EUA aprovam maior lei de habitação em décadas — sem a assinatura de Trump
O ROAD to Housing Act entrou em vigor nos EUA sem assinatura presidencial: 40 medidas, incluindo travão à compra de casas por grandes senhorios corporativos.
A lei de habitação mais ambiciosa das últimas décadas nos Estados Unidos entrou em vigor de forma pouco comum: sem a assinatura do presidente. O 21st Century ROAD to Housing Act tornou-se lei à meia-noite de 11 de julho porque Donald Trump deixou passar o prazo de dez dias sem vetar nem assinar — em protesto, disse, por o Senado não ter aprovado a sua lei de identificação de eleitores.
O que muda com o ROAD to Housing Act?
A lei bipartidária junta mais de 40 medidas, da construção de casas pré-fabricadas ao financiamento local. A mais sonante trava os grandes senhorios corporativos: quem detiver 350 ou mais moradias fica proibido de comprar mais, uma tentativa de devolver casas ao mercado das famílias. O texto integral pode ser consultado no Congresso dos EUA.
Como é que uma lei passa sem assinatura do presidente?
Pela regra constitucional dos dez dias: se o Congresso estiver em sessão e o presidente não agir nesse prazo, o diploma entra em vigor sozinho. Trump chamou à lei “um bocejo” e “irrelevante”, mas não a vetou — os votos bipartidários que a aprovaram tornariam o veto arriscado.
O interesse para este lado do Atlântico não é só curiosidade: os EUA estão a testar em escala a pergunta que a Europa também enfrenta — como travar a financeirização da habitação sem parar a construção. Por cá, o debate da semana foi outro passo na mesma direção, com o fim do controlo de rendas nos novos contratos a redesenhar o arrendamento português.
Imagem: U.S. Government / Wikimedia Commons (domínio público)