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Edifício dos Paços do Concelho do Fundão, com torre sineira e jardim em frente
Imobiliário 4 de agosto de 2026

As assembleias municipais passam a declarar a utilidade pública das expropriações

O Decreto-Lei n.º 160/2026, publicado esta terça-feira, tira essa decisão à administração central e entrega-a aos municípios. Abrange imóveis e servidões administrativas.

Saiu esta terça-feira em Diário da República uma alteração ao Código das Expropriações que muda quem decide. A declaração de utilidade pública — o ato que permite ao Estado ou a um município tomar um terreno ou um prédio para uma obra de interesse coletivo — passa a ser competência da assembleia municipal do território onde o bem se encontra.

Até aqui, um município que quisesse avançar com uma expropriação para um projeto seu tinha de esperar por uma decisão da administração central. Deixa de ter.

O que fica abrangido

O Decreto-Lei n.º 160/2026 aplica-se à expropriação de bens imóveis e dos direitos que lhes são inerentes, incluindo o arrendamento, e também à constituição de servidões administrativas — aquelas restrições que se impõem a um terreno privado para passar uma conduta, uma linha elétrica ou um caminho, sem que a propriedade mude de mãos.

O diploma foi aprovado ao abrigo da autorização legislativa concedida pela Lei n.º 25/2026, de 1 de junho, que o Parlamento tinha aprovado precisamente para reforçar o papel das assembleias municipais nesta matéria.

Porque é que o Governo diz que isto é melhor

A justificação assenta em três ideias: agilizar procedimentos que hoje passam por Lisboa e demoram, aproximar a decisão das populações afetadas, e reforçar a autonomia e a responsabilidade democrática do poder local. Quem decide passa a ser um órgão eleito no concelho, e é a esse órgão que os proprietários visados vão poder dirigir-se.

Vale a pena não confundir descentralização com facilidade. A expropriação continua a exigir fundamento de utilidade pública, continua a implicar indemnização e continua a poder ser contestada nos tribunais administrativos. O que muda é o endereço da decisão inicial, não as garantias que a rodeiam.

Para quem acompanha o setor, é mais um passo num ano em que as regras do imobiliário têm andado a ser reescritas por partes — o mesmo aconteceu com o fim do controlo de rendas nos novos contratos. O texto integral do diploma está publicado no Diário da República.

Na prática, o efeito mede-se daqui a um ano, nas obras municipais que hoje estão paradas à espera de um despacho.

Por Duarte Figueiredo

Imagem: Bruno Esteves / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

O Tejo visto da margem sul, com cacilheiros atracados em primeiro plano e a Ponte 25 de Abril e Lisboa ao fundo
Imobiliário 11 de agosto de 2026

São duas travessias novas no Tejo em dez anos, e uma delas desce no Barreiro

O ministro das Infraestruturas prometeu a ponte rodoferroviária Chelas–Barreiro e o túnel Algés–Trafaria concluídos dentro de uma década. Para a margem sul, isso são dez minutos a menos até Lisboa e trinta a menos desde Setúbal.

Nos 60 anos da Ponte 25 de Abril, o ministro das Infraestruturas e Habitação escolheu falar do que ainda não existe. Miguel Pinto Luz garantiu que o Tejo terá duas travessias novas concluídas dentro de dez anos: a ponte entre Chelas e o Barreiro e o túnel entre Algés e a Trafaria. O argumento que usou é aritmético e explica bem porque é que a promessa soa grande. As grandes travessias do Tejo apareceram historicamente de trinta em trinta anos — a 25 de…

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Gráfico Tugadaily: meses de renda em atraso até o senhorio poder resolver o contrato, três hoje e dois na proposta do Governo
Imobiliário 11 de agosto de 2026

Dois meses de renda em atraso passam a bastar para acabar o contrato. A proposta ainda tem de ir ao Parlamento

A reforma do arrendamento urbano aprovada em Conselho de Ministros encurta de três para dois meses a mora que permite resolver o contrato, dá seis meses ao senhorio para agir, liberta a renda inicial dos novos contratos e mexe nos contratos anteriores a 1990.

