Revisão de notas nos exames: só 2% pedem, mas a classificação sobe em 76% dos casos
Só 2% dos exames nacionais são reapreciados, mas quando há revisão a nota sobe em 76% dos casos. O que isto diz do sistema e como pedir a reapreciação.
Os números falam por si: só cerca de 2% dos exames nacionais são alvo de reapreciação — mas, quando um aluno pede mesmo a revisão, a nota sobe em 76% dos casos. É uma das estatísticas mais eloquentes desta época de exames, revelada este fim de semana, e chega numa altura em que a confiança no processo já estava a ser posta à prova pelo caos informático que marcou a primeira fase.
Vale a pena pedir a reapreciação da prova?
Estatisticamente, sim — e por larga margem. Se três em cada quatro revisões acabam com a classificação a subir, o receio clássico de que “mexer na nota” pode correr mal tem pouco fundamento nos dados. Para quem ficou a décimas de entrar no curso pretendido, esse ponto extra pode valer uma vaga: as médias de acesso ao ensino superior jogam-se ao centésimo, como lembrámos no guia do Concurso Nacional de Acesso.
Como funciona a revisão da nota?
O processo tem dois passos: primeiro pede-se a consulta da prova na escola, para perceber onde se perderam pontos; depois, se houver argumentos, avança-se para a reapreciação dentro dos prazos fixados para cada fase pelo Júri Nacional de Exames e pela Direção-Geral do Ensino Superior. Convém pesar o caso com um professor da disciplina — a nota também pode descer, embora os dados mostrem que é raro.
Porque é que tão poucos pedem?
Entre o desconhecimento do mecanismo, os prazos apertados de julho e a burocracia, a maioria das famílias nem tenta. Este ano soma-se o desgaste: entre falhas nas pautas eletrónicas e um processo marcado por polémica, a tutela já tinha estado debaixo de fogo no Parlamento. Números como estes dificilmente vão acalmar o debate.
Por Marta Carneiro
Imagem: Manuelvbotelho / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)