BCE prepara nova subida de juros e a Euribor volta a doer
Os mercados apontam para duas a três subidas de taxas até ao fim do ano. A Euribor já está em máximos de 18 meses — e isso mexe com créditos e poupanças.
Depois de um longo período a descer, os juros voltaram a inverter a marcha — e desta vez para cima. Os mercados já contam com duas, possivelmente três, subidas de taxas do Banco Central Europeu até ao fim de 2026, com a taxa de depósito a poder chegar perto dos 2,75% em dezembro.
A tradução prática chega pela Euribor. No início de junho, a taxa a seis meses, a mais usada no crédito à habitação em Portugal, rondava os 2,59%, e a de doze meses os 2,85% — máximos de cerca de 18 meses. Quem tem crédito de taxa variável vai sentir a diferença na próxima revisão da prestação.
Dois lados da mesma moeda
Para quem deve, é má notícia: prestações mais altas e menos margem no orçamento familiar. Para quem poupa, há finalmente um lado bom — os depósitos a prazo e os certificados voltam a pagar juros que valem a pena olhar, depois de anos a render quase zero.
A lógica do BCE é a do costume: travar a inflação sem estrangular a economia. O equilíbrio é delicado, porque subir juros a mais arrisca arrefecer o crescimento numa altura em que a Europa ainda não está propriamente a abanar de saúde.
Para Portugal, muito endividado em taxa variável, cada décima conta. Vale a pena rever o prazo da Euribor do seu contrato e comparar com o que os bancos pagam pela poupança.
Veja também: a primeira subida de juros do BCE desde 2023 e como a Euribor mexe no crédito à habitação. As decisões e comunicados estão no site do BCE.
Imagem: Wikimedia Commons