Na Madeira e no Porto, 15% das casas à venda desaparecem em menos de uma semana
No segundo trimestre, cerca de 10% dos anúncios de venda em Portugal saíram do mercado em menos de sete dias. Na Guarda foram 3%, e a diferença diz muito sobre onde falta oferta.
Há casas que ficam meses à espera de comprador e há casas que praticamente não chegam a estar à venda. No segundo trimestre deste ano, cerca de 10% dos anúncios de venda em Portugal saíram do mercado em menos de sete dias. Uma semana. O tempo que muita gente demora só a marcar a primeira visita.
O contraste entre territórios é o que torna estes números interessantes. Na ilha da Madeira e no distrito do Porto, 15% da oferta anunciada desapareceu nesse prazo. Seguem-se Aveiro com 12% e Coimbra com 11%. No outro extremo está a Guarda, com 3%, cinco vezes menos do que a Madeira.
Entre cidades, Aveiro, Coimbra e o Porto lideram, todas com 11% dos anúncios a sair em menos de uma semana. Braga fica-se pelos 10%, o Funchal por 9%, e Lisboa, que muita gente imaginaria no topo, aparece nos 5%.
O que é que uma venda rápida diz sobre o mercado
Convém não ler isto como um retrato de euforia generalizada. A leitura mais provável é outra: quando um imóvel junta localização razoável, preço abaixo do que se pratica à volta e algum espaço exterior, encontra comprador quase de imediato, porque há muito mais gente à procura do que casas disponíveis. É o mesmo desequilíbrio que já explicava o melhor semestre de sempre das imobiliárias sem casas suficientes para vender.
O resto da oferta conta uma história bem mais lenta. Perto de um terço dos anúncios só sai do mercado entre um e três meses depois de publicado, 35% demoram entre três meses e um ano, e 6% aguentam-se mais de doze meses à espera de alguém.
Nos mercados de absorção mais lenta, essa demora nota-se: em Ponta Delgada, mais de metade dos anúncios só sai passados três meses a um ano, e em Santarém são quase 47%.
Para quem vai comprar, a lição prática é chata mas simples. No Porto, na Madeira ou em Aveiro, hesitar uma semana pode custar a casa; na Guarda ou em Castelo Branco há tempo para pensar, comparar e negociar. E vale a pena entrar no processo com o financiamento já resolvido, sobretudo depois de as regras do crédito à habitação terem mudado a 1 de agosto.
Os dados oficiais sobre preços e transações de habitação são publicados trimestralmente pelo análise do idealista ao segundo trimestre, e é aí que se confirma se esta pressão está a aliviar ou a apertar.
Infografia: Tugadaily · dados idealista