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Scrabble letter tiles spelling 'INFLATION' on a wooden table, signifying economic concepts.
Negócios 15 de junho de 2026

A economia portuguesa em 2026: a crescer, mas com a inflação a picar

O Banco de Portugal manteve a previsão de crescimento e cortou o défice. A boa notícia tem um senão chamado preços. Descomplicamos os números.

O Banco de Portugal abriu o baú das previsões e o saldo é agridoce. A economia deve crescer 1,8% este ano — ligeiramente abaixo dos 1,9% de 2025, mas longe de uma travagem a fundo.

O problema chama-se inflação. A previsão subiu para 3,1%, contra os 2,8% apontados em março, empurrada sobretudo pela energia mais cara durante os meses de tensão no Médio Oriente. Por outras palavras: o país continua a andar para a frente, mas o carrinho das compras pesa mais do que gostaríamos.

Onde há boas notícias

Nas contas públicas. O défice deve ficar nuns magros 0,2% do PIB, e a dívida pública continua a descer — dos 89,7% do PIB em 2025 para 85,7% este ano, com a meta de chegar a menos de 80% até 2028. É o tipo de arrumação da casa que dá mais margem ao país para responder quando vêm tempos difíceis.

Resumindo: crescemos devagarinho, gastamos com mais juízo, mas ainda sentimos os preços no bolso. E, se o petróleo continuar a aliviar depois do acordo desta semana, parte da pressão pode começar a ceder.

Imagem ilustrativa · Foto: Markus Winkler / Pexels

Sede do Banco Central Europeu em Frankfurt
Negócios 29 de junho de 2026

BCE prepara nova subida de juros e a Euribor volta a doer

Os mercados apontam para duas a três subidas de taxas até ao fim do ano. A Euribor já está em máximos de 18 meses — e isso mexe com créditos e poupanças.

Depois de um longo período a descer, os juros voltaram a inverter a marcha — e desta vez para cima. Os mercados já contam com duas, possivelmente três, subidas de taxas do Banco Central Europeu até ao fim de 2026, com a taxa de depósito a poder chegar perto dos 2,75% em dezembro.

A tradução prática chega pela Euribor. No início de junho, a taxa a seis meses, a mais usada no crédito à habitação em Portugal, rondava os 2,59%, e a de doze meses os 2,85% — máximos de cerca de 18 meses. Quem tem crédito de taxa variável vai sentir a diferença na próxima revisão da prestação.

Dois lados da mesma moeda

Para quem deve, é má notícia: prestações mais altas e menos margem no orçamento familiar. Para quem poupa, há finalmente um lado bom — os depósitos a prazo e os certificados voltam a pagar juros que valem a pena olhar, depois de anos a render quase zero.

A lógica do BCE é a do costume: travar a inflação sem estrangular a economia. O equilíbrio é delicado, porque subir juros a mais arrisca arrefecer o crescimento numa altura em que a Europa ainda não está propriamente a abanar de saúde.

Para Portugal, muito endividado em taxa variável, cada décima conta. Vale a pena rever o prazo da Euribor do seu contrato e comparar com o que os bancos pagam pela poupança.

Veja também: a primeira subida de juros do BCE desde 2023 e como a Euribor mexe no crédito à habitação. As decisões e comunicados estão no site do BCE.

Imagem: Wikimedia Commons

Sam Altman, presidente executivo da OpenAI
Negócios 29 de junho de 2026

A megaronda da OpenAI reacende o medo de uma bolha na IA

Com a dona do ChatGPT avaliada em 852 mil milhões, cresce a pergunta: estarão as bolsas mundiais demasiado apoiadas numa só aposta?

Que a OpenAI fechou a maior ronda de sempre já se sabia. A pergunta que ficou a pairar nos mercados é outra, e mais incómoda: estará a inteligência artificial a inflar uma bolha do tamanho de um continente?

A conta dá vertigens. A empresa foi avaliada em cerca de 852 mil milhões de dólares, com cheques gigantes de Amazon, Nvidia e SoftBank. O problema é que boa parte da subida das bolsas mundiais nos últimos meses assenta num punhado de empresas ligadas à IA. Quando tanta esperança se concentra em tão poucos nomes, qualquer tropeção é sentido por todos.

O que isto muda para quem investe cá

Para o investidor português, a lição não é correr a comprar ações da OpenAI — que nem sequer está em bolsa. É perceber que, mesmo um fundo de índice global aparentemente diversificado, hoje está fortemente exposto a esta aposta. Se a IA não cumprir as promessas de lucro à velocidade esperada, a correção pode ser ampla.

