Constelação Lusíada: Portugal põe Florbela, Torga e Cesário Verde em órbita — já são oito satélites
A constelação Lusíada da LusoSpace já tem oito satélites em órbita. Florbela Espanca, Miguel Torga e Cesário Verde subiram num Falcon 9 para reforçar o Waze dos oceanos.
Portugal acaba de mandar três poetas para o espaço. Florbela Espanca, Miguel Torga e Cesário Verde são os nomes dos novos satélites da constelação Lusíada, lançados esta semana a bordo de um Falcon 9 da SpaceX, na missão Transporter-17, a partir da base de Vandenberg, na Califórnia. Com esta fornada, a constelação da portuguesa LusoSpace passa a ter oito satélites em órbita.
Para que serve a constelação Lusíada?
É, no fundo, um Waze dos oceanos: uma rede de comunicações e partilha de informação para o setor marítimo, equipada com tecnologia AIS e VDES para localizar navios, melhorar a vigilância e a segurança no mar e apoiar operações de busca e salvamento. Os três poetas juntam-se a Camões, Fernando Pessoa, Agustina Bessa-Luís, José Saramago e ao PoSat-2 — e ainda faltam quatro satélites para completar a constelação de doze.
Quanto custa e quem paga?
O projeto representa um investimento de 15 milhões de euros, dos quais 10 milhões são financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência, como detalha a ficha oficial do PRR. Para uma empresa fundada em Lisboa, é daqueles casos em que o dinheiro europeu sai literalmente da atmosfera.
A ambição espacial portuguesa tem crescido a olhos vistos — e num verão em que o mundo discute em Genebra como governar a inteligência artificial, há algo de reconfortante em ver a tecnologia nacional ocupada a vigiar o mar com nomes de quem escreveu sobre ele.
Por Oliver Grant
Imagem: NASA Headquarters / NASA/Aubrey Gemignani / Wikimedia Commons (domínio público)