O choque dos chips: a fatura da IA chegou às lojas e abanou as bolsas
A Apple e a Microsoft subiram preços por causa do custo das memórias, e as tecnológicas asiáticas afundaram. A SoftBank chegou a cair 13%.
Durante meses ouvimos que a inteligência artificial ia custar uma fortuna a construir. Esta semana percebemos quem vai pagar a conta: nós, na caixa do supermercado tecnológico.
A Apple e a Microsoft anunciaram com poucos dias de diferença subidas de preços nos produtos de consumo — e os mercados não gostaram nada do recado. As tecnológicas asiáticas levaram um valente tombo, com a japonesa SoftBank a cair mais de 13% num só dia e a arrastar consigo meio setor.
Porque é que isto está a acontecer
A culpa é das memórias. Os preços dos chips de memória — a DRAM e a NAND, aquela que guarda as fotos e faz o telemóvel andar depressa — quadruplicaram desde 2025. A razão é simples: as fábricas viraram a produção para a memória de alta largura de banda (HBM), que é a que os centros de dados de IA devoram aos milhões. Sobra pouca capacidade para a memória dos aparelhos do dia a dia, e quando a oferta encolhe, o preço dispara.
O que muda para a carteira
O resultado já se vê nas etiquetas. A Apple subiu alguns modelos até 300 dólares — um MacBook Pro de 1 TB passou de 1.699 para 1.999 dólares. A Microsoft avisou que as consolas Xbox ficam 100 a 150 dólares mais caras a partir de agosto, a segunda subida em menos de um ano.
E aqui está o que assusta os investidores: se os aparelhos ficam mais caros, talvez as pessoas comprem menos. E se compram menos, a tal corrida das memórias que andava a engordar as bolsas pode começar a arrefecer. Por outras palavras, a IA que fez subir as ações pode acabar por lhes dar uma travagem — pelo lado mais inesperado, o do consumidor a olhar para o preço e a dizer “para o ano logo se vê”.
Imagem ilustrativa · Foto: Sergei Starostin / Pexels