Tugadaily
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Sede do Banco Central Europeu em Frankfurt
Negócios 29 de junho de 2026

BCE prepara nova subida de juros e a Euribor volta a doer

Os mercados apontam para duas a três subidas de taxas até ao fim do ano. A Euribor já está em máximos de 18 meses — e isso mexe com créditos e poupanças.

Depois de um longo período a descer, os juros voltaram a inverter a marcha — e desta vez para cima. Os mercados já contam com duas, possivelmente três, subidas de taxas do Banco Central Europeu até ao fim de 2026, com a taxa de depósito a poder chegar perto dos 2,75% em dezembro.

A tradução prática chega pela Euribor. No início de junho, a taxa a seis meses, a mais usada no crédito à habitação em Portugal, rondava os 2,59%, e a de doze meses os 2,85% — máximos de cerca de 18 meses. Quem tem crédito de taxa variável vai sentir a diferença na próxima revisão da prestação.

Dois lados da mesma moeda

Para quem deve, é má notícia: prestações mais altas e menos margem no orçamento familiar. Para quem poupa, há finalmente um lado bom — os depósitos a prazo e os certificados voltam a pagar juros que valem a pena olhar, depois de anos a render quase zero.

A lógica do BCE é a do costume: travar a inflação sem estrangular a economia. O equilíbrio é delicado, porque subir juros a mais arrisca arrefecer o crescimento numa altura em que a Europa ainda não está propriamente a abanar de saúde.

Para Portugal, muito endividado em taxa variável, cada décima conta. Vale a pena rever o prazo da Euribor do seu contrato e comparar com o que os bancos pagam pela poupança.

Veja também: a primeira subida de juros do BCE desde 2023 e como a Euribor mexe no crédito à habitação. As decisões e comunicados estão no site do BCE.

Imagem: Wikimedia Commons

Sam Altman, presidente executivo da OpenAI
Negócios 29 de junho de 2026

A megaronda da OpenAI reacende o medo de uma bolha na IA

Com a dona do ChatGPT avaliada em 852 mil milhões, cresce a pergunta: estarão as bolsas mundiais demasiado apoiadas numa só aposta?

Que a OpenAI fechou a maior ronda de sempre já se sabia. A pergunta que ficou a pairar nos mercados é outra, e mais incómoda: estará a inteligência artificial a inflar uma bolha do tamanho de um continente?

A conta dá vertigens. A empresa foi avaliada em cerca de 852 mil milhões de dólares, com cheques gigantes de Amazon, Nvidia e SoftBank. O problema é que boa parte da subida das bolsas mundiais nos últimos meses assenta num punhado de empresas ligadas à IA. Quando tanta esperança se concentra em tão poucos nomes, qualquer tropeção é sentido por todos.

O que isto muda para quem investe cá

Para o investidor português, a lição não é correr a comprar ações da OpenAI — que nem sequer está em bolsa. É perceber que, mesmo um fundo de índice global aparentemente diversificado, hoje está fortemente exposto a esta aposta. Se a IA não cumprir as promessas de lucro à velocidade esperada, a correção pode ser ampla.

Isto não quer dizer que seja uma bolha condenada a rebentar amanhã. Quer dizer que vale a pena olhar para a carteira e perguntar quanto dela depende, direta ou indiretamente, de uma única narrativa. Diversificar deixou de ser um conselho de manual para passar a ser higiene financeira.

Veja também: os números da ronda recorde da OpenAI. As novidades oficiais da empresa estão em openai.com.

Imagem: Wikimedia Commons

Avenida da Liberdade, Lisboa
Negócios 29 de junho de 2026

PSI perto de máximos de 16 anos: a bolsa de Lisboa está em bom momento

O índice de Lisboa soma quase 7% em quatro semanas e mais de 34% no último ano. O que está a puxar pela bolsa portuguesa?

Boa notícia para quem tem dinheiro investido na praça lisboeta: o PSI anda em forma. O índice de referência da bolsa portuguesa está a rondar os 8.900 pontos, perto de máximos que não se viam há cerca de 16 anos. E não é flor de um dia — em quatro semanas valorizou perto de 7% e, no último ano, mais de 34%. Para um índice que durante muito tempo foi a Cinderela da Europa, é um regresso ao baile e tanto.

Quem está a puxar pelo índice

O fôlego tem vindo sobretudo da banca, das utilities e das telecomunicações — os pesos-pesados que dominam a capitalização do PSI. Quando os bancos sobem com as margens ainda saudáveis e as utilities pagam bons dividendos, o índice agradece. A época de dividendos, aliás, ajuda: junho costuma trazer várias datas de pagamento que mantêm o interesse dos investidores.

Há aqui também uma maré europeia. As bolsas do velho continente têm estado animadas, e Lisboa, sendo pequena, sente bem esses ventos quando sopram a favor.

Convém manter os pés assentes

Máximos sabem sempre bem, mas valem o aviso do costume: um índice concentrado em poucos setores sobe depressa e pode corrigir com a mesma rapidez se a banca ou a energia tropeçarem. Quem investe a pensar no longo prazo faz bem em olhar para os fundamentos e não só para o gráfico. Os dados oficiais e a composição do índice podem ser consultados na Euronext Lisbon.

Veja também: o Brent nos mínimos do ano e o recorde no preço das casas.

Imagem: Wikimedia Commons

Refinaria de petróleo ao fim do dia
Negócios 29 de junho de 2026

Brent nos mínimos do ano: vem aí alívio na bomba?

Com Ormuz reaberto, o preço do petróleo desabou para perto dos 72 dólares. Boas notícias para quem enche o depósito — com a habitual letra pequena.

Quem andou a torcer o nariz ao preço dos combustíveis nas últimas semanas pode respirar um pouco. O Brent, a referência que mais conta para o que pagamos, caiu para perto dos 72 dólares por barril — o valor mais baixo desde o final de fevereiro.

O motivo é geopolítico: com o Estreito de Ormuz outra vez aberto e os petroleiros a circular, o medo de uma rutura de fornecimento esvaziou-se. Quando o mercado deixa de ter pânico, o barril desce. E quando o barril desce, mais cedo ou mais tarde isso chega à bomba.

