A sua renda pode subir 2,5% em 2027. Numa renda de 1.000 euros são mais 25 euros por mês
A inflação sem habitação fechou julho em 2,51%, e é esse número que vai dar o coeficiente de atualização das rendas para 2027. Fica acima dos 2,24% aplicados este ano. O valor sai no final de agosto.
Quem paga renda já pode fazer as contas ao próximo ano. A variação média dos preços sem habitação fechou julho em 2,51%, e é esse indicador — não a inflação geral de que toda a gente fala — que a lei manda usar para calcular quanto os senhorios podem aumentar as rendas no ano seguinte.
Traduzido para dinheiro: uma renda de 1.000 euros passa a 1.025. Numa renda de 600 euros, o aumento anda pelos 15 euros mensais. Não é um choque. Mas é mais do que no ano passado.
Quanto foi este ano
O coeficiente aplicado em 2026 ficou nos 2,24%. Os 2,51% de julho apontam para um valor um pouco acima, o que quebra a sequência de travagem que vinha desde os anos de inflação alta. Vale a pena guardar a proporção na cabeça: em 2023, no pico, falava-se em coeficientes acima dos 5%.
Quando é que isto fica oficial
Ainda não está. O número que conta é publicado pelo INE no final de agosto e confirmado no início de setembro; só depois o Governo faz publicar o coeficiente em Diário da República. Até lá, os 2,51% são a melhor estimativa disponível, e não uma decisão.
Também não é automático. O senhorio tem de comunicar a intenção de atualizar por escrito e com a antecedência prevista na lei — e a atualização acompanha a data de aniversário do contrato, não o dia 1 de janeiro. Contratos com regras próprias, como os de renda apoiada ou os que já têm cláusulas de atualização negociadas, seguem o que estiver escrito.
O que isto diz sobre o mercado
Um aumento de 2,5% em contratos antigos convive mal com o que se passa nos contratos novos, onde os valores pedidos continuam noutro campeonato. É a fratura habitual do arrendamento português: quem já está dentro sobe devagar, quem procura agora entra pelo preço de mercado. Escrevemos há pouco sobre as rendas que arrefeceram em junho, e o contraste mantém-se com o fim do travão às rendas nos novos contratos.
Os índices de preços que servem de base a esta conta são publicados pelo Instituto Nacional de Estatística, e é aí que o valor definitivo vai aparecer primeiro.
Para já, o conselho prático é chato e útil: se tem contrato de arrendamento, veja em que mês faz anos. É nesse mês, e não em janeiro, que o aumento lhe bate à porta.
Imagem: Philip Mallis / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)