Há supercomputação de graça para quem estiver a construir IA no Porto (e as candidaturas fecham a 15 de setembro)
O Incubation Space Program da BSC AI Factory dá a startups e PME acesso gratuito a supercomputação, apoio técnico e mentoria entre 5 de outubro e 30 de março, na UPTEC Asprela II. Candidaturas até 15 de setembro.
Candidatar / Saber maisTreinar um modelo de inteligência artificial custa dinheiro que a maioria das empresas pequenas não tem. É esse o buraco que este programa tenta tapar, e faz isso da forma mais simples possível: dá acesso à máquina.
A segunda call do Incubation Space Program da BSC AI Factory está aberta e aceita candidaturas até 15 de setembro. Em Portugal, a iniciativa é promovida pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia em conjunto com o Centro Nacional de Computação Avançada, ao abrigo da rede europeia de AI Factories da EuroHPC.
O que está em cima da mesa
O programa decorre entre 5 de outubro de 2026 e 30 de março de 2027, nas instalações da UPTEC Asprela II, no Porto. É gratuito.
As empresas selecionadas ficam com acesso a recursos de supercomputação, apoio técnico especializado, mentoria, formação e um conjunto de serviços de apoio ao desenvolvimento. Um deles chama-se Data Discovery e serve para ajudar as equipas a encontrar as fontes de dados relevantes para o que estão a construir. Há também acesso a bibliotecas de software já otimizadas para a infraestrutura disponível, o que poupa semanas de trabalho de configuração a quem nunca tocou em computação de alto desempenho.
Quem se pode candidatar
Os critérios são específicos, por isso vale a pena lê-los com atenção antes de investir tempo na candidatura. A empresa tem de estar legalmente constituída na União Europeia, ter número de identificação fiscal português, ter até dez anos de atividade, menos de vinte trabalhadores e uma equipa de desenvolvimento própria.
Qualquer startup ou PME com um projeto de inteligência artificial pode concorrer, mas o programa dá prioridade a algumas áreas: saúde, biotecnologia e farmacêutica, agricultura, clima e economia azul, energia, jurídico e financeiro, comunicações e media, e setor público.
Vale a pena?
Depende do que se está a fazer. Se o projeto vive de correr modelos grandes, o acesso a supercomputação sem fatura é um argumento difícil de bater, e o formato híbrido no Porto ao longo de seis meses dá tempo para sair do programa com alguma coisa a funcionar em vez de um slide.
Se o projeto é sobretudo produto e a computação não é o estrangulamento, há outros apoios mais adequados, alguns deles com dinheiro à mistura. Escrevemos, por exemplo, sobre os 45 milhões dos Centros de Inovação Colaborativa do COMPETE 2030, com prazo até 15 de outubro.
Vale a pena notar o contexto mais amplo. A corrida à computação em língua e contexto próprios está a acelerar em todo o lado, incluindo do outro lado do Atlântico, onde o Brasil pôs um supercomputador a ensinar português a modelos de IA. A Europa está a construir a mesma capacidade e este programa é a porta de entrada mais barata que existe para lá chegar.
Por Miguel Sarmento
Imagem: FCT / BSC AI Factory