Hoje, um inquilino tem de acumular três meses de renda em atraso para o senhorio poder pôr fim ao contrato. Na reforma que o Governo aprovou em Conselho de Ministros, bastam dois. É a mudança mais direta de um pacote que o Executivo apresenta como uma forma de trazer casas de volta ao mercado do arrendamento, e que anunciou como reforma para aumentar a oferta de habitação. Nada disto está em vigor: é uma proposta de lei, tem de ser discutida e votada na…

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Gráfico de barras com a variação anual das rendas em julho de 2026: Faro 34%, Viana do Castelo 19%, Madeira 12%, Guarda 11%
Imobiliário 10 de agosto de 2026

Qual é o distrito mais caro para arrendar casa em Portugal? Já não é Lisboa

Faro chegou a 22,5 euros por metro quadrado em julho e ultrapassou pela primeira vez o distrito de Lisboa, nos 21,4 euros. No conjunto do país as rendas subiram 0,9%, interrompendo seis meses seguidos de descidas.

Durante anos houve uma resposta automática para esta pergunta. Em julho deixou de haver. O distrito de Faro passou a ter a renda mediana mais alta do país, 22,5 euros por metro quadrado, e ficou à frente do distrito de Lisboa, nos 21,4 euros. É a primeira vez que acontece nesta série. Os dados são do índice de preços do idealista relativo a julho e chegam com um segundo número que muda o enquadramento. As rendas em Portugal subiram 0,9% face a julho do…

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Edifício do antigo Grémio da Lavoura de Coimbra visto do pátio de acesso, ladeado pelos pequenos armazéns da cooperativa
Imobiliário 10 de agosto de 2026

O antigo Grémio da Lavoura, na Baixa de Coimbra, mudou de dono por 5,8 milhões (e vai dar habitação)

A Cooperativa Agrícola de Coimbra vendeu a um fundo imobiliário espanhol o edifício junto à antiga Estação Nova, à venda desde 2019. São mais de seis mil metros quadrados de índice de construção e a escritura foi assinada na quinta-feira.

Esteve sete anos à espera de comprador e mudou de mãos na quinta-feira. A Cooperativa Agrícola de Coimbra vendeu por 5,8 milhões de euros o edifício do antigo Grémio da Lavoura, junto à desativada Estação Nova, na Baixa da cidade, a um fundo imobiliário espanhol. O negócio ficou perto do objetivo que a cooperativa tinha traçado. Segundo o presidente, Pedro Pimenta, ao longo dos anos em que o imóvel esteve no mercado as propostas que iam chegando eram…

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Gráfico Tugadaily: preço mediano das casas por metro quadrado em junho de 2026
Imobiliário 8 de agosto de 2026

Preços das casas em Portugal: o acompanhamento

Acompanhamento contínuo do mercado da habitação em Portugal — índice de preços do INE, avaliação bancária, rendas e acessibilidade. Atualizado a cada novo dado.

Reunimos aqui, num só sítio, a evolução do mercado da habitação em Portugal. Em vez de um artigo por cada dado novo, atualizamos esta página com o essencial: o índice de preços do INE, a avaliação bancária, as rendas e a acessibilidade para quem compra ou arrenda — que desde 1 de agosto passa também pelas novas regras do crédito à habitação, com a taxa de esforço a descer para 45%. Os dados oficiais estão no INE.

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Gráfico de barras Tugadaily com o índice ISSI no terceiro trimestre de 2026: venda em 67 pontos e arrendamento em 50
Imobiliário 7 de agosto de 2026

A confiança no arrendamento caiu para o valor mais baixo de sempre (50,3 pontos em 100)

O índice do idealista que mede o otimismo dos agentes imobiliários recuou nos dois mercados no terceiro trimestre. Na venda desceu de 71,6 para 67,1, o mínimo desde 2024.