Cuidado com a letra pequena

Antes de festejar, dois travões. Primeiro, o preço do petróleo não chega instantaneamente ao posto: há sempre um desfasamento de dias até semanas, e impostos que não mexem com o barril. Em Portugal, a fatia de impostos no litro é enorme, por isso uma queda de 5% no crude nunca se traduz numa queda de 5% no que pagamos.

Segundo, a calma é frágil. O cessar-fogo entre os EUA e o Irão continua por um fio, e basta uma faísca para o barril voltar a saltar. Quem faz contas ao orçamento familiar faria bem em não assumir que os preços baixos vieram para ficar.

Ainda assim, a direção é boa. Depois de semanas a ver os números subir, é a primeira vez em muito tempo que o vento sopra a favor de quem conduz.

Veja também: Estreito de Ormuz volta a respirar. Os preços de referência podem ser consultados na DGEG.

Imagem: Wikimedia Commons

Notas e moedas de euro
Negócios 28 de junho de 2026

Banco de Portugal: economia segura, mas inflação ainda a incomodar

O Boletim Económico de junho aponta para um mercado de trabalho favorável e mais investimento com fundos europeus, com a inflação puxada pela energia.

O Banco de Portugal abriu as cartas do meio do ano e o retrato não é mau. No Boletim Económico de junho, o supervisor descreve uma economia que se aguenta: mercado de trabalho favorável, mais investimento empurrado pela entrada de fundos europeus e uma política orçamental ainda do lado expansionista.

Traduzindo para português de cozinha: há emprego, há dinheiro a entrar para obras e projetos, e o Estado não está a apertar o cinto. Tudo somado, são ingredientes que ajudam a economia a crescer.

O senão chama-se inflação

Nem tudo são rosas. A subida dos preços em 2026 reflete, em boa parte, o encarecimento do petróleo associado à instabilidade no Médio Oriente, que afetou uma fatia importante do abastecimento mundial de energia. Quando a energia sobe, arrasta quase tudo atrás de si, da fatura da luz ao preço do que pomos no prato.

É por isto que a calmaria recente no preço do barril é tão bem-vinda. Se o petróleo se mantiver comportado, a inflação tende a abrandar, e isso sente-se diretamente no orçamento das famílias.

Para já, fica a fotografia de uma economia que vai resistindo, com um olho no emprego e nos fundos, e outro, atento, no termómetro dos preços.

Veja também: A inflação nos 3,3% e o peso da energia. Leia o Boletim Económico no Banco de Portugal.

Imagem ilustrativa · Foto: Pixabay / Pexels

Amostra de petróleo bruto
Negócios 28 de junho de 2026

Petróleo regressa a valores pré-crise e dá folga aos combustíveis

O Brent recuou para perto dos 72 dólares, de volta aos níveis anteriores ao conflito no Médio Oriente. Cá, gasolina e gasóleo devem manter-se estáveis.

Depois de semanas a saltar ao sabor das notícias do Médio Oriente, o petróleo deu finalmente um suspiro. O barril de Brent recuou para perto dos 72 a 73 dólares, regressando aos valores que tinha antes de a tensão na região disparar.

A explicação é quase mecânica: quando o mercado teme que o conflito corte o abastecimento, o preço sobe; quando o medo alivia, desce outra vez. Foi o que aconteceu nos últimos dias, com o Brent a recuar mais de cinco por cento numa sessão.

E na bomba?

A boa notícia chega com a habitual letra pequena. A descida do barril costuma demorar a chegar ao depósito, mas as estimativas apontam para estabilidade já na próxima semana: a gasolina simples 95 deve rondar os 1,877 euros por litro e o gasóleo simples os 1,769 euros. Ou seja, sem grandes sustos para já.

Vale a pena lembrar porque é que isto interessa a quem nunca olha para os mercados. O preço do petróleo entra em quase tudo: no que pagamos para encher o carro, no custo de transportar a fruta até ao supermercado e, lá mais à frente, na inflação. Quando o barril acalma, todos respiramos um bocadinho melhor.

Resta saber se a calmaria dura. Com a situação no Golfo ainda ao rubro, basta um novo abanão para o barril voltar a subir.

Veja também: Bolsas europeias e o ouro perto de máximos. Consulte a cotação do Brent na Trading Economics.

Imagem: Wikimedia Commons

Barras de ouro empilhadas
Negócios 28 de junho de 2026

Bolsas europeias caem com receio da fatura da IA; ouro perto de máximos

O Euro Stoxx 50 recua com a venda nas tecnológicas e o ouro negoceia perto dos 4.090 dólares, depois de semanas em queda.

As bolsas europeias fecharam a semana em baixa e a culpa tem nome: inteligência artificial. Não a tecnologia em si, mas a conta que ela está a gerar. Os investidores começaram a olhar com desconfiança para os milhares de milhões que as grandes tecnológicas despejam em centros de dados e chips, e perguntam quando chega o retorno.

Resultado: o Euro Stoxx 50 recuou para a zona dos 6.200 pontos, com perdas na semana, e o índice alargado Stoxx 600 seguiu o mesmo caminho. Quando as tecnológicas espirram, o resto do mercado constipa-se.

O ouro a fazer de almofada

Do outro lado da gangorra está o ouro, que negociou perto dos 4.090 dólares por onça. Ainda assim, o metal teve a quarta semana seguida de quedas, travado por um dólar forte e por um tom mais duro da Reserva Federal americana. Mesmo a recuar, continua num patamar histórico.

Para quem tem poupanças ou um PPR, a mensagem não é entrar em pânico. É perceber o ambiente: mercados nervosos, juros ainda altos e muita atenção a cada número de inflação. Semanas assim costumam ser de montanha-russa, não de linha reta.

A leitura para Portugal é indireta mas real: boa parte das nossas poupanças e fundos segue estes índices. Quando a Europa cai, sente-se também por cá.

Veja também: BCE sobe juros para 2,25% e a Euribor segue atrás.

Imagem: Wikimedia Commons

Christine Lagarde, presidente do BCE
Negócios 28 de junho de 2026

BCE sobe juros para 2,25% e a Euribor segue atrás

O Banco Central Europeu subiu a taxa para 2,25% em junho. A Euribor a 3 meses ruma aos 2,4% este ano — más notícias para quem tem crédito.

