FMI corta a previsão de crescimento de Portugal para 1,7% — mas vê as contas certinhas
O Fundo Monetário Internacional reviu em baixa o crescimento da economia portuguesa este ano, ao mesmo tempo que prevê um saldo orçamental nulo.
Há aqui duas notícias e elas puxam para lados diferentes, por isso vale a pena ler com calma.
A primeira: o Fundo Monetário Internacional voltou a cortar a previsão de crescimento da economia portuguesa para este ano, de 1,9% para 1,7%. Não é um descalabro — é um arrefecimento, sinal de que a engrenagem não acelera ao ritmo que muitos esperavam.
A segunda, mais animadora: o mesmo FMI prevê que Portugal feche o ano com um saldo orçamental nulo, melhor do que o pequeno défice de 0,1% do PIB que apontava em abril. Por outras palavras, o país gasta sensivelmente o que arrecada — uma raridade histórica que há uns anos parecia ficção.
Dois retratos do mesmo país
Como é que cabem na mesma frase um corte no crescimento e contas equilibradas? Porque medem coisas diferentes. O crescimento diz-nos quão depressa a economia engorda; o saldo orçamental diz-nos se o Estado vive dentro das suas posses. Dá para ter o segundo arrumado e, ainda assim, andar a meio-gás no primeiro.
Convém também não esquecer que cada instituição tem o seu termómetro. O Banco de Portugal está mais otimista no curto prazo, apoiado na chegada de fundos europeus e num mercado de trabalho que se mantém robusto. O FMI, mais cauteloso, olha para os riscos lá fora — o Médio Oriente à cabeça.
O que fica
Para quem está em casa, a tradução é simples: nada de drama, mas também nada de festa. A economia continua a crescer, só que mais devagar; e o Estado, pelo menos no papel, está a equilibrar o livro de contas. Numa Europa cheia de défices, não é mau bilhete de visita.
Imagem ilustrativa · Foto: Alesia Kozik / Pexels