Voo da Ryanair que saiu do Porto para Milão entre os mais de 20 alvo de falsas ameaças de bomba
Na quinta-feira, 5 de novembro, um e-mail anónimo enviado ao aeroporto de Malpensa apontava explosivos no FR8953, vindo do Porto. Aterrou em segurança e nada foi encontrado. Em toda a Europa foram mais de duas dezenas de voos, um avião da Aer Lingus foi escoltado por caças até uma base militar francesa e um grupo ultranacionalista russo assinou parte das mensagens.
Pela segunda vez esta semana, um avião que partiu de Portugal esteve na lista de uma vaga de falsas ameaças de bomba na Europa. Desta vez foi o voo FR8953 da Ryanair, que saiu do aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, com destino a Milão, na quinta-feira, 5 de novembro.
Aterrou em segurança em Malpensa. O avião foi revistado e não apareceu nada.
Um e-mail, dois aviões
Segundo a agência italiana ANSA, citada pela imprensa portuguesa, a ameaça chegou por e-mail anónimo ao aeroporto de Malpensa. A mensagem apontava explosivos em dois aparelhos, o da Ryanair vindo do Porto e um da Aegean vindo de Salónica, na Grécia, e trazia os números dos voos, as companhias e as horas de chegada previstas.
O voo do Porto foi um entre mais de duas dezenas visados ao longo do dia. As contagens variam conforme a hora e a fonte, de 16 logo de manhã a 25 ou 27 ao fim do dia, como contou o JN. Nenhuma revista encontrou explosivos.
Caças, desvios e Praga
O caso mais tenso foi em França. Um A320 da Aer Lingus que fazia Dublin–Roma foi desviado para a base aérea de Évreux, na Normandia, intercetado por um Mirage 2000-5 e um Rafale. O comandante começou por recusar aterrar numa base militar e pediu Beauvais ou Nantes, o que já levou o Ministério Público francês a abrir averiguações.
Houve mais. Um avião da LOT que vinha de Varsóvia teve de aterrar em Bruxelas, um Wizz Air de Milão para Varsóvia acabou em Viena e quatro aparelhos com destino a Praga foram inspecionados à chegada, com a polícia checa a classificar as ameaças como pouco credíveis.
Quem assina
Parte das mensagens enviadas ao aeroporto de Roma vinha assinada em nome de um grupo ultranacionalista russo, o “Estado Masculino”, movimento antifeminista que a própria Rússia baniu em 2021. Nenhum governo atribuiu oficialmente a autoria e Bruxelas disse ser cedo para concluir que os casos estão ligados.
Na terça-feira já tinha acontecido o mesmo com um voo da Ryanair que saiu de Lisboa para Roma. Para quem voa nos próximos dias, a regra mantém-se: os aviões visados aterram, são revistados e seguem, com atrasos de algumas horas no pior dos casos.
Por Marta Carneiro
Imagem: Bene Riobó / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)