Quem tem a prestação da casa indexada à Euribor já percebeu para onde sopra o vento. O Banco Central Europeu subiu a taxa diretora de 2,00% para 2,25% em junho, e a Euribor, que segue de perto as decisões de Frankfurt, acompanha o movimento.

A previsão é de uma subida gradual: a Euribor a 3 meses deve passar dos 2,2% de 2025 para cerca de 2,4% este ano, 2,8% em 2027 e estabilizar nos 2,7% em 2028. Nada de saltos dramáticos, mas o suficiente para mexer no orçamento mensal de quem tem crédito.

O que fazer com isto

Para quem está a pagar casa, vale a pena fazer as contas: simular a prestação com a Euribor um pouco acima e, se fizer sentido, falar com o banco sobre prazos ou condições. Para quem está a poupar, os depósitos podem voltar a ganhar algum brilho.

O contexto também ajuda a explicar a decisão: com a energia a pressionar os preços, o BCE prefere manter a guarda alta.

Veja também: a inflação nos 3,3% e o mercado da habitação. As decisões saem do Banco Central Europeu.

Imagem: Wikimedia Commons

Sede do Banco de Portugal
Negócios 28 de junho de 2026

Inflação fica nos 3,3% e a energia continua a mandar

A inflação em Portugal manteve-se nos 3,3% em maio, com a energia a disparar 13,1%. O Banco de Portugal alerta para rendimento real mais fraco.

A inflação não está a fugir, mas também não larga. Em maio, os preços subiram 3,3% face ao ano anterior, o mesmo ritmo do mês anterior e o valor mais alto desde setembro de 2023. O grande culpado tem nome: energia, a disparar 13,1%, empurrada pela guerra no Médio Oriente e pelas tensões no Estreito de Ormuz.

Há, ainda assim, uma nota mais calma. A inflação subjacente, que tira a energia e os alimentos não transformados da conta, manteve-se nos 2,2% pelo segundo mês seguido. Já os serviços aceleraram ligeiramente, dos 3,2% para os 3,4%.

O aviso do Banco de Portugal

No Boletim Económico de junho, o Banco de Portugal sublinha o óbvio mas incómodo: esta subida temporária dos preços come parte do crescimento do rendimento real este ano. Por outras palavras, mesmo com salários a subir, o poder de compra sente o aperto.

Para as famílias, o recado prático é gerir com margem: a energia continua a ser a variável mais imprevisível, e enquanto Ormuz estiver tenso, é por aí que vêm os sustos.

Veja também: o navio atingido em Ormuz e a subida de juros do BCE. Dados oficiais no Banco de Portugal e no INE.

Imagem: Wikimedia Commons

Sede do Banco de Portugal, em Lisboa
Negócios 27 de junho de 2026

Banco de Portugal: economia a crescer 1,8%, mas com a inflação a incomodar

O Boletim Económico de junho mantém o crescimento em 1,8% para 2026 e revê a inflação em alta, para 3,1%. O conflito internacional pesa nas contas.

O Banco de Portugal abriu as cartas no seu Boletim Económico de junho, e a leitura é a de uma economia que continua a crescer, mas com um senão cada vez mais ruidoso: a inflação não dá tréguas como se esperava.

Comecemos pelo lado bom. A previsão de crescimento do PIB mantém-se nos 1,8% para 2026, com 1,6% em 2027 e 1,8% em 2028 a fechar o horizonte. Não é um número espetacular, mas é crescimento sólido e acima da média da Zona Euro, que o BCE entretanto reviu em baixa para uns modestos 0,8% este ano. O motor continua a ser o investimento, dinamizado pela maior chegada de fundos europeus, e um mercado de trabalho que se mantém favorável.

O problema está nos preços. O banco central reviu a inflação em alta, para 3,1% em 2026 — mais três décimas do que projetava em março —, antes de prever um regresso a valores mais perto dos 2% nos anos seguintes (2,4% em 2027 e 2,0% em 2028). Por trás desta revisão está, sobretudo, a energia: o conflito internacional fez disparar a incerteza e empurrou para cima os pressupostos do preço do petróleo.

Por outras palavras, é o velho dilema. A economia segue em frente, cria emprego e atrai investimento, mas o custo de vida continua a corroer parte desses ganhos no bolso das famílias. Quem faz contas ao fim do mês sente bem essa diferença entre os números agregados e o preço do cabaz no supermercado.

Há ainda uma nota mais animadora nas contas públicas: o Banco de Portugal mostrou-se mais otimista quanto ao défice, sinal de que o esforço orçamental dos últimos anos não se perdeu pelo caminho. Mas o recado de fundo é de prudência. Num ano marcado por tensões geopolíticas e energia volátil, as projeções valem o que valem — e podem mudar à próxima revisão. Por agora, fica o retrato de uma economia resiliente, mas a olhar de soslaio para a inflação.

Imagem: Wikimedia Commons

Ecrã com análise de mercados e tendências de preços
Negócios 27 de junho de 2026

FMI corta a previsão de crescimento de Portugal para 1,7% — mas vê as contas certinhas

O Fundo Monetário Internacional reviu em baixa o crescimento da economia portuguesa este ano, ao mesmo tempo que prevê um saldo orçamental nulo.

Há aqui duas notícias e elas puxam para lados diferentes, por isso vale a pena ler com calma.

A primeira: o Fundo Monetário Internacional voltou a cortar a previsão de crescimento da economia portuguesa para este ano, de 1,9% para 1,7%. Não é um descalabro — é um arrefecimento, sinal de que a engrenagem não acelera ao ritmo que muitos esperavam.

A segunda, mais animadora: o mesmo FMI prevê que Portugal feche o ano com um saldo orçamental nulo, melhor do que o pequeno défice de 0,1% do PIB que apontava em abril. Por outras palavras, o país gasta sensivelmente o que arrecada — uma raridade histórica que há uns anos parecia ficção.

Dois retratos do mesmo país

Como é que cabem na mesma frase um corte no crescimento e contas equilibradas? Porque medem coisas diferentes. O crescimento diz-nos quão depressa a economia engorda; o saldo orçamental diz-nos se o Estado vive dentro das suas posses. Dá para ter o segundo arrumado e, ainda assim, andar a meio-gás no primeiro.

