Cinco semanas depois dos tiros na Rua Augusta, três suspeitos entregaram-se à Polícia Judiciária
A investigação ao disparo que atingiu uma turista sueca de 42 anos a 10 de agosto mudou de mãos e de enquadramento. Os três homens procurados pela PJ apresentaram-se na terça-feira e estavam a ser interrogados ao final da noite, por tentativa de homicídio.
Os três homens procurados pela Polícia Judiciária no caso dos disparos da Rua Augusta apresentaram-se às autoridades na terça-feira. Ao final da noite estavam a ser interrogados. O crime que lhes é imputado é tentativa de homicídio.
A investigação tinha-os identificado durante o dia. Uma operação de buscas de manhã não os encontrou, e a PJ obteve dos advogados de defesa o compromisso de que os três se entregariam até ao fim do dia — o que veio a acontecer.
O caso começou a 10 de agosto, na artéria mais percorrida da Baixa de Lisboa. Uma turista sueca de 42 anos foi atingida no abdómen por uma bala perdida, disparada durante um confronto entre elementos de grupos rivais. O tiro não era para ela.
O que mudou entre agosto e setembro
Duas coisas, e nenhuma delas é pequena.
A primeira é quem investiga. Em agosto, a detenção que houve foi da PSP, ao abrigo de um mandado num processo distinto, de violência doméstica. Esse homem foi presente a primeiro interrogatório judicial e, como escrevemos na altura, saiu em liberdade com apresentações quinzenais na esquadra. Poucos dias depois já era visível que as duas polícias não apontavam à mesma pessoa. O inquérito ficou com a Judiciária.
A segunda é a qualificação. Em agosto falava-se de disparos e de uma bala perdida. O enquadramento com que estes três homens se apresentaram é o de tentativa de homicídio — que é a leitura de um confronto dirigido a alguém, com a turista atingida por acaso.
O que fica por saber
Praticamente tudo o que conta a seguir. As detenções não são condenações, e a fase que se abre agora é a da apresentação a juiz de instrução e da fixação de medidas de coação — o mesmo passo em que, há cinco semanas, o processo tomou a direção que ninguém previu.
Também continua por responder a pergunta que ficou pendurada em agosto, quando o Governo anunciou o reforço de 400 agentes da PSP para Lisboa e Porto e uma avaliação conjunta da realidade criminal na Baixa: se o dispositivo reforçado continua no terreno seis semanas depois, e se a tal avaliação produziu alguma coisa. Setembro tem trazido sinais de mais presença policial nos terminais e nas entradas da cidade — a PSP tem feito controlo documental a quem chega de autocarro e de comboio —, mas presença não é a mesma coisa que resultado, e o resultado ainda não foi publicado por ninguém.
Por Marta Carneiro
Imagem: Andrew Milligan sumo / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)