Incêndio na Andaluzia: pelo menos 12 mortos e 19 desaparecidos no pior fogo da história da região
O incêndio na Andaluzia, na província de Almería, já matou pelo menos 12 pessoas e deixou 19 por localizar. Fogo consumiu mais de 3.000 hectares em zonas de moradias isoladas.
Pelo menos 12 pessoas morreram e cerca de duas dezenas continuam por localizar no incêndio que desde quinta-feira varre a província de Almería, no sudeste de Espanha. As autoridades andaluzas já lhe chamam o mais mortífero da história da região — e a poucas centenas de quilómetros da fronteira portuguesa, a tragédia soa a aviso num verão em que a Península inteira está a arder em calor.
Onde deflagrou o incêndio na Andaluzia?
O fogo começou na quinta-feira na zona de Los Gallardos, uma área de relevo acidentado, com ravinas e casas isoladas no meio de vegetação seca, e propagou-se com uma velocidade que apanhou moradores em fuga. Em pouco mais de um dia consumiu mais de 3.000 hectares — o equivalente a uns quatro mil campos de futebol — e obrigou a mobilizar cerca de 500 bombeiros, que continuam no terreno a combater as chamas e a procurar desaparecidos. A informação oficial de emergência está a ser centralizada pela Junta de Andalucía.
O que se sabe sobre as vítimas?
Além dos 12 mortos confirmados, há pelo menos oito feridos e 19 pessoas por localizar, número que chegou a ser apontado como superior ao longo do dia. Grande parte das vítimas parece ser estrangeira: quatro corpos foram encontrados num carro com volante à direita, o que levou as autoridades a admitir que se tratava de residentes britânicos — a zona é conhecida pelas urbanizações dispersas de reformados do norte da Europa. Houve quem morresse dentro do carro e quem fosse apanhado a tentar fugir por caminhos não recomendados.
O cenário é dolorosamente familiar deste lado da fronteira. Portugal vive os seus próprios dias de risco máximo, com o estado de alerta prolongado para a próxima semana e o país inteiro de olhos postos no termómetro. O que Almería mostra é a rapidez com que um fogo em zona de habitação dispersa se transforma em tragédia — e porque é que os avisos para abandonar cedo, e pelas estradas certas, não são burocracia.
Por Marta Carneiro
Imagem: Miguillen This picture was made for the Taller de Heráldi… / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)