População de Portugal revista para 11,4 milhões — e a idade da reforma pode mexer
O INE reviu em alta a população residente para 11,4 milhões, com a faixa dos 15 aos 64 anos a subir 8,1%. A revisão pode alterar a idade da reforma e o fator de sustentabilidade.
Portugal tem mais gente do que se pensava — 11,4 milhões de residentes, segundo a revisão em alta que o INE fez com base em dados administrativos, sobretudo ligados às migrações. E a novidade não é só estatística de gabinete: pode acabar por mexer na idade com que os portugueses se reformam.
Porque é que a população mexe na idade da reforma?
Porque a idade legal de acesso à pensão e o fator de sustentabilidade (o corte aplicado às reformas antecipadas) são calculados a partir da esperança média de vida aos 65 anos — e essa esperança de vida sai das tábuas de mortalidade, que dependem de quantas pessoas o INE estima existirem em cada idade. Se a população em determinadas idades foi revista em alta, as probabilidades de sobrevivência mudam e, com elas, as fórmulas legais da Segurança Social. A revisão foi particularmente forte na população em idade ativa: em 2024, o número de residentes entre os 15 e os 64 anos subiu 8,1% face às estimativas anteriores.
Quando se saberá se a idade da reforma muda?
Se o calendário habitual se mantiver, o INE publica em novembro as novas tábuas de mortalidade e o valor provisório da esperança de vida aos 65 anos com base no triénio terminado em 2026. É a partir daí que se calcula a idade legal da reforma em 2028 e o fator de sustentabilidade do próximo ano. Para já, o que está fixado não muda: 66 anos e 9 meses em 2026, a subir para 66 anos e 11 meses em 2027. Os dados oficiais podem ser consultados no portal do INE.
Para quem faz contas à vida, julho já trouxe uma boa notícia — as pensões chegam a dobrar este mês, com o subsídio de férias pago a dia 8. A ironia é que um país com mais gente, mais jovem e mais ativa do que se julgava pode significar, lá mais para a frente, trabalhar mais uns meses. As estatísticas dão, as estatísticas tiram.
Por Marta Carneiro
Imagem: João Carvalho / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)