São duas travessias novas no Tejo em dez anos, e uma delas desce no Barreiro
O ministro das Infraestruturas prometeu a ponte rodoferroviária Chelas–Barreiro e o túnel Algés–Trafaria concluídos dentro de uma década. Para a margem sul, isso são dez minutos a menos até Lisboa e trinta a menos desde Setúbal.
Nos 60 anos da Ponte 25 de Abril, o ministro das Infraestruturas e Habitação escolheu falar do que ainda não existe. Miguel Pinto Luz garantiu que o Tejo terá duas travessias novas concluídas dentro de dez anos: a ponte entre Chelas e o Barreiro e o túnel entre Algés e a Trafaria.
O argumento que usou é aritmético e explica bem porque é que a promessa soa grande. As grandes travessias do Tejo apareceram historicamente de trinta em trinta anos — a 25 de Abril há seis décadas, a Vasco da Gama cerca de trinta anos depois. Desta vez, disse, o ciclo é duplo, porque o Governo decidiu avançar com as duas em simultâneo.
O que já está decidido e o que ainda não está
A ponte Chelas–Barreiro não é uma ideia nova. Está definida como rodoferroviária, com seis vias rodoviárias e quatro linhas de comboio, estas últimas para serviço convencional e alta velocidade, e liga Chelas ao Lavradio. O investimento estimado, incluindo acessos a norte e a sul, ronda os 3,5 mil milhões de euros. Depois de arrancar a obra, a construção deve levar quatro a cinco anos.
Falta a parte que costuma decidir calendários em Portugal. O Governo está a desenvolver com a Infraestruturas de Portugal as especificações técnicas completas e o estudo de impacte ambiental — e é esse processo, mais do que o betão, que marca o relógio real.
O que isto muda para quem procura casa
Quem foi empurrado para fora de Lisboa pelos preços conhece a conta de cabeça: casa mais barata, viagem mais longa. A ponte mexe exatamente nesse segundo termo, com uma poupança estimada de dez minutos no eixo Lisboa–Barreiro e de trinta no eixo Lisboa–Setúbal, e com capacidade para reforçar os suburbanos.
Historicamente, ligações destas fazem subir o valor do que estava do lado errado do rio — foi o que aconteceu ao eixo do Montijo e de Alcochete depois da Vasco da Gama. Convém, ainda assim, guardar a euforia: entre um anúncio ministerial e um viaduto aberto ao trânsito há um estudo ambiental, um concurso e uma década, e o mercado da margem sul já vem a mexer há vários trimestres, como mostra o acompanhamento dos preços das casas.
Imagem: Vitor Oliveira / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)