Quem vive de vender e arrendar casas em Portugal está mais pessimista do que em qualquer momento dos últimos dois anos e meio. O índice trimestral que mede essa temperatura, o ISSI, colocou o arrendamento em 50,3 pontos numa escala de 0 a 100 no terceiro trimestre de 2026. É o valor mais baixo desde que o indicador existe, e a maior queda trimestral também. Na compra e venda o quadro é menos dramático mas segue o mesmo sentido. As expectativas dos…

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Prédios de habitação numa rua do Porto
Imobiliário 7 de agosto de 2026

Vender uma casa e comprar outra para arrendar pode agora ficar isento de mais-valias

O pacote fiscal da habitação de 2026 permite reinvestir o lucro da venda em imóveis destinados a arrendamento sem pagar mais-valias, desce o IRS e o IRC sobre rendas até 2.300 euros e aplica o IVA de 6% a obras até 660.982 euros.

Durante anos, a regra foi simples e apertada: vendia-se uma casa com lucro e, para escapar às mais-valias, esse lucro tinha de ir para outra habitação própria e permanente. Quem quisesse investir em arrendamento pagava imposto e pronto. O pacote fiscal da habitação de 2026 muda esse desenho. Passa a ser possível vender um imóvel com lucro e evitar o imposto sobre a mais-valia se o dinheiro for reinvestido em imóveis destinados a arrendamento habitacional.…

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Gráfico com a percentagem de casas à venda que saem do mercado em menos de sete dias, por distrito
Imobiliário 6 de agosto de 2026

Na Madeira e no Porto, 15% das casas à venda desaparecem em menos de uma semana

No segundo trimestre, cerca de 10% dos anúncios de venda em Portugal saíram do mercado em menos de sete dias. Na Guarda foram 3%, e a diferença diz muito sobre onde falta oferta.

Há casas que ficam meses à espera de comprador e há casas que praticamente não chegam a estar à venda. No segundo trimestre deste ano, cerca de 10% dos anúncios de venda em Portugal saíram do mercado em menos de sete dias. Uma semana. O tempo que muita gente demora só a marcar a primeira visita. O contraste entre territórios é o que torna estes números interessantes. Na ilha da Madeira e no distrito do Porto, 15% da oferta anunciada desapareceu nesse…

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Prédio de apartamentos moderno na esquina de uma rua de Lisboa, com prédios antigos de ambos os lados
Imobiliário 5 de agosto de 2026

A sua renda pode subir 2,5% em 2027. Numa renda de 1.000 euros são mais 25 euros por mês

A inflação sem habitação fechou julho em 2,51%, e é esse número que vai dar o coeficiente de atualização das rendas para 2027. Fica acima dos 2,24% aplicados este ano. O valor sai no final de agosto.

Quem paga renda já pode fazer as contas ao próximo ano. A variação média dos preços sem habitação fechou julho em 2,51%, e é esse indicador — não a inflação geral de que toda a gente fala — que a lei manda usar para calcular quanto os senhorios podem aumentar as rendas no ano seguinte. Traduzido para dinheiro: uma renda de 1.000 euros passa a 1.025. Numa renda de 600 euros, o aumento anda pelos 15 euros mensais. Não é um choque. Mas é mais do que no ano…

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Gráfico com a prestação mensal em agosto de 2026 para um crédito de 150 mil euros a 30 anos, nas Euribor a 3, 6 e 12 meses
Imobiliário 4 de agosto de 2026

Tem o crédito indexado à Euribor a 12 meses? A prestação sobe cerca de 65 euros em agosto

Num empréstimo de 150 mil euros a 30 anos com spread de 1%, a revisão de agosto leva a prestação para 703,64 euros — mais 64,83 do que há um ano.

