Banco de Portugal: economia a crescer 1,8%, mas com a guerra a pesar
O Boletim Económico de junho mantém o crescimento em 1,8% para 2026 e empurra a inflação para 3,1%. O culpado tem nome: o salto nos preços da energia.
O Banco de Portugal pôs os números em cima da mesa e a leitura é agridoce: a economia continua a crescer, mas mais devagar do que se esperava no início do ano.
O Boletim Económico de junho mantém a previsão de crescimento em 1,8% para 2026, seguido de 1,6% em 2027 e 1,8% em 2028. Não é mau — mas é uma revisão em baixa face ao otimismo do final do ano passado. A inflação, essa, sobe: deve fechar 2026 em 3,1%, antes de voltar a aproximar-se dos 2% nos anos seguintes.
De onde vem o travão
A explicação cabe quase toda numa palavra: energia. A subida do preço do petróleo, depois do arranque do conflito EUA–Irão, encareceu as importações e piorou os termos de troca do país. Junte-se a isso muita incerteza, condições financeiras menos amigáveis e uma procura externa mais fraca, e está montado o cenário de menos crescimento com mais inflação.
O copo meio cheio
Nem tudo são nuvens. O mercado de trabalho continua sólido, os fundos europeus estão a entrar com mais força e a dão um empurrão ao investimento, e a política orçamental ainda joga a favor. Tradução para o dia a dia: emprego não falta, mas o cabaz de compras vai continuar a pesar mais no bolso uns meses. Olho no preço da gasolina — é ele que está a mandar nesta história.
Imagem ilustrativa · Foto: Arturo Añez. / Pexels