Convém também não esquecer que cada instituição tem o seu termómetro. O Banco de Portugal está mais otimista no curto prazo, apoiado na chegada de fundos europeus e num mercado de trabalho que se mantém robusto. O FMI, mais cauteloso, olha para os riscos lá fora — o Médio Oriente à cabeça.

O que fica

Para quem está em casa, a tradução é simples: nada de drama, mas também nada de festa. A economia continua a crescer, só que mais devagar; e o Estado, pelo menos no papel, está a equilibrar o livro de contas. Numa Europa cheia de défices, não é mau bilhete de visita.

Imagem ilustrativa · Foto: Alesia Kozik / Pexels

Notas de euro empilhadas
Negócios 27 de junho de 2026

Inflação teima nos 3,3% — e a culpa é (outra vez) da energia

Os preços em Portugal continuam a subir 3,3% ao ano, puxados por uma escalada de 13% na energia ligada à tensão no Médio Oriente.

Se sente que o dinheiro rende menos do que há um ano, não é impressão. A inflação em Portugal manteve-se em 3,3% em maio, um dos valores mais altos desde 2023 — e o grande responsável volta a ser a energia.

Os custos energéticos dispararam cerca de 13% no espaço de um ano, empurrados pela tensão no Médio Oriente e pelos sustos à volta do Estreito de Ormuz, por onde passa boa parte do petróleo do mundo. Quando o barril sobe lá fora, a fatura chega cá dentro — primeiro aos combustíveis, depois a quase tudo o resto, porque transportar bens também custa mais.

O que esperar

A boa notícia é que as previsões apontam para um arrefecimento: os economistas esperam a inflação anual perto dos 3% em 2026 e a descer para os 2,3% em 2027. Ou seja, os preços ainda sobem, mas devem subir mais devagar.

Para o dia a dia, a tradução é simples. Vale a pena comparar tarifários de luz e gás, porque é aí que está a maior pressão. E quem tem poupanças sente a mordidela: com a inflação acima dos 3%, o dinheiro parado no banco perde valor real todos os meses.

Não é cenário de pânico — a economia continua a crescer e o desemprego está baixo —, mas é um lembrete de que a energia, lá longe, continua a mandar no orçamento cá de casa.

Imagem ilustrativa · Foto: Pixabay / Pexels

Barras e moedas de ouro empilhadas
Negócios 27 de junho de 2026

Ouro perde o brilho: longe do recorde de janeiro à boleia da paz com o Irão

Depois de bater máximos históricos no início do ano, o ouro recuou bem. O que mudou — e o que dizem os investidores.

Quem comprou ouro no início do ano a pensar que ia subir para sempre teve uma lição rápida sobre os mercados: nada sobe em linha reta. O metal que parecia imparável em janeiro perdeu boa parte do fulgor e anda agora bem mais discreto.

A 28 de janeiro, o ouro tocou um recorde histórico, perto dos 5.600 dólares por onça, empurrado por uma tempestade perfeita: incerteza geopolítica, inflação alta e bancos centrais a comprar como nunca. Cinco meses depois, a história é outra. Esta semana o ouro negoceia à volta dos 4.090 dólares, o que representa uma queda de quase 20% face ao pico e cerca de 5% no acumulado do ano.

O que esfriou o entusiasmo

A explicação curta cabe numa palavra: paz. Os sinais de desanuviamento entre os Estados Unidos e o Irão tiraram parte do medo que tinha levado tanta gente a refugiar-se no ouro. Quando o mundo respira mais aliviado, o chamado ativo-refúgio perde apelo, porque os investidores voltam a arriscar noutros sítios à procura de mais retorno.

Isto não quer dizer que o ouro tenha deixado de ser interessante. Para muitas carteiras, continua a ser um seguro contra surpresas — e bastam umas semanas de nervosismo para o brilho voltar. A lição, mais uma vez, é a de sempre: o ouro protege, mas não é bilhete de lotaria.

Os preços de referência podem ser acompanhados no World Gold Council, o organismo oficial do setor.

Veja também: Petróleo abranda e dá um respiro à carteira e a inflação que teima nos 3,3%.

Imagem ilustrativa · Foto: Zlaťáky.cz / Pexels

Vista de uma grande refinaria de petróleo com tubagens
Negócios 27 de junho de 2026

Petróleo abranda e dá um respiro à carteira: o medo de Ormuz arrefeceu

O Brent recuou para perto dos 72 dólares com o alívio das tensões no Estreito de Ormuz. O que isso significa para os combustíveis em Portugal.

Lembra-se das semanas em que cada notícia do Golfo fazia o preço do gasóleo dar um salto? Pois é, o filme está a mudar — e desta vez para melhor.

O barril de Brent recuou para perto dos 72 dólares, e o WTI americano para a casa dos 69, depois de o mercado perceber que o petróleo continua, afinal, a passar pelo Estreito de Ormuz. A Saudi Aramco retomou os carregamentos no terminal de Ras Tanura após quase quatro meses parado, e a sensação de que o crude vai mesmo continuar a circular tirou pressão dos preços.

Porque é que isto nos toca

Portugal não tem poços de petróleo, mas tem depósitos para encher e contas de luz para pagar. Quando o barril dispara por causa de uma crise geopolítica, sentimo-lo na bomba poucos dias depois. Quando arrefece, o alívio também chega — embora, convenhamos, sempre mais devagar do que gostaríamos.

A leitura dos analistas é quase irónica: depois de meses a falar em rutura de abastecimento, o que está agora em cima da mesa é o oposto — um possível excesso de oferta, com a China ainda sem recuperar totalmente o apetite por importações. Demasiado petróleo à procura de comprador costuma significar preços em baixa.

O senão

Nada disto é garantido. O Médio Oriente continua a ser a grande variável imprevisível, e o próprio Banco de Portugal já avisou que os principais riscos para a inflação cá dentro vêm precisamente daquele tabuleiro. Um novo sobressalto em Ormuz e o filme rebobina depressa.

Por agora, fica a boa notícia rara: um fator que andou meses a empurrar os preços para cima está, finalmente, a empurrar para o outro lado.

Imagem ilustrativa · Foto: Jakub Pabis / Pexels

Close-up image of varied US dollar bills on a black background.
Negócios 26 de junho de 2026

O choque dos chips: a fatura da IA chegou às lojas e abanou as bolsas

A Apple e a Microsoft subiram preços por causa do custo das memórias, e as tecnológicas asiáticas afundaram. A SoftBank chegou a cair 13%.

