O distrito onde as casas mais subiram num ano não é Lisboa nem o Porto
Em agosto, o preço mediano pedido por metro quadrado subiu 22,9% em Santarém, contra 4% em Lisboa. O preço nacional ficou nos 3.207 euros por metro quadrado, praticamente parado face a julho.
Santarém. É esse o distrito onde as casas à venda mais se valorizaram no último ano em Portugal, com uma subida homóloga de 22,9% em agosto, segundo o índice de preços do idealista. Lisboa, no mesmo período, subiu 4%.
Atrás de Santarém vêm a ilha do Pico, com 20,8%, a ilha Terceira, com 19,6%, Évora, com 19,5%, e Viseu, com 17,1%. Portalegre e Coimbra seguem-se, ambas com 17%. Dos 25 distritos e ilhas analisados, só um desceu: a ilha do Faial, com uma queda de 10,1%.
O país anda a duas velocidades
Olhando por regiões, o desenho fica ainda mais claro. O Centro liderou com 14,1% e o Alentejo ficou logo atrás com 14%. Os Açores subiram 12,4%, a Madeira 9%, o Algarve 8,7% e o Norte 7,4%. A Área Metropolitana de Lisboa fechou a tabela, com 5%.
Isto não significa que comprar no interior tenha deixado de ser barato. Significa que a distância está a encurtar mais depressa do lado de baixo. Lisboa continua a ser o distrito mais caro do país, com um preço mediano de 4.759 euros por metro quadrado, enquanto a Guarda se mantém como o mais acessível, com 745 euros. Entre um e outro há seis vezes de diferença, e foi assim durante anos. A questão é quanto tempo dura.
O travão nacional
No conjunto do país, o preço mediano pedido chegou a agosto nos 3.207 euros por metro quadrado, ligeiramente abaixo dos 3.210 euros de julho. A variação anual foi de 7,5%, depois de 8% em julho e 8,9% em junho. O ritmo está a abrandar, mas abranda a partir de um patamar recorde.
Quem arrenda sente outra conta. As rendas subiram 5,2% em agosto, e o coeficiente que vai governar a atualização das rendas em 2027 já saiu do INE. São dois mercados diferentes a puxar a mesma corda.
Uma nota sobre os números: o idealista mede preços pedidos nos anúncios, não escrituras. Serve para ver para onde vai a intenção de quem vende, o que costuma anteceder o que aparece depois nas estatísticas de transações.
Gráfico: Tugadaily, com dados do idealista (agosto de 2026)