Isto não quer dizer que seja uma bolha condenada a rebentar amanhã. Quer dizer que vale a pena olhar para a carteira e perguntar quanto dela depende, direta ou indiretamente, de uma única narrativa. Diversificar deixou de ser um conselho de manual para passar a ser higiene financeira.

Veja também: os números da ronda recorde da OpenAI. As novidades oficiais da empresa estão em openai.com.

Imagem: Wikimedia Commons

Avenida da Liberdade, Lisboa
Negócios 29 de junho de 2026

PSI perto de máximos de 16 anos: a bolsa de Lisboa está em bom momento

O índice de Lisboa soma quase 7% em quatro semanas e mais de 34% no último ano. O que está a puxar pela bolsa portuguesa?

Boa notícia para quem tem dinheiro investido na praça lisboeta: o PSI anda em forma. O índice de referência da bolsa portuguesa está a rondar os 8.900 pontos, perto de máximos que não se viam há cerca de 16 anos. E não é flor de um dia — em quatro semanas valorizou perto de 7% e, no último ano, mais de 34%. Para um índice que durante muito tempo foi a Cinderela da Europa, é um regresso ao baile e tanto.

Quem está a puxar pelo índice

O fôlego tem vindo sobretudo da banca, das utilities e das telecomunicações — os pesos-pesados que dominam a capitalização do PSI. Quando os bancos sobem com as margens ainda saudáveis e as utilities pagam bons dividendos, o índice agradece. A época de dividendos, aliás, ajuda: junho costuma trazer várias datas de pagamento que mantêm o interesse dos investidores.

Há aqui também uma maré europeia. As bolsas do velho continente têm estado animadas, e Lisboa, sendo pequena, sente bem esses ventos quando sopram a favor.

Convém manter os pés assentes

Máximos sabem sempre bem, mas valem o aviso do costume: um índice concentrado em poucos setores sobe depressa e pode corrigir com a mesma rapidez se a banca ou a energia tropeçarem. Quem investe a pensar no longo prazo faz bem em olhar para os fundamentos e não só para o gráfico. Os dados oficiais e a composição do índice podem ser consultados na Euronext Lisbon.

Veja também: o Brent nos mínimos do ano e o recorde no preço das casas.

Imagem: Wikimedia Commons

Refinaria de petróleo ao fim do dia
Negócios 29 de junho de 2026

Brent nos mínimos do ano: vem aí alívio na bomba?

Com Ormuz reaberto, o preço do petróleo desabou para perto dos 72 dólares. Boas notícias para quem enche o depósito — com a habitual letra pequena.

Quem andou a torcer o nariz ao preço dos combustíveis nas últimas semanas pode respirar um pouco. O Brent, a referência que mais conta para o que pagamos, caiu para perto dos 72 dólares por barril — o valor mais baixo desde o final de fevereiro.

O motivo é geopolítico: com o Estreito de Ormuz outra vez aberto e os petroleiros a circular, o medo de uma rutura de fornecimento esvaziou-se. Quando o mercado deixa de ter pânico, o barril desce. E quando o barril desce, mais cedo ou mais tarde isso chega à bomba.

Cuidado com a letra pequena

Antes de festejar, dois travões. Primeiro, o preço do petróleo não chega instantaneamente ao posto: há sempre um desfasamento de dias até semanas, e impostos que não mexem com o barril. Em Portugal, a fatia de impostos no litro é enorme, por isso uma queda de 5% no crude nunca se traduz numa queda de 5% no que pagamos.

Segundo, a calma é frágil. O cessar-fogo entre os EUA e o Irão continua por um fio, e basta uma faísca para o barril voltar a saltar. Quem faz contas ao orçamento familiar faria bem em não assumir que os preços baixos vieram para ficar.

Ainda assim, a direção é boa. Depois de semanas a ver os números subir, é a primeira vez em muito tempo que o vento sopra a favor de quem conduz.

Veja também: Estreito de Ormuz volta a respirar. Os preços de referência podem ser consultados na DGEG.

Imagem: Wikimedia Commons

Notas e moedas de euro
Negócios 28 de junho de 2026

Banco de Portugal: economia segura, mas inflação ainda a incomodar

O Boletim Económico de junho aponta para um mercado de trabalho favorável e mais investimento com fundos europeus, com a inflação puxada pela energia.

