Privatização da TAP entra na reta final: Lufthansa e Air France-KLM à espreita
O Estado vai vender 44,9% da companhia e as propostas vinculativas são esperadas até ao fim de julho. Como fica a decisão e o que está em jogo para o país.
A novela da TAP está a chegar a um capítulo decisivo. O processo de privatização entrou na fase final, com dois gigantes europeus na corrida para comprar uma fatia da companhia aérea: a Lufthansa e a Air France-KLM.
O que está em cima da mesa na privatização da TAP?
O Estado quer vender 44,9% da TAP, reservando ainda 5% para os trabalhadores e mantendo o controlo da companhia. Não é uma venda a qualquer preço: só puderam concorrer grupos com receitas acima dos 5 mil milhões de euros, precisamente para garantir compradores com músculo financeiro e uma rede global onde encaixar a TAP.
As propostas vinculativas são esperadas até ao fim de julho, e a decisão do Governo deverá cair em agosto ou setembro, com a escolha do investidor a poder ficar fechada por outubro. Até lá, é natural o braço de ferro habitual nestes processos: garantias sobre o hub de Lisboa, sobre os postos de trabalho e sobre as rotas que ligam Portugal ao Brasil e a África, onde a TAP tem um valor estratégico difícil de replicar.
Porque é que a venda da TAP interessa a todos?
A TAP não é só uma empresa: é uma peça da economia e da imagem externa do país. Uma companhia mais forte pode significar mais ligações e mais turismo; uma má negociação pode custar rotas e influência. Por isso a discussão é tão política quanto financeira — o Governo terá de mostrar que vende bem sem entregar o leme.
O contexto ajuda: a economia portuguesa tem crescido acima da média da zona euro, o que dá alguma margem de negociação. Os avanços oficiais do processo são comunicados pelo Governo.
Imagem: MarcelX42 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)