Criação de empresas em Portugal recua 4,1% no semestre — mas a construção dispara
Nasceram 27.831 empresas em Portugal no primeiro semestre de 2026, menos 4,1% do que há um ano. A construção cresceu 11% e é, pela primeira vez, o segundo setor que mais empresas cria.
Portugal criou 27.831 novas empresas no primeiro semestre de 2026 — menos 4,1% do que no mesmo período do ano passado. À primeira vista é uma má notícia; vista de perto, é uma fotografia com mais nuance: fecham menos empresas do que antes e há um setor a remar claramente contra a maré.
Que setor está a criar mais empresas em Portugal?
A construção. O setor registou um crescimento de 11% em novas empresas no semestre e alcançou, pela primeira vez, o segundo lugar entre todas as atividades económicas. Não é difícil adivinhar porquê: com a crise da habitação no topo das prioridades políticas e os incentivos fiscais à construção e reabilitação em vigor, há trabalho — e quem o queira fazer monta empresa para isso.
O outro lado do livro-razão também melhorou: encerraram 5.690 empresas até final de junho, uma queda de 18% face a 2025. Menos nascimentos, sim, mas também bastante menos funerais empresariais — o que encaixa num arranque de ano em que a economia portuguesa ganhou tração no primeiro trimestre, com as empresas mais rentáveis e financiamento mais barato.
É preocupante o recuo de 4,1%?
Depende do que se olhar. A quebra na criação de empresas costuma refletir cautela — juros ainda a normalizar, procura externa incerta, eleições e guerra comercial no radar. Mas o saldo líquido (nascimentos menos encerramentos) continua claramente positivo, e a composição importa: mais empresas de construção significa resposta ao maior estrangulamento da economia portuguesa, a falta de casas. Se o país precisava de um sinal de que o mercado leu as prioridades, este serve. Os dados oficiais do tecido empresarial podem ser consultados no portal da Informa D&B.
Por Beatriz Mota
Imagem: Whiteghost.ink / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)