O Banco de Portugal abriu as cartas do meio do ano e o retrato não é mau. No Boletim Económico de junho, o supervisor descreve uma economia que se aguenta: mercado de trabalho favorável, mais investimento empurrado pela entrada de fundos europeus e uma política orçamental ainda do lado expansionista.

Traduzindo para português de cozinha: há emprego, há dinheiro a entrar para obras e projetos, e o Estado não está a apertar o cinto. Tudo somado, são ingredientes que ajudam a economia a crescer.

O senão chama-se inflação

Nem tudo são rosas. A subida dos preços em 2026 reflete, em boa parte, o encarecimento do petróleo associado à instabilidade no Médio Oriente, que afetou uma fatia importante do abastecimento mundial de energia. Quando a energia sobe, arrasta quase tudo atrás de si, da fatura da luz ao preço do que pomos no prato.

É por isto que a calmaria recente no preço do barril é tão bem-vinda. Se o petróleo se mantiver comportado, a inflação tende a abrandar, e isso sente-se diretamente no orçamento das famílias.

Para já, fica a fotografia de uma economia que vai resistindo, com um olho no emprego e nos fundos, e outro, atento, no termómetro dos preços.

Veja também: A inflação nos 3,3% e o peso da energia. Leia o Boletim Económico no Banco de Portugal.

Imagem ilustrativa · Foto: Pixabay / Pexels

Amostra de petróleo bruto
Negócios 28 de junho de 2026

Petróleo regressa a valores pré-crise e dá folga aos combustíveis

O Brent recuou para perto dos 72 dólares, de volta aos níveis anteriores ao conflito no Médio Oriente. Cá, gasolina e gasóleo devem manter-se estáveis.

Depois de semanas a saltar ao sabor das notícias do Médio Oriente, o petróleo deu finalmente um suspiro. O barril de Brent recuou para perto dos 72 a 73 dólares, regressando aos valores que tinha antes de a tensão na região disparar.

A explicação é quase mecânica: quando o mercado teme que o conflito corte o abastecimento, o preço sobe; quando o medo alivia, desce outra vez. Foi o que aconteceu nos últimos dias, com o Brent a recuar mais de cinco por cento numa sessão.

E na bomba?

A boa notícia chega com a habitual letra pequena. A descida do barril costuma demorar a chegar ao depósito, mas as estimativas apontam para estabilidade já na próxima semana: a gasolina simples 95 deve rondar os 1,877 euros por litro e o gasóleo simples os 1,769 euros. Ou seja, sem grandes sustos para já.

Vale a pena lembrar porque é que isto interessa a quem nunca olha para os mercados. O preço do petróleo entra em quase tudo: no que pagamos para encher o carro, no custo de transportar a fruta até ao supermercado e, lá mais à frente, na inflação. Quando o barril acalma, todos respiramos um bocadinho melhor.

Resta saber se a calmaria dura. Com a situação no Golfo ainda ao rubro, basta um novo abanão para o barril voltar a subir.

Veja também: Bolsas europeias e o ouro perto de máximos. Consulte a cotação do Brent na Trading Economics.

Imagem: Wikimedia Commons

Barras de ouro empilhadas
Negócios 28 de junho de 2026

Bolsas europeias caem com receio da fatura da IA; ouro perto de máximos

O Euro Stoxx 50 recua com a venda nas tecnológicas e o ouro negoceia perto dos 4.090 dólares, depois de semanas em queda.

As bolsas europeias fecharam a semana em baixa e a culpa tem nome: inteligência artificial. Não a tecnologia em si, mas a conta que ela está a gerar. Os investidores começaram a olhar com desconfiança para os milhares de milhões que as grandes tecnológicas despejam em centros de dados e chips, e perguntam quando chega o retorno.

Resultado: o Euro Stoxx 50 recuou para a zona dos 6.200 pontos, com perdas na semana, e o índice alargado Stoxx 600 seguiu o mesmo caminho. Quando as tecnológicas espirram, o resto do mercado constipa-se.

O ouro a fazer de almofada

Do outro lado da gangorra está o ouro, que negociou perto dos 4.090 dólares por onça. Ainda assim, o metal teve a quarta semana seguida de quedas, travado por um dólar forte e por um tom mais duro da Reserva Federal americana. Mesmo a recuar, continua num patamar histórico.

