Lisboa vende 10 terrenos municipais por mínimo de 59,2 milhões — esquerda queria 500 casas
A Câmara de Lisboa aprovou a venda em hasta pública de dez terrenos 'esquecidos há décadas'. PS e Bloco dizem que davam habitação acessível para 500 famílias.
A Câmara de Lisboa vai vender dez terrenos municipais em hasta pública por um valor mínimo global de 59,2 milhões de euros. A proposta passou esta semana com os votos da maioria PSD/CDS-PP/IL e do Chega — e com a esquerda toda contra, a fazer contas ao que ali podia nascer: habitação acessível para cerca de 500 famílias, segundo o PS.
Que terrenos vai a Câmara de Lisboa vender?
Dez parcelas espalhadas por Marvila, Beato, Penha de França, Lumiar, Belém, Campolide e São Vicente. O executivo descreve-os como terrenos “abandonados, alguns há décadas” e sem previsão de utilização, e argumenta que a receita extra vai acelerar investimento em transportes, pavimentação, iluminação e segurança. Parte das freguesias em causa é precisamente onde a cidade mais discute o futuro do parque habitacional.
Porque está a esquerda contra?
Pelo destino do património. O PS opõe-se à alienação de solo municipal que podia ser canalizado para habitação acessível, estimando capacidade para responder às necessidades de cerca de 500 famílias; o Bloco lembra que alguns destes terrenos estavam pensados para programas municipais de renda acessível para a classe média. A discussão chega num momento sensível: os programas de habitação da autarquia estão concentrados na plataforma Habitar Lisboa, e o mercado nacional continua em máximos, com os preços a subir e o controlo de rendas a desaparecer dos novos contratos.
Quem quiser licitar vai encontrar as hastas públicas no portal do município. Quem procura casa acessível em Lisboa continua a fazer a conta mais difícil — a de saber quanto rende, e quanto custa, o imobiliário na cidade onde o solo público acaba de ficar mais escasso.
Imagem: Diego Delso / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)