Inflação estável nos 3,3% — mas a energia continua a queimar
Os preços gerais não se moveram em maio, só que a energia disparou 13,1% num ano. A guerra e o Estreito de Hormuz explicam grande parte da conta.
A inflação portuguesa ficou-se pelos 3,3% em maio — exatamente igual a abril. À primeira vista, soa a estabilidade. Espreite os números por dentro e a história é mais picante.
A energia acelerou para 13,1% de subida homóloga (vinha de 11,7% em abril), empurrada pela guerra no Médio Oriente e pelo fecho do Estreito de Hormuz. Do outro lado da balança, os alimentos não transformados abrandaram para 5,7% (estavam em 7,4%), o que ajudou a equilibrar a conta. A inflação subjacente — a que tira energia e frescos — manteve-se nos 2,2%.
O que tirar daqui
A parte boa: o “núcleo duro” dos preços está controlado, perto da meta. A parte chata: a energia continua a ser o cravo no sapato, e isso bate certo no orçamento de casa e das empresas. Se a trégua entre os EUA e o Irão segurar e o petróleo acalmar, esta é provavelmente a rubrica que mais depressa vai dar tréguas. Até lá, vale a pena olhar para a fatura da luz com carinho.
Imagem ilustrativa · Foto: Markus Winkler / Pexels