Segurança marítima: Portugal assume mais responsabilidade no Atlântico — e olha para o Ártico
Portugal juntou-se a onze aliados da NATO num compromisso por maior responsabilidade na segurança marítima do Atlântico Norte, Báltico e Ártico. Santos Silva defende participação numa missão no Ártico.
Portugal assinou esta semana, com onze aliados da NATO, um compromisso conjunto para assumir “maior responsabilidade” pela segurança marítima no Atlântico Norte, no mar Báltico e no oceano Ártico. Ao lado de países como Canadá, Dinamarca, França, Alemanha, Noruega, Espanha e Reino Unido, Lisboa reafirma o que a geografia sempre lhe deu: um país pequeno em terra, enorme no mar.
Porque é que o Ártico interessa a Portugal?
Porque é lá que se está a redesenhar o mapa estratégico do Atlântico. Com o degelo a abrir novas rotas de navegação e a atrair a atenção de grandes potências, a fronteira norte da aliança tornou-se uma das zonas mais sensíveis do planeta. Augusto Santos Silva, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros e da Defesa, defendeu esta quarta-feira que é “do interesse nacional” participar numa missão internacional no Ártico, sublinhando a vocação atlântica portuguesa.
O argumento é simples: Portugal tem uma das maiores zonas económicas exclusivas da Europa e vive da liberdade de navegação — dos cabos submarinos que transportam a nossa internet ao gás natural liquefeito que chega por navio a Sines. Quando a segurança marítima do Atlântico se decide, convém estar na sala.
O que muda na prática?
Para já, é um compromisso político: mais vigilância, mais exercícios conjuntos e mais coordenação entre as marinhas dos doze signatários. O passo seguinte — a eventual participação portuguesa numa missão no Ártico — dependerá de decisões do Governo, numa semana em que a cimeira da NATO em Ancara já tinha posto o financiamento da defesa europeia no topo da agenda. Os documentos oficiais da aliança estão em nato.int.
Imagem: Web Summit / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)