Durante meses ouvimos que a inteligência artificial ia custar uma fortuna a construir. Esta semana percebemos quem vai pagar a conta: nós, na caixa do supermercado tecnológico.

A Apple e a Microsoft anunciaram com poucos dias de diferença subidas de preços nos produtos de consumo — e os mercados não gostaram nada do recado. As tecnológicas asiáticas levaram um valente tombo, com a japonesa SoftBank a cair mais de 13% num só dia e a arrastar consigo meio setor.

Porque é que isto está a acontecer

A culpa é das memórias. Os preços dos chips de memória — a DRAM e a NAND, aquela que guarda as fotos e faz o telemóvel andar depressa — quadruplicaram desde 2025. A razão é simples: as fábricas viraram a produção para a memória de alta largura de banda (HBM), que é a que os centros de dados de IA devoram aos milhões. Sobra pouca capacidade para a memória dos aparelhos do dia a dia, e quando a oferta encolhe, o preço dispara.

O que muda para a carteira

O resultado já se vê nas etiquetas. A Apple subiu alguns modelos até 300 dólares — um MacBook Pro de 1 TB passou de 1.699 para 1.999 dólares. A Microsoft avisou que as consolas Xbox ficam 100 a 150 dólares mais caras a partir de agosto, a segunda subida em menos de um ano.

E aqui está o que assusta os investidores: se os aparelhos ficam mais caros, talvez as pessoas comprem menos. E se compram menos, a tal corrida das memórias que andava a engordar as bolsas pode começar a arrefecer. Por outras palavras, a IA que fez subir as ações pode acabar por lhes dar uma travagem — pelo lado mais inesperado, o do consumidor a olhar para o preço e a dizer “para o ano logo se vê”.

Imagem ilustrativa · Foto: Sergei Starostin / Pexels

International Monetary Fund
Negócios 26 de junho de 2026

FMI corta (outra vez) a previsão de crescimento de Portugal para 1,7%

O Fundo voltou a baixar a fasquia para 2026 e avisa para a inflação. Mas há boas notícias por baixo dos números: contas certas e dívida abaixo dos 90%.

O Fundo Monetário Internacional fez as contas a Portugal e o resultado tem dois lados. O da capa: a previsão de crescimento para 2026 voltou a descer, agora para 1,7%. O das entrelinhas: o país continua, no essencial, a fazer o trabalho de casa.

O que mudou

Há uns meses o FMI apontava 1,9%. Agora corta para 1,7% — abaixo dos 2% que o Governo projeta. A justificação é sobretudo externa: os efeitos do conflito no Médio Oriente pesam o suficiente para anular parte do empurrão que devia vir dos fundos europeus. As tempestades do início do ano também travaram o arranque de 2026, embora a reconstrução deva equilibrar a conta ao longo dos meses.

A inflação é o outro alerta. O Fundo vê os preços a subir para 3,4% este ano — puxados por matérias-primas mais caras e pressão nos salários — antes de aliviarem para 2,3% em 2027. Por outras palavras: o poder de compra vai sentir o aperto antes de respirar.

A parte boa que não cabe no título

Por baixo da revisão em baixa há um país com as contas em ordem. Portugal fechou 2025 a crescer acima da média da zona euro e registou o terceiro excedente orçamental em três anos — algo que há uns anos parecia ficção. A dívida pública caiu abaixo dos 90% do PIB, um patamar que muda a forma como os mercados olham para o país.

Porque é que isto importa

Crescer 1,7% em vez de 2% não é uma tragédia, mas também não é detalhe: significa menos margem para subir rendimentos e mais paciência até a inflação acalmar. A boa notícia é que Portugal entra nesta fase com almofada — contas certas e dívida a descer dão folga para encaixar solavancos lá de fora. Para 2027, o Fundo projeta 1,6%. Devagar, mas em pé.

Imagem: Wikimedia Commons

Digital currencies article with smartphone stock market app and calendar on black surface.
Negócios 26 de junho de 2026

Balanço da semana: o ouro recupera fôlego, mas a Fed ainda manda no clima

O ouro voltou acima dos 3.900 dólares depois de um susto, enquanto os mercados continuam a apostar numa subida de juros até dezembro.

Semana de montanha-russa para quem segue o ouro. Depois de tocar mínimos de sete meses a meio da semana, o metal recuperou e voltou a negociar acima dos 3.900 dólares por onça — a rondar os 3.994 — ajudado por um dólar mais fraco e por um relatório de inflação (o PCE americano) sem grandes sobressaltos.

Mesmo assim, convém manter os pés assentes: o ouro continua a perder cerca de 5% no acumulado do ano e está perto de 20% abaixo do recorde de janeiro.

O fantasma chama-se Fed

O que está mesmo a mexer com tudo é a expectativa de juros. Os mercados atribuem agora cerca de 80% de probabilidade a uma subida da Fed em dezembro, depois da pausa “dura” da semana passada, em que o presidente Kevin Warsh deixou claro que quer a inflação debaixo de olho. Para setembro, a probabilidade ronda os 63%.

E para nós?

Juros mais altos lá fora tendem a fortalecer o dólar e a pressionar tudo o resto — das matérias-primas às bolsas europeias. Para quem em Portugal tem crédito à habitação indexado à Euribor, o sinal é o de sempre: as taxas teimam em não descer depressa. Paciência e contas bem feitas.

Imagem ilustrativa · Foto: Leeloo The First / Pexels

Businesswoman talking on a smartphone, laughing, with American flag background.
Negócios 25 de junho de 2026

Portugal nas bocas do FMI e da OCDE — e a conta bate certo

Crescimento acima da média europeia, terceiro excedente seguido, dívida abaixo de 90%. Os relatórios de junho dão boas notas, mas há um 'mas'.

Há uns anos, “Portugal” e “relatório do FMI” na mesma frase davam arrepios. Em junho de 2026, a história é outra. Tanto a OCDE como o Fundo Monetário Internacional fecharam as suas avaliações anuais com um tom que, traduzido do economês, dá mais ou menos isto: bom trabalho, continuem.

