Marine Le Pen vai a jogo em 2027 — mesmo condenada a usar pulseira eletrónica
O tribunal de recurso confirmou a condenação de Marine Le Pen por desvio de fundos da UE, mas ela anunciou que se candidata à presidência francesa em 2027 e que vai recorrer para escapar à pulseira.
Marine Le Pen vai candidatar-se à presidência de França em 2027. O anúncio chegou horas depois de um tribunal de recurso ter confirmado a sua condenação por desvio de fundos do Parlamento Europeu — e de lhe ter imposto um ano de pulseira eletrónica. A líder da extrema-direita francesa, que na semana passada dizia que não concorreria de tornozeleira, encontrou entretanto uma saída jurídica.
Le Pen pode candidatar-se mesmo condenada?
Pode. O tribunal confirmou a condenação mas deixou cair o obstáculo que a afastaria da corrida, e Le Pen anunciou de imediato que recorre para o Tribunal de Cassação, o supremo francês. Esse recurso, explicou numa entrevista televisiva na terça-feira à noite, suspende a execução da pena da pulseira: “Vou portanto fazer campanha sem pulseira eletrónica.” O supremo já indicou que conseguirá decidir antes das presidenciais, cuja primeira volta está marcada para abril de 2027.
Os adversários não pouparam nas críticas à decisão de avançar com uma condenação confirmada às costas, e dentro do seu próprio campo a dúvida dos últimos meses — Le Pen ou o delfim Jordan Bardella? — fica agora respondida pela própria. A justiça francesa, essa, continua com a palavra final sobre o calendário.
O que significa isto para a Europa?
Significa que a eleição mais observada de 2027 arranca com a candidata da extrema-direita em posição forte nas sondagens e com um processo judicial pendurado sobre a campanha — um cocktail que promete dominar a política europeia no próximo ano, numa altura em que a NATO discute quem paga a conta da defesa do continente. As decisões do Tribunal de Cassação são publicadas no site oficial da Cour de cassation.
Imagem: Vox España / Wikimedia Commons (CC0)