Agosto traz conta mais pesada a quem tem o crédito da casa a rever-se este mês. Nas três maturidades — três, seis e doze meses — a Euribor entrou na revisão acima do valor anterior, e o efeito é imediato na prestação. As médias que servem de referência ficaram em 2,417% na Euribor a três meses, 2,638% na de seis e 2,835% na de doze. Aplicadas a um empréstimo de 150 mil euros a 30 anos com spread de 1%, as simulações da DECO PROTESTE dão o seguinte: quem…

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Gráfico Tugadaily com o preço mediano das casas à venda por metro quadrado em julho de 2026: Lisboa 6.260 euros, Porto 4.276, Portugal 3.210 e Castelo Branco 1.041
Imobiliário 3 de agosto de 2026

Os preços das casas abrandaram em julho (e mesmo assim bateram o nono recorde seguido)

O preço mediano à venda chegou a 3.210 euros por metro quadrado, com uma subida anual de 8%, abaixo dos 8,9% de junho. Lisboa é a cidade que menos sobe e Viseu a que mais sobe.

Há dois números em julho e eles contam histórias diferentes. O primeiro é que a subida anual dos preços das casas à venda em Portugal abrandou para 8%, contra 8,9% em junho. O segundo é que isso chegou, mesmo assim, para o nono recorde consecutivo. O preço mediano fechou o mês em 3.210 euros por metro quadrado, segundo o índice do idealista. Em termos trimestrais, os preços praticamente não se mexeram: 0,4%. O mercado está a travar. Continua é a travar em…

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Coreto do Jardim da Estrela, em Lisboa, rodeado de árvores
Imobiliário 2 de agosto de 2026

Lisboa vai construir 11 casas de renda acessível mesmo ao lado do Jardim da Estrela

A Câmara de Lisboa abriu concurso público de 1,4 milhões de euros para erguer um prédio municipal com 11 fogos de renda acessível junto ao Jardim da Estrela.

Onze casas não resolvem a crise da habitação em Lisboa. Mas onze casas de renda acessível a dois passos do Jardim da Estrela, numa das zonas onde arrendar a preço de mercado exige um salário que quase ninguém tem, são um bocadinho mais interessantes do que o número sugere. A Câmara Municipal de Lisboa aprovou a abertura de concurso público para a empreitada, com preço base de 1,4 milhões de euros. O prédio é municipal, os fogos destinam-se a arrendamento…

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Edifício da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, na Cidade Universitária
Imobiliário 2 de agosto de 2026

A Universidade de Lisboa abre mais 1.018 camas e as colocações estão mesmo à porta

A ULisboa passa de 488 para 1.506 camas em residências no ano letivo 2026/2027, com 80 milhões investidos. As colocações do superior saem a 22 de agosto.

Há duas semanas de agosto que decidem o ano de milhares de famílias: aquelas em que sai a colocação no ensino superior e é preciso arranjar um sítio para o miúdo dormir em Lisboa. Este ano a conta muda um bocadinho, porque a Universidade de Lisboa vai ter mais 1.018 camas em residências já no ano letivo 2026/2027. Somadas às 488 que entraram em funcionamento no ano passado, a ULisboa fica com 1.506 camas próprias. O investimento global anda acima dos 80…

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Blocos de apartamentos na periferia de Lisboa vistos de longe, com vegetação em primeiro plano
Imobiliário 2 de agosto de 2026

As imobiliárias tiveram o melhor semestre de sempre e continuam sem casas para vender

O primeiro semestre de 2026 foi historicamente forte para as imobiliárias em Portugal, mesmo com o stock de casas à venda a cair 14% no primeiro trimestre. O défice de habitação está estimado entre 800 mil e um milhão de casas.

Há um paradoxo no imobiliário português que já não é paradoxo nenhum: as imobiliárias acabam de fechar o melhor semestre da sua história e continuam a queixar-se de que não têm casas para vender. As duas coisas são verdade ao mesmo tempo, e é precisamente por isso que os preços não param. Os dados oficiais de mercado só saem a 22 de setembro, mas as redes já falam de crescimento histórico no primeiro semestre. O contexto em que isso aconteceu é o de uma…

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