E os números explicam porquê. No primeiro trimestre, a economia cresceu 2,3% face ao ano anterior — acima da média da zona euro, outra vez. As contas públicas fecharam com o terceiro excedente seguido, e a dívida pública caiu para baixo dos 90% do PIB. Quem se lembra dos 134% de 2020 percebe o tamanho da viragem.

Onde está o “mas”

A inflação, que andava controlada, deu um salto para 2,7% em março, empurrada pela conta da energia lá fora. O desemprego está baixo (à volta dos 6%) e deve descer mais um bocadinho. O verdadeiro calcanhar de Aquiles continua a ser a habitação: os preços a subir mais depressa do que os salários tiram o sono a muita gente — e isso nenhum relatório bonito resolve sozinho.

O que fica

Portugal está num bom momento, com investimento a puxar pelo crescimento e confiança a aumentar. O teste a seguir é manter o passo quando o dinheiro europeu do PRR deixar de empurrar. Boa notícia: por agora, a economia está a andar pelo seu próprio pé.

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Alphabet Inc.
Negócios 24 de junho de 2026

A Google entra no Dow Jones e a Verizon sai pela porta

A partir de 29 de junho, a Alphabet passa a fazer parte do índice mais famoso de Wall Street. É a era da tecnologia a empurrar a velha indústria para fora.

Há uma troca de cadeiras no clube mais exclusivo de Wall Street. A partir de 29 de junho, a Alphabet — a dona da Google — entra para o Dow Jones Industrial Average, o índice de 30 empresas que serve de cartão de visita da economia americana. Sai a Verizon, a operadora de telecomunicações, cuja influência no índice já era quase residual.

É a primeira mudança desde que a Nvidia e a Sherwin-Williams entraram em 2024, e o simbolismo é forte: a S&P Global justifica a escolha com a vontade de expor o índice às áreas “dinâmicas” da economia — inteligência artificial, publicidade e nuvem. Por outras palavras, a velha América industrial a dar lugar à América tecnológica.

Porque é que isto importa

Com a Alphabet a entrar, as cinco maiores tecnológicas do mundo — Nvidia, Amazon, Apple, Microsoft e agora Google — passam todas a ter assento no Dow. Para o investidor comum, e há cada vez mais portugueses com dinheiro em fundos que seguem estes índices, significa uma coisa simples: quando “o mercado” sobe ou desce, é cada vez mais a tecnologia a mandar no volante.

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Wooden letter tiles forming the word 'inflation' on a rustic wooden surface, symbolizing economic themes.
Negócios 24 de junho de 2026

Inflação estável nos 3,3% — mas a energia continua a queimar

Os preços gerais não se moveram em maio, só que a energia disparou 13,1% num ano. A guerra e o Estreito de Hormuz explicam grande parte da conta.

A inflação portuguesa ficou-se pelos 3,3% em maio — exatamente igual a abril. À primeira vista, soa a estabilidade. Espreite os números por dentro e a história é mais picante.

A energia acelerou para 13,1% de subida homóloga (vinha de 11,7% em abril), empurrada pela guerra no Médio Oriente e pelo fecho do Estreito de Hormuz. Do outro lado da balança, os alimentos não transformados abrandaram para 5,7% (estavam em 7,4%), o que ajudou a equilibrar a conta. A inflação subjacente — a que tira energia e frescos — manteve-se nos 2,2%.

O que tirar daqui

A parte boa: o “núcleo duro” dos preços está controlado, perto da meta. A parte chata: a energia continua a ser o cravo no sapato, e isso bate certo no orçamento de casa e das empresas. Se a trégua entre os EUA e o Irão segurar e o petróleo acalmar, esta é provavelmente a rubrica que mais depressa vai dar tréguas. Até lá, vale a pena olhar para a fatura da luz com carinho.

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Close-up of Indonesian Rupiah banknotes with fine gold bars, symbolizing wealth and investment.
Negócios 24 de junho de 2026

Petróleo em mínimos, ouro a recuar: os mercados respiram

Wall Street recupera com o crude a cair para perto dos 70 dólares e o ouro a aliviar dos máximos. Menos medo do petróleo, menos medo da inflação.

Dia mais calmo em Wall Street, e o sossego veio do sítio do costume: o petróleo. O barril de crude (WTI) deslizou para perto dos 70 dólares — o valor mais baixo desde o início de março. Com o estreito de Ormuz a acalmar, o medo de uma rutura no fornecimento esvaziou-se, e quando o petróleo baixa, baixa também o fantasma da inflação.

As bolsas agradeceram. O Dow Jones e o Nasdaq subiram, com a maioria dos setores em verde, à boleia da indústria e do consumo. Curiosamente, o ouro — o refúgio dos nervosos — recuou mais de 3%, para perto dos 4.000 dólares por onça. Quando o mundo parece menos assustador, o metal precioso perde brilho.

O que vem aí

Os olhos estão postos nos resultados da Micron, a fabricante de chips de memória, vista como um termómetro da fome de inteligência artificial. E paira sempre a sombra do Fed: o banco central americano sinalizou que a inflação ainda está alta demais, por isso ninguém está à espera de cortes de juros tão cedo. Para o bolso em Portugal, a parte que conta é o petróleo — menos custo no barril hoje costuma traduzir-se em alívio na bomba mais à frente.

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Oracle
Negócios 24 de junho de 2026

Oracle corta 21 mil empregos e aponta o dedo à IA

A gigante do software despediu milhares e disse-o sem rodeios: foi por causa da inteligência artificial. O debate sobre os empregos da era da IA acaba de ficar mais concreto.

Até aqui, a conversa sobre a inteligência artificial a “roubar empregos” andava sobretudo no campo da teoria. A Oracle acaba de a trazer para o mundo real: a empresa de software cortou cerca de 21 mil postos de trabalho e, no seu relatório anual, escreveu preto no branco que os despedimentos estão ligados à adoção e implementação de IA nas suas operações.

Ao mesmo tempo — e não é coincidência —, a empresa disparou o investimento em infraestrutura de IA. As despesas de capital subiram 162%, para 55,7 mil milhões de dólares. Ou seja: menos pessoas a fazer certas tarefas, muito mais máquinas e centros de dados a fazê-las.

