FMI corta (outra vez) a previsão de crescimento de Portugal para 1,7%
O Fundo voltou a baixar a fasquia para 2026 e avisa para a inflação. Mas há boas notícias por baixo dos números: contas certas e dívida abaixo dos 90%.
O Fundo Monetário Internacional fez as contas a Portugal e o resultado tem dois lados. O da capa: a previsão de crescimento para 2026 voltou a descer, agora para 1,7%. O das entrelinhas: o país continua, no essencial, a fazer o trabalho de casa.
O que mudou
Há uns meses o FMI apontava 1,9%. Agora corta para 1,7% — abaixo dos 2% que o Governo projeta. A justificação é sobretudo externa: os efeitos do conflito no Médio Oriente pesam o suficiente para anular parte do empurrão que devia vir dos fundos europeus. As tempestades do início do ano também travaram o arranque de 2026, embora a reconstrução deva equilibrar a conta ao longo dos meses.
A inflação é o outro alerta. O Fundo vê os preços a subir para 3,4% este ano — puxados por matérias-primas mais caras e pressão nos salários — antes de aliviarem para 2,3% em 2027. Por outras palavras: o poder de compra vai sentir o aperto antes de respirar.
A parte boa que não cabe no título
Por baixo da revisão em baixa há um país com as contas em ordem. Portugal fechou 2025 a crescer acima da média da zona euro e registou o terceiro excedente orçamental em três anos — algo que há uns anos parecia ficção. A dívida pública caiu abaixo dos 90% do PIB, um patamar que muda a forma como os mercados olham para o país.
Porque é que isto importa
Crescer 1,7% em vez de 2% não é uma tragédia, mas também não é detalhe: significa menos margem para subir rendimentos e mais paciência até a inflação acalmar. A boa notícia é que Portugal entra nesta fase com almofada — contas certas e dívida a descer dão folga para encaixar solavancos lá de fora. Para 2027, o Fundo projeta 1,6%. Devagar, mas em pé.
Imagem: Wikimedia Commons