Para quem tem poupanças ou um PPR, a mensagem não é entrar em pânico. É perceber o ambiente: mercados nervosos, juros ainda altos e muita atenção a cada número de inflação. Semanas assim costumam ser de montanha-russa, não de linha reta.

A leitura para Portugal é indireta mas real: boa parte das nossas poupanças e fundos segue estes índices. Quando a Europa cai, sente-se também por cá.

Veja também: BCE sobe juros para 2,25% e a Euribor segue atrás.

Imagem: Wikimedia Commons

Christine Lagarde, presidente do BCE
Negócios 28 de junho de 2026

BCE sobe juros para 2,25% e a Euribor segue atrás

O Banco Central Europeu subiu a taxa para 2,25% em junho. A Euribor a 3 meses ruma aos 2,4% este ano — más notícias para quem tem crédito.

Quem tem a prestação da casa indexada à Euribor já percebeu para onde sopra o vento. O Banco Central Europeu subiu a taxa diretora de 2,00% para 2,25% em junho, e a Euribor, que segue de perto as decisões de Frankfurt, acompanha o movimento.

A previsão é de uma subida gradual: a Euribor a 3 meses deve passar dos 2,2% de 2025 para cerca de 2,4% este ano, 2,8% em 2027 e estabilizar nos 2,7% em 2028. Nada de saltos dramáticos, mas o suficiente para mexer no orçamento mensal de quem tem crédito.

O que fazer com isto

Para quem está a pagar casa, vale a pena fazer as contas: simular a prestação com a Euribor um pouco acima e, se fizer sentido, falar com o banco sobre prazos ou condições. Para quem está a poupar, os depósitos podem voltar a ganhar algum brilho.

O contexto também ajuda a explicar a decisão: com a energia a pressionar os preços, o BCE prefere manter a guarda alta.

Veja também: a inflação nos 3,3% e o mercado da habitação. As decisões saem do Banco Central Europeu.

Imagem: Wikimedia Commons

Sede do Banco de Portugal
Negócios 28 de junho de 2026

Inflação fica nos 3,3% e a energia continua a mandar

A inflação em Portugal manteve-se nos 3,3% em maio, com a energia a disparar 13,1%. O Banco de Portugal alerta para rendimento real mais fraco.

A inflação não está a fugir, mas também não larga. Em maio, os preços subiram 3,3% face ao ano anterior, o mesmo ritmo do mês anterior e o valor mais alto desde setembro de 2023. O grande culpado tem nome: energia, a disparar 13,1%, empurrada pela guerra no Médio Oriente e pelas tensões no Estreito de Ormuz.

Há, ainda assim, uma nota mais calma. A inflação subjacente, que tira a energia e os alimentos não transformados da conta, manteve-se nos 2,2% pelo segundo mês seguido. Já os serviços aceleraram ligeiramente, dos 3,2% para os 3,4%.

O aviso do Banco de Portugal

No Boletim Económico de junho, o Banco de Portugal sublinha o óbvio mas incómodo: esta subida temporária dos preços come parte do crescimento do rendimento real este ano. Por outras palavras, mesmo com salários a subir, o poder de compra sente o aperto.

Para as famílias, o recado prático é gerir com margem: a energia continua a ser a variável mais imprevisível, e enquanto Ormuz estiver tenso, é por aí que vêm os sustos.

Veja também: o navio atingido em Ormuz e a subida de juros do BCE. Dados oficiais no Banco de Portugal e no INE.

Imagem: Wikimedia Commons

Sede do Banco de Portugal, em Lisboa
Negócios 27 de junho de 2026

Banco de Portugal: economia a crescer 1,8%, mas com a inflação a incomodar

O Boletim Económico de junho mantém o crescimento em 1,8% para 2026 e revê a inflação em alta, para 3,1%. O conflito internacional pesa nas contas.

O Banco de Portugal abriu as cartas no seu Boletim Económico de junho, e a leitura é a de uma economia que continua a crescer, mas com um senão cada vez mais ruidoso: a inflação não dá tréguas como se esperava.

Comecemos pelo lado bom. A previsão de crescimento do PIB mantém-se nos 1,8% para 2026, com 1,6% em 2027 e 1,8% em 2028 a fechar o horizonte. Não é um número espetacular, mas é crescimento sólido e acima da média da Zona Euro, que o BCE entretanto reviu em baixa para uns modestos 0,8% este ano. O motor continua a ser o investimento, dinamizado pela maior chegada de fundos europeus, e um mercado de trabalho que se mantém favorável.

