Esta empresa de Coimbra vai ter equipamento seu a orbitar Vénus
A Active Space Technologies confirmou que participa na EnVision, a missão da Agência Espacial Europeia a Vénus. A sonda foi escolhida em 2021 e deve partir no início da década de 2030.
Fundada em 2004 e sediada em Coimbra, a Active Space Technologies faz uma coisa muito específica: sistemas eletromecânicos feitos à medida para ambientes extremos. Instrumentos, mecanismos, atuadores, sensores sem fios. Coisas que têm de funcionar onde nada foi desenhado para funcionar. E é por isso que vai participar na EnVision, a missão europeia a Vénus.
Não é a primeira vez que a empresa põe hardware fora da atmosfera. Em duas décadas contribuiu para mais de trinta missões espaciais, quase sempre em parceria com a Agência Espacial Europeia, e é uma das peças do ecossistema espacial que se foi formando à volta de Coimbra e do Instituto Pedro Nunes, onde no início do mês a Neuraspace fechou uma ronda de 15,6 milhões.
O que é a EnVision
A EnVision foi selecionada em 2021 como a quinta missão de classe média do programa científico da ESA. O objetivo é estudar Vénus de forma integrada, do núcleo interior até à atmosfera, com uma resolução que nunca foi conseguida naquele planeta. O lançamento está apontado para o início da década de 2030.
Vénus é, em termos de engenharia, um dos sítios mais hostis do sistema solar acessíveis a uma sonda. A superfície anda pelos 465 graus e a pressão atmosférica é cerca de 90 vezes a da Terra. Uma orbitadora não desce até lá, mas o ambiente de radiação e a proximidade ao Sol impõem exigências térmicas que pouca coisa suporta. A ficha completa da missão está na página da ESA.
Porque é que uma empresa de Coimbra entra nestas contas
Missões científicas europeias não são construídas por um país, são distribuídas por consórcios industriais em vários Estados-membros, e há nichos técnicos onde empresas pequenas competem em pé de igualdade com grupos muito maiores. É a lógica que também explica outras presenças portuguesas em programas espaciais, como as candidaturas à missão análoga a Marte no Alqueva.
Entretanto, a promessa de lançamento no início da década de 2030 significa uma coisa simples e desconfortável para quem trabalha nisto: o equipamento que sair de Coimbra terá de continuar a funcionar bem depois de a maior parte de nós ter esquecido que a missão existe.
Por Oliver Grant
Imagem: NASA / JAXA / ISAS / DARTS / Damia Bouic / VR2Planets (domínio público)