Porque é que isto importa

É um dos primeiros casos em que uma grande empresa admite, sem rodeios, que está a substituir trabalho humano por IA. Não quer dizer que vá ser assim em todo o lado, nem ao mesmo ritmo — mas marca o tom de uma década que vai obrigar muita gente a reaprender a sua profissão. Em Portugal, onde os serviços e a tecnologia pesam cada vez mais, vale a pena olhar para isto não com pânico, mas com atenção.

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Close-up of a 100g fine gold bar against a red reflective surface, symbolizing wealth and luxury.
Negócios 24 de junho de 2026

O ouro perde o brilho de 2026 e a culpa é da Fed

Com Kevin Warsh na liderança e os juros a subir nos EUA, o ouro caiu para os 4.113 dólares. O que isto diz a quem tem dinheiro parado.

O ouro passou meses a ser o queridinho de quem fugia da incerteza. Esta semana levou um banho de água fria: caiu para cerca de 4.113 dólares a onça, apagando boa parte dos ganhos de 2026 (ainda assim, está uns 753 dólares acima de há um ano).

O culpado tem nome: a Reserva Federal dos EUA, agora liderada por Kevin Warsh. Com a inflação americana a teimar nos 4,2% e o banco central a sinalizar juros mais altos, o dinheiro “seguro e rendoso” volta a ser apetecível — e o ouro, que não paga juros, perde charme.

E para nós, cá?

Quando os juros americanos sobem, o dólar tende a fortalecer e os mercados ficam nervosos. Para quem tem poupanças, a lição de sempre aplica-se: não pôr os ovos todos no mesmo cesto, desconfiar de quem promete ganhos garantidos e lembrar que o que sobe depressa também desce. O ouro não deixou de ser ouro — só deixou de estar na moda esta semana.

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Detailed gold bars layered over Indonesian currency, highlighting wealth and investment.
Negócios 23 de junho de 2026

Ouro firme, petróleo a respirar: os mercados esperam pelo número do Fed

O ouro segura-se perto dos 4.100 dólares, o crude alivia com mais barris a fluir e os investidores aguardam o índice PCE desta semana.

Dia de mercados em modo de espera. O ouro manteve-se firme, a rondar os 4.100 dólares por onça, segurando os ganhos da véspera. Não disparou, não tombou — ficou à espreita, como quem aguarda o próximo sinal.

E o sinal tem nome: o índice de preços PCE dos Estados Unidos, que sai esta semana e é o indicador de inflação preferido da Reserva Federal. Depois de o Fed ter mantido os juros na última reunião, mas com um discurso mais duro, os investidores querem perceber se a inflação dá folga para cortes mais à frente. Daí a calmaria tensa.

Petróleo a aliviar

No crude, a história é de alívio. Os primeiros sinais de progresso nas negociações de paz entre os EUA e o Irão acalmaram os ânimos, com Washington a conceder a Teerão uma licença de 60 dias para vender petróleo nos mercados internacionais. Com mais barris a entrar no sistema — e o tráfego no Estreito de Ormuz a normalizar — a pressão sobre os preços afrouxou.

O que isto quer dizer para a carteira

Tradução prática: menos sustos no preço da gasolina à vista, e um ouro que continua a ser o porto de abrigo preferido de quem anda nervoso. Para já, o mercado está de braços cruzados — mas basta um número de inflação fora do guião para o sossego acabar depressa.

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Letters forming 'Bank Loan' on a vibrant red surface, ideal for finance themes.
Negócios 22 de junho de 2026

Banco de Portugal: economia a crescer 1,8%, mas com a guerra a pesar

O Boletim Económico de junho mantém o crescimento em 1,8% para 2026 e empurra a inflação para 3,1%. O culpado tem nome: o salto nos preços da energia.

O Banco de Portugal pôs os números em cima da mesa e a leitura é agridoce: a economia continua a crescer, mas mais devagar do que se esperava no início do ano.

O Boletim Económico de junho mantém a previsão de crescimento em 1,8% para 2026, seguido de 1,6% em 2027 e 1,8% em 2028. Não é mau — mas é uma revisão em baixa face ao otimismo do final do ano passado. A inflação, essa, sobe: deve fechar 2026 em 3,1%, antes de voltar a aproximar-se dos 2% nos anos seguintes.

De onde vem o travão

A explicação cabe quase toda numa palavra: energia. A subida do preço do petróleo, depois do arranque do conflito EUA–Irão, encareceu as importações e piorou os termos de troca do país. Junte-se a isso muita incerteza, condições financeiras menos amigáveis e uma procura externa mais fraca, e está montado o cenário de menos crescimento com mais inflação.

O copo meio cheio

Nem tudo são nuvens. O mercado de trabalho continua sólido, os fundos europeus estão a entrar com mais força e a dão um empurrão ao investimento, e a política orçamental ainda joga a favor. Tradução para o dia a dia: emprego não falta, mas o cabaz de compras vai continuar a pesar mais no bolso uns meses. Olho no preço da gasolina — é ele que está a mandar nesta história.

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Mercadona
Negócios 22 de junho de 2026

Mercadona abre a 73ª loja em Portugal — e cria 64 empregos

A cadeia espanhola inaugura a 30 de junho um supermercado na Abrunheira, em Sintra, e mantém o pé a fundo na expansão pelo país.

A Mercadona não tira o pé do acelerador. No dia 30 de junho abre portas na Abrunheira, em Sintra, aquela que será a 73ª loja da cadeia espanhola em Portugal — e com ela chegam 64 postos de trabalho, com contrato sem termo desde o primeiro dia.

O espaço tem cerca de 1.900 metros quadrados e o cardápio habitual de secções: talho, peixaria, padaria, charcutaria, perfumaria, fruta e o já popular “Pronto a Comer”. Nada de novo no formato — e é precisamente essa receita repetida que tem feito a marca crescer depressa por cá.

Porque é que isto conta

Para lá de Sintra, o plano de 2026 inclui aberturas espalhadas pelo mapa: Vila Real, Beja, Faro, Portimão, Amarante, Esposende, Maia e Moita, entre outras. Cada loja são dezenas de empregos locais e mais concorrência nas prateleiras — o que, em teoria, ajuda quem faz as compras.

Para o Norte e para o Vale do Sousa, a lição é simples: a expansão do retalho alimentar continua a ser uma das formas mais rápidas de criar emprego estável fora dos grandes centros. Vale a pena ficar de olho em quem chega a seguir — e a que ponto do país.