O problema está nos preços. O banco central reviu a inflação em alta, para 3,1% em 2026 — mais três décimas do que projetava em março —, antes de prever um regresso a valores mais perto dos 2% nos anos seguintes (2,4% em 2027 e 2,0% em 2028). Por trás desta revisão está, sobretudo, a energia: o conflito internacional fez disparar a incerteza e empurrou para cima os pressupostos do preço do petróleo.

Por outras palavras, é o velho dilema. A economia segue em frente, cria emprego e atrai investimento, mas o custo de vida continua a corroer parte desses ganhos no bolso das famílias. Quem faz contas ao fim do mês sente bem essa diferença entre os números agregados e o preço do cabaz no supermercado.

Há ainda uma nota mais animadora nas contas públicas: o Banco de Portugal mostrou-se mais otimista quanto ao défice, sinal de que o esforço orçamental dos últimos anos não se perdeu pelo caminho. Mas o recado de fundo é de prudência. Num ano marcado por tensões geopolíticas e energia volátil, as projeções valem o que valem — e podem mudar à próxima revisão. Por agora, fica o retrato de uma economia resiliente, mas a olhar de soslaio para a inflação.

Imagem: Wikimedia Commons

Ecrã com análise de mercados e tendências de preços
Negócios 27 de junho de 2026

FMI corta a previsão de crescimento de Portugal para 1,7% — mas vê as contas certinhas

O Fundo Monetário Internacional reviu em baixa o crescimento da economia portuguesa este ano, ao mesmo tempo que prevê um saldo orçamental nulo.

Há aqui duas notícias e elas puxam para lados diferentes, por isso vale a pena ler com calma.

A primeira: o Fundo Monetário Internacional voltou a cortar a previsão de crescimento da economia portuguesa para este ano, de 1,9% para 1,7%. Não é um descalabro — é um arrefecimento, sinal de que a engrenagem não acelera ao ritmo que muitos esperavam.

A segunda, mais animadora: o mesmo FMI prevê que Portugal feche o ano com um saldo orçamental nulo, melhor do que o pequeno défice de 0,1% do PIB que apontava em abril. Por outras palavras, o país gasta sensivelmente o que arrecada — uma raridade histórica que há uns anos parecia ficção.

Dois retratos do mesmo país

Como é que cabem na mesma frase um corte no crescimento e contas equilibradas? Porque medem coisas diferentes. O crescimento diz-nos quão depressa a economia engorda; o saldo orçamental diz-nos se o Estado vive dentro das suas posses. Dá para ter o segundo arrumado e, ainda assim, andar a meio-gás no primeiro.

Convém também não esquecer que cada instituição tem o seu termómetro. O Banco de Portugal está mais otimista no curto prazo, apoiado na chegada de fundos europeus e num mercado de trabalho que se mantém robusto. O FMI, mais cauteloso, olha para os riscos lá fora — o Médio Oriente à cabeça.

O que fica

Para quem está em casa, a tradução é simples: nada de drama, mas também nada de festa. A economia continua a crescer, só que mais devagar; e o Estado, pelo menos no papel, está a equilibrar o livro de contas. Numa Europa cheia de défices, não é mau bilhete de visita.

Imagem ilustrativa · Foto: Alesia Kozik / Pexels

Notas de euro empilhadas
Negócios 27 de junho de 2026

Inflação teima nos 3,3% — e a culpa é (outra vez) da energia

Os preços em Portugal continuam a subir 3,3% ao ano, puxados por uma escalada de 13% na energia ligada à tensão no Médio Oriente.

Se sente que o dinheiro rende menos do que há um ano, não é impressão. A inflação em Portugal manteve-se em 3,3% em maio, um dos valores mais altos desde 2023 — e o grande responsável volta a ser a energia.

Os custos energéticos dispararam cerca de 13% no espaço de um ano, empurrados pela tensão no Médio Oriente e pelos sustos à volta do Estreito de Ormuz, por onde passa boa parte do petróleo do mundo. Quando o barril sobe lá fora, a fatura chega cá dentro — primeiro aos combustíveis, depois a quase tudo o resto, porque transportar bens também custa mais.

O que esperar

A boa notícia é que as previsões apontam para um arrefecimento: os economistas esperam a inflação anual perto dos 3% em 2026 e a descer para os 2,3% em 2027. Ou seja, os preços ainda sobem, mas devem subir mais devagar.

