Imigração e economia: presidente da CIP diz que Portugal abriu a porta "sem olhar para as qualificações"
Imigração em debate nas jornadas parlamentares da AD: Armindo Monteiro, da CIP, questiona o impacto no PIB e Paulo Macedo avisa que a próxima década decide se Portugal converge ou estagna.
A imigração voltou ao centro do debate político e económico português, desta vez pela voz dos patrões. Nas jornadas parlamentares da AD, o presidente da CIP, Armindo Monteiro, criticou a forma como o país geriu a entrada de trabalhadores estrangeiros: abriu-se a porta, disse, sem ter em conta as necessidades da economia e sem olhar para as qualificações.
O que disse Armindo Monteiro sobre a imigração?
O líder da confederação empresarial resumiu o argumento numa conta provocadora: se Portugal ganhou mais um milhão de habitantes e o PIB não mudou de forma visível, então esse milhão está, nas suas palavras, “a fazer o mesmo” — a acrescentar braços, mas pouco valor. Para a CIP, o problema não é a imigração em si, que as empresas continuam a pedir, mas o desalinhamento entre quem chega e aquilo de que a economia precisa, sobretudo em qualificações.
O que avisou Paulo Macedo?
No mesmo debate, o presidente da Caixa Geral de Depósitos puxou a lente para trás: a próxima década, avisou, definirá se Portugal converge com a Europa ou estagna. É uma forma elegante de dizer que o modelo atual — crescer com mais gente e salários baixos — tem prazo de validade, e que a aposta terá de passar por produtividade e talento.
O pano de fundo é conhecido: o Governo tem apertado as regras de entrada ao mesmo tempo que setores inteiros dizem precisar de gente, um equilíbrio que já explicámos a propósito das novas regras do visto de procura de trabalho. E há um dado que complica o argumento do “milhão a fazer o mesmo”: os números mais recentes mostram que os salários portugueses estão a subir de forma desigual entre setores — sinal de que a economia até está a mudar, só que devagar e não para todos.
Imagem: Agencia LUSA / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)