Campeões Tecnológicos Europeus: Portugal adere a fundo do BEI que quer mobilizar 80 mil milhões
Portugal aderiu à Iniciativa Campeões Tecnológicos Europeus do BEI, que quer angariar 15 mil milhões de euros e mobilizar até 80 mil milhões para 1.500 tecnológicas em expansão.
Portugal vai entrar com dinheiro próprio na nova fase da Iniciativa Campeões Tecnológicos Europeus, a aliança de investimento liderada pelo Banco Europeu de Investimento que quer mobilizar até 80 mil milhões de euros para 1.500 empresas tecnológicas europeias em fase de expansão. O anúncio foi feito esta sexta-feira pelo ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, à margem da reunião do Ecofin, em Bruxelas.
Quanto vai Portugal investir na iniciativa?
Ainda não se sabe — e essa é a parte honesta da resposta. Os 27 Estados-membros acordaram participar, mas a maioria ainda não fechou montantes. No caso português, há uma reunião técnica marcada para a próxima semana entre as equipas do Ministério das Finanças e do BEI, e o valor final será, nas palavras do ministro, proporcional à dimensão de Portugal e às oportunidades do fundo.
O que é a Iniciativa Campeões Tecnológicos Europeus?
É a resposta europeia a um problema antigo: as tecnológicas do continente crescem até certo ponto e depois vão buscar capital aos Estados Unidos — muitas vezes mudando-se de armas e bagagens. A nova fase quer angariar até 15 mil milhões de euros, cerca de quatro vezes mais do que a primeira edição de 2023, e usá-los como alavanca para chegar aos tais 80 mil milhões de investimento total. O Grupo BEI compromete-se com até 1,25 mil milhões, e a novidade é que, além dos megafundos, a iniciativa passa a investir em fundos de crescimento de média dimensão acima dos 300 milhões e cria uma plataforma pan-europeia para facilitar a entrada de investidores privados. A dimensão final fecha no segundo semestre de 2026.
A primeira fase apoiou 15 megafundos e ajudou a criar 12 unicórnios europeus. Para o ecossistema português, que continua a atrair capital — o setor espacial nacional já vale 1,2 mil milhões de euros —, ter o Estado sentado nesta mesa significa acesso mais direto a uma máquina de financiamento pensada exatamente para a fase em que as nossas scale-ups costumam emigrar.
Por Beatriz Mota
Imagem: Caroline Martin / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0 igo)