Para o dia a dia, a tradução é simples. Vale a pena comparar tarifários de luz e gás, porque é aí que está a maior pressão. E quem tem poupanças sente a mordidela: com a inflação acima dos 3%, o dinheiro parado no banco perde valor real todos os meses.

Não é cenário de pânico — a economia continua a crescer e o desemprego está baixo —, mas é um lembrete de que a energia, lá longe, continua a mandar no orçamento cá de casa.

Imagem ilustrativa · Foto: Pixabay / Pexels

Barras e moedas de ouro empilhadas
Negócios 27 de junho de 2026

Ouro perde o brilho: longe do recorde de janeiro à boleia da paz com o Irão

Depois de bater máximos históricos no início do ano, o ouro recuou bem. O que mudou — e o que dizem os investidores.

Quem comprou ouro no início do ano a pensar que ia subir para sempre teve uma lição rápida sobre os mercados: nada sobe em linha reta. O metal que parecia imparável em janeiro perdeu boa parte do fulgor e anda agora bem mais discreto.

A 28 de janeiro, o ouro tocou um recorde histórico, perto dos 5.600 dólares por onça, empurrado por uma tempestade perfeita: incerteza geopolítica, inflação alta e bancos centrais a comprar como nunca. Cinco meses depois, a história é outra. Esta semana o ouro negoceia à volta dos 4.090 dólares, o que representa uma queda de quase 20% face ao pico e cerca de 5% no acumulado do ano.

O que esfriou o entusiasmo

A explicação curta cabe numa palavra: paz. Os sinais de desanuviamento entre os Estados Unidos e o Irão tiraram parte do medo que tinha levado tanta gente a refugiar-se no ouro. Quando o mundo respira mais aliviado, o chamado ativo-refúgio perde apelo, porque os investidores voltam a arriscar noutros sítios à procura de mais retorno.

Isto não quer dizer que o ouro tenha deixado de ser interessante. Para muitas carteiras, continua a ser um seguro contra surpresas — e bastam umas semanas de nervosismo para o brilho voltar. A lição, mais uma vez, é a de sempre: o ouro protege, mas não é bilhete de lotaria.

Os preços de referência podem ser acompanhados no World Gold Council, o organismo oficial do setor.

Veja também: Petróleo abranda e dá um respiro à carteira e a inflação que teima nos 3,3%.

Imagem ilustrativa · Foto: Zlaťáky.cz / Pexels

Vista de uma grande refinaria de petróleo com tubagens
Negócios 27 de junho de 2026

Petróleo abranda e dá um respiro à carteira: o medo de Ormuz arrefeceu

O Brent recuou para perto dos 72 dólares com o alívio das tensões no Estreito de Ormuz. O que isso significa para os combustíveis em Portugal.

Lembra-se das semanas em que cada notícia do Golfo fazia o preço do gasóleo dar um salto? Pois é, o filme está a mudar — e desta vez para melhor.

O barril de Brent recuou para perto dos 72 dólares, e o WTI americano para a casa dos 69, depois de o mercado perceber que o petróleo continua, afinal, a passar pelo Estreito de Ormuz. A Saudi Aramco retomou os carregamentos no terminal de Ras Tanura após quase quatro meses parado, e a sensação de que o crude vai mesmo continuar a circular tirou pressão dos preços.

Porque é que isto nos toca

Portugal não tem poços de petróleo, mas tem depósitos para encher e contas de luz para pagar. Quando o barril dispara por causa de uma crise geopolítica, sentimo-lo na bomba poucos dias depois. Quando arrefece, o alívio também chega — embora, convenhamos, sempre mais devagar do que gostaríamos.

A leitura dos analistas é quase irónica: depois de meses a falar em rutura de abastecimento, o que está agora em cima da mesa é o oposto — um possível excesso de oferta, com a China ainda sem recuperar totalmente o apetite por importações. Demasiado petróleo à procura de comprador costuma significar preços em baixa.

O senão

Nada disto é garantido. O Médio Oriente continua a ser a grande variável imprevisível, e o próprio Banco de Portugal já avisou que os principais riscos para a inflação cá dentro vêm precisamente daquele tabuleiro. Um novo sobressalto em Ormuz e o filme rebobina depressa.

Por agora, fica a boa notícia rara: um fator que andou meses a empurrar os preços para cima está, finalmente, a empurrar para o outro lado.

Imagem ilustrativa · Foto: Jakub Pabis / Pexels