Imagem: Wikimedia Commons

Black and white image capturing the iconic Wall Street, NYC architecture with street sign.
Negócios 22 de junho de 2026

Wall Street hesita: a Fed agora fala em subir juros

Mistura de sinais nos mercados esta segunda-feira. A Nasdaq caiu com a Alphabet, o petróleo aliviou com o Irão e todos os olhos estão na inflação de quarta.

A semana arrancou com os mercados americanos a andar de lado, cada índice a puxar para o seu canto. O Dow subiu uns 0,4%, o S&P 500 recuou 0,3% e a Nasdaq, mais carregada de tecnológicas, deslizou 1,1% — em grande parte porque a Alphabet, a dona da Google, caiu uns 5% num só dia.

Por trás da hesitação está a Reserva Federal. Depois da última reunião, o tom mudou: nove dos dezoito membros já contam com pelo menos uma subida de juros até ao fim do ano, e há quem antecipe esse movimento para outubro. É uma viragem e tanto — durante meses falou-se em cortar, agora fala-se em apertar, porque a inflação teima em ficar acima dos 2%.

O que vem a seguir

Há dois eventos a vigiar. Quarta-feira sai o índice PCE de maio, o termómetro de inflação preferido da Fed — se vier quente, reforça a tese da subida. E o petróleo aliviou depois de Irão e EUA acordarem um roteiro de paz, o que tira pressão dos preços.

Para Portugal, nada disto é abstrato. Juros americanos mais altos puxam o dólar para cima e mexem com tudo, do crédito às tarifas de importação. Quando a maior economia do mundo aperta o cinto, o eco chega cá.

Imagem ilustrativa · Foto: William Doll II / Pexels

Closeup of three Bitcoin coins on a shimmering gold glitter background, symbolizing digital wealth.
Negócios 22 de junho de 2026

O ouro tropeça e a Fed muda de tom: o que vigiar esta semana

Terceira semana seguida de quedas no ouro, petróleo acima dos 92 dólares e uma Reserva Federal que já fala em subir juros. O dólar agradece.

Quem anda habituado a ver o ouro só a subir levou um banho de água fria: o metal fechou a semana perto dos 4.150 dólares por onça, a terceira queda semanal seguida.

A culpa é de uma combinação que mudou de humor. Um dólar mais forte — no máximo de um ano — torna o ouro mais caro para quem compra noutras moedas, e tira-lhe brilho. Por trás disso está a grande surpresa do momento: a Reserva Federal dos EUA travou os cortes de juros e mudou de tom. Nove dos 19 responsáveis já contam com pelo menos uma subida de juros até ao fim do ano, quando em março ainda se falava em cortes. Os mercados põem agora em cerca de 70% a hipótese de uma subida até setembro.

E o petróleo?

Continua caro e nervoso. O Brent mantém-se acima dos 92 dólares e o WTI ronda os 90 — níveis altos que alimentam a inflação e, lá está, justificam a postura mais dura da Fed.

O que olhar

Esta semana saem os PMI de junho, o PIB do primeiro trimestre nos EUA e dados de expectativas de inflação. Para Portugal, a leitura indireta é o que conta: dólar forte e energia cara mexem com tudo, desde o que pagamos na bomba até ao que o Banco de Portugal escreve nos seus boletins. Não é preciso negociar ouro para sentir o efeito.

Imagem ilustrativa · Foto: Alesia Kozik / Pexels

Close-up of a hand holding US hundred-dollar bills on a white background.
Negócios 21 de junho de 2026

Banco de Portugal segura crescimento em 1,8% — e avisa para a inflação

O boletim de junho manteve a previsão de crescimento, mas o início do ano foi parado e os preços continuam a apertar.

O Banco de Portugal pôs as cartas na mesa no boletim de junho: mantém a previsão de crescimento da economia em 1,8% para 2026. O Governo é um bocadinho mais otimista, aponta para 2%. A diferença parece pequena, mas conta para o que o Estado pode (ou não) gastar.

Para os anos seguintes, o banco central projeta 1,6% em 2027 e 1,8% em 2028. Nada de fogo-de-artifício — crescimento certinho, sem grandes saltos.

O senão

O começo de 2026 não ajudou. Entre as tempestades de janeiro e fevereiro e a subida forte dos preços da energia em março e abril, a economia praticamente parou no primeiro trimestre, depois de ter crescido 0,9% no final de 2025.

E há a inflação, que continua a roer a carteira: deve subir para 3,1% este ano antes de voltar a aproximar-se dos 2% nos anos seguintes. Por outras palavras, o salário pode subir no papel e na prática sentir-se na mesma — porque o que está na prateleira também subiu. É isso que faz a diferença entre uma boa notícia e uma notícia morna.

Imagem ilustrativa · Foto: Jonathan Borba / Pexels

Candlestick chart showing a downward trend in the stock market analysis.
Negócios 21 de junho de 2026

Semana nos mercados: o susto da Fed ainda paira no ar

Wall Street arranca a semana ainda a digerir uma Fed mais dura. O que vem aí até ao fim de junho.

Wall Street entra na nova semana ainda com a ressaca da Fed. Kevin Warsh, na sua primeira reunião como presidente, deixou a porta aberta a uma subida de juros ainda este ano — e os mercados, que esperavam mão mais leve, levaram um banho de água fria. Foi, dizem, o pior “dia de Fed” sob um novo líder desde 1994.

A leitura é simples: cerca de metade dos responsáveis da Fed admite pelo menos uma subida até ao fim de 2026. Para quem investe, a velha pergunta volta com força — os lucros das empresas conseguem aguentar juros altos durante mais tempo?

O que vigiar

A semana traz resultados de pesos pesados como a FedEx e a Micron, e perto do fim do mês chegam números importantes: o PIB do primeiro trimestre e os preços PCE de maio, o termómetro de inflação preferido da Fed.

Porque é que isto importa cá

Juros mais altos lá fora puxam pelo dólar e contagiam o ambiente por toda a parte — incluindo o custo do dinheiro na Europa. Mais vale espreitar de vez em quando, mesmo que a sua vida não passe por Wall Street.

Imagem ilustrativa · Foto: Alex Luna / Pexels