desmonta as acampadas de Lisboa e do Porto pela terceira vez. Há 13 detidos e o Presidente pediu explicações
A intervenção começou pelas 4h30 deste domingo, 1 de novembro, nas duas cidades. A PSP fala em seis detidos em Lisboa, sete no Porto e 13 agentes feridos no Porto. As acampadas dizem ter mais de 60 feridos. Seguro pediu informação detalhada ao Governo e à Provedora de Justiça.
A PSP voltou a desmontar as acampadas pela habitação em Lisboa e no Porto, na madrugada deste domingo, 1 de novembro. Houve 13 detidos: seis em Lisboa e sete no Porto, segundo a própria polícia.
A ordem para levantar as tendas foi dada por volta da meia-noite e meia, com o aviso de que quem ficasse responderia por desobediência. A intervenção arrancou pelas 4h30, quase em simultâneo nas duas cidades. Em Lisboa, a Praça D. Pedro V ficou vazia em minutos e os manifestantes foram empurrados para os acessos ao Rossio. No Porto, foi a Praça D. João I. Ao todo saíram 69 estruturas em Lisboa e 30 no Porto, com a ajuda da Polícia Municipal.
Os números dos dois lados
A PSP diz que teve 13 agentes feridos, todos no Porto, oito deles assistidos no hospital. Diz também que só usou a força depois de lhe atirarem tinta, petardos e garrafas, e que num dos casos a tinta poderia conter um produto inflamável. Admitiu ainda que um agente à paisana, no Porto, sacou da arma de serviço quando um grupo se aproximou, sem disparar. A polícia confirmou civis feridos, mas não deu um número.
As acampadas contam outra história. Em Lisboa falam em mais de 30 feridos, dez deles levados ao hospital. No Porto, em 35 feridos ligeiros e três graves. Dizem que o protesto era pacífico.
É a terceira vez em duas semanas. As primeiras tendas apareceram no Rossio a 17 de outubro, no fim de uma marcha. A polícia desmontou-as na madrugada de 20 de outubro e voltou a fazê-lo na de 25, poucas horas depois de a acampada encher a Avenida da Liberdade. Nessa segunda noite, a PSP contou 31 detidos. Das duas vezes, as tendas voltaram.
Seguro pede tudo “com todo o detalhe”
O Presidente da República, António José Seguro, pediu ao Governo e à Provedoria de Justiça informação detalhada sobre o que aconteceu e sobre a situação dos detidos e dos feridos. Falou de manhã com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e com a Provedora, Luísa Neto.
O ministro da Administração Interna, Luís Neves, disse estar “muito tranquilo” com a atuação da PSP e que o seu lugar está “permanentemente à disponibilidade” do primeiro-ministro. O Governo defende que a operação era necessária para repor a ordem pública.
O que vem a seguir
O PS quer o ministro no Parlamento com urgência para explicar como a operação foi planeada. O Livre pede a demissão de Luís Neves e diz que vai queixar-se à ONU e ao Conselho da Europa. O advogado Ricardo Sá Fernandes, que representa a acampada de Lisboa, anunciou uma queixa-crime contra o ministro e contra o diretor nacional da PSP.
Quem anda nestas manifestações lembra que o direito de reunião em espaço público não precisa de autorização, apenas de aviso prévio, como está escrito na lei do direito de reunião, de 1974. A PSP responde que esse direito tem limites, e que esta noite foram ultrapassados. Para esta tarde, o movimento de Lisboa convocou nova concentração no Rossio.
Por Marta Carneiro
Ilustração: Tugadaily