Onda de calor de junho matou 10.650 pessoas a mais na Europa, revela novo estudo
Novos dados apontam para 10.650 mortes em excesso na Europa durante a onda de calor do fim de junho de 2026. A esmagadora maioria tinha 65 anos ou mais.
A onda de calor que assou o oeste da Europa no fim de junho provocou cerca de 10.650 mortes a mais do que seria normal para a época, segundo dados agora divulgados. É a resposta, em números, à pergunta que muita gente fez durante aqueles dias de fornalha: quantas pessoas é que este calor extremo estava, de facto, a matar.
Quantas pessoas morreram?
Os investigadores apontam para 10.650 mortes em excesso na semana de 22 a 28 de junho, sem outros fatores conhecidos — como surtos de covid-19 — que expliquem o pico. Mais de 9.000 dessas mortes ocorreram em pessoas com 65 anos ou mais, o grupo mais vulnerável ao stress térmico, segundo os registos da rede europeia EuroMOMO. Os cientistas sublinham ainda que uma onda de calor daquela intensidade seria “praticamente impossível” sem as alterações climáticas provocadas pelo ser humano.
E em Portugal, o que aconteceu?
Portugal esteve no coração dessa fornalha. Em finais de junho, os avisos amarelos alargaram-se a todos os distritos e a Península Ibérica chegou perto dos 44°C, com 42,7°C registados no Pinhão a 21 de junho. Já tínhamos contado como a Organização Mundial da Saúde pediu à Europa planos de emergência para o calor e como o heat dome se instalou sobre a Ibéria no solstício.
O novo balanço confirma o que os especialistas repetem há anos: o calor extremo mata sobretudo os mais velhos e os mais frágeis, e fá-lo em silêncio, longe das manchetes das cheias ou dos incêndios. Os dados semanais de mortalidade estão disponíveis no painel público da EuroMOMO, que monitoriza o excesso de mortes em dezenas de países europeus.
Por Marta Carneiro
Imagem ilustrativa · Foto